Biografia
Em 24 de Março de
1936, às 20H10 na maternidade do hospital de Vila
Real (freguesia urbana de São Dinis), nasce Jaime
Alberto Gonçalves das Neves, filho de uma doméstica
e de um guarda da Polícia de Segurança Pública;
Percurso escolar:
- 1.ª classe em São Martinho de Antas, freguesia do
concelho de Sabrosa;
- 2.ª classe no Porto;
- 3.ª e 4.ª classes em Vila Real;
- curso geral e complementar dos liceus, no "Camilo
Castelo Branco" em Vila Real
Em 15 de Outubro de 1953, alistado e incorporado na
Escola do Exército (EE) «DULCE ET DECORUM EST
PRO
PATRIA MORI»;
1956 - Concluído o curso de Infantaria com média de
11 valores, promovido a Aspirante-a-Oficial e
colocado na Escola Prática de Infantaria (EPI -
Mafra) «AD UNUM»;
Em 1 de Novembro de 1957, promovido a Alferes e
colocado no Batalhão de Caçadores 3 (BC3 – Bragança)
«VALOR E LEALDADE»;
Em 16 de Novembro de 1957, embarca rumo a
Moçambique, a fim de fazer tirocínio na Companhia de
Caçadores Indígena de Tete (CCacI – Tete);
Em 24 de Março de 1958, desembarca em Mormugão,
vindo de
Lourenço Marques integrado no Batalhão de
Caçadores de Moçambique (BCac-Moçambique) para
reforço da guarnição militar do Estado da Índia
Portuguesa;
Em 1 de Dezembro de 1959, promovido a Tenente;
Em 12 de Maio de 1960, regressa a Lourenço Marques e
fica colocado na Escola de Aplicação Militar de
Moçambique (EAMM - Boane) «AEQUO ANIMO», onde dá
instrução a
sargentos e praças;
Em 1 de Dezembro de 1961, promovido a Capitão;
Em 24 de Dezembro de 1961, regressa à Metrópole,
sendo colocado no Batalhão de Caçadores 10 (BC10 –
Chaves) «SEMPRE EXCELENTES E VALOROSOS»;
Em 30 de Novembro de 1962, embarca para Angola, por
ter sido "nomeado para uma comissão por imposição";
Em 12 de Dezembro de 1962 - colocado como
oficial de reabastecimentos no Batalhão de Caçadores
381 (BCac381) «DIABOS» (unidade recém-chegada a
Luanda), destinado ao Úcua;
Em 17 de Maio de 1963, passa a comandar a Companhia
de Caçadores Especiais 365 (CCE365), acantonada no
Muxaluando;
Em Agosto de 1963, recua com a sua subunidade para o
Grafanil, executando missões e patrulha em Luanda e
subúrbios;
Em Novembro de 1963, segue para o sector de Malanje,
ficando estacionado em Marimba, com actividades
desenvolvidas em Tembo Aluma, Marimbanguengo,
Milando e Sunginge;
Em Fevereiro de 1964, regressa ao Grafanil;
Em 9 de Setembro de 1964, inicia a torna-viagem para
Lisboa;
Em 28 de Maio de 1965, regressa a Luanda, como
comandante da formação da 2.ª Companhia de
Comandos
(2ªCCmds) «AUDACES FORTUNA JUVAT», destinada ao
Centro de Instrução de Comandos (CIC-Belo Horizonte)
da Região Militar de Angola, seguindo-se a
preparação operacional no 4.º Curso de Comandos, no
Alto Maiombe (Monte dos Morcegos);
Em 10 de Maio de 1966, segue para Lourenço Marques
com a sua unidade, que um mês depois é colocada no
Lumbo e desenvolve sucessivas operações em Mueda,
Diaca, Mutamba dos Macondes, Chai, Mucojo, Serra do
Mapé e sul do rio Messalo;
Em 22 de Agosto de 1966, a 2.ª Companhia de Comandos
(2ªCCmds) «AUDACES
FORTUNA JUVAT» sofre a sua
primeira baixa em combate [António Amaro dos
Santos];
Em 11 de Setembro de 1967, regressado à Metrópole, é
sucessivamente colocado no Regimento de Infantaria
14 (RI14 - Viseu) «VIRIATOS» - «CUJA FAMA NINGUÉM
VIRÁ QUE DOME», na Escola Prática de Infantaria (EPI
- Mafra) «AD
UNUM» e no Centro de Instrução de
Operações Especiais (CIOE – Lamego) «QUE OS MUITOS,
POR SEREM POUCOS, NÃO TEMAMOS»;
Em 4 de Novembro de 1967, louvado pelo comandante da
RMM, porque «participou em todas as missões de
combate, sempre dando provas notáveis de bravura,
desembaraço, capacidade física, espírito de
sacrifício e serena energia debaixo de fogo. Em
muitas ocasiões comandou um grupo de combate em
acumulação com o comando da Companhia e sempre
serviu de exemplo aos seus homens, a todos
dinamizando com a sua actividade e conduzindo a sua
Unidade aos mais assinalados êxitos sobre o inimigo.
São de notar, de forma especial, as operações Açor,
Catatua, Olho Vivo, Picanço, Licas, Hebraico,
Polinómio, Maionese, Martelada, Trolha, Desbravar,
Finalmente, Chaimite, Aveiras, Alentejano, Mabecos
Raivosos e Furriel Aguiar. Além das qualidades que o
tornam particularmente apto para o comando de forças
neste tipo de guerra, possui ainda dotes de
carácter, lealdade e honestidade profissional que o
tornaram um elemento de prestígio dentro do
Exército, que serve tão devotadamente»;
Em 23 de Janeiro de 1968, agraciado com uma Cruz de
Guerra de 1.ª Classe:
Capitão de
Infantaria, Comando
JAIME ALBERTO GONÇALVES DAS NEVES
2ªCCmds - RMM
MOÇAMBIQUE
1.ª CLASSE
Transcrição da Portaria publicada na Ordem do
Exército n.º 4 – 2.ª série, de 1968.
Por
Portaria de 23 de Janeiro de 1968:
Condecorado com a Cruz de Guerra de 1.ª classe, ao
abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da
Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços
prestados em acções de combate na Província de
Moçambique, o Capitão de Infantaria, Comando, Jaime
Alberto Gonçalves das Neves.
Transcrição do louvor que originou a condecoração.
(Por Portaria da mesma data, publicada naquela Ordem
do Exército):
Manda o Governo da República Portuguesa, pelo
Ministro do Exército, adoptar, para todos os efeitos
legais, o louvor conferido na Ordem de Serviço n.º
88, de 04 de Novembro de 1967, da Região Militar de
Moçambique, ao Capitão de Infantaria, Comando, Jaime
Alberto Gonçalves das Neves, com a seguinte
redacção:
Porque no comando da sua Unidade evidenciou, em
todas as circunstâncias, qualidades de coragem
física, decisão e energia que lhe mereceram a estima
e consideração de todos os seus subordinados e o
alto conceito em que é tido pelos seus superiores
hierárquicos.
O Capitão Gonçalves das Neves organizou e dirigiu a
sua Companhia de Comandos de forma a torná-la uma
Unidade da mais elevada eficiência operacional,
comprovada pelos magníficos resultados obtidos em
acção contra o inimigo. O valor da sua Unidade em
operações, aliado à excelente disciplina, permitiu
que o Comando da Região pudesse empregar a 2.ª
Companhia com a maior confiança no seu rendimento e
eficiência.
No comando da sua Unidade, o Capitão Gonçalves das
Neves participou em todas as missões de combate,
sempre dando provas notáveis de bravura,
desembaraço, capacidade física, espírito de
sacrifício e serena energia debaixo de fogo, a que
inúmeras vezes foi sujeito. Em muitas ocasiões
comandou um grupo de combate em acumulação com o
comando da Companhia e sempre serviu de exemplo aos
seus homens, a todos dinamizando com a sua
actividade e conduzindo a sua Unidade aos mais
assinalados êxitos sobre o inimigo.
São de notar, de forma especial, as operações
"Açor", "Catatua", "Olho Vivo", "Picanço", "Licas",
"Hebraico", "Polinómio", "Maionese", "Mar-telada",
"lisolha", "Desbravar", "Finalmente", "Chaimite",
"Aveiras", "Alentejano", "Mabecos Raivosos" e
"Furriel Aguiar", que, praticamente, cobriram toda a
área subvertida da Zona de Intervenção Norte.
Além das qualidades que o tornam particularmente
apto para o comando de forças neste tipo de guerra,
possui ainda o Capitão Gonçalves das Neves dotes de
carácter, lealdade e honestidade profissional que o
tornam um elemento de prestígio dentro do Exército,
que serve tão devotadamente.
Em 22 de Abril de 1970, embarca para Luanda, como
comandante da 28.ª Companhia de Comandos (28ªCCmds)
«A SORTE PROTEGE OS AUDAZES» [Cruz de Guerra,
colectiva, de 1.ª classe], a fim de receber
instrução no Centro de Instrução de Comandos (CIC)
da Região Militar de Angola;
Em 3 de Agosto de 1970, volta ao nordeste de
Moçambique, como comandante daquela companhia, que
fica baseada em Mueda;
Em Dezembro de 1970, muda o aquartelamento para a
Chicôa;
Em Fevereiro de 1971, colocado em Montepuez, sede do
Batalhão de Comandos de Moçambique (BCmds -
Montepuez) «A SORTE PROTEGE OS AUDAZES»;
Em Abril de 1971, de novo para Mueda (a fim de
participar com o Batalhão de Caçadores
Pára-Quedistas 32 (BCP32) «FAMOSA GENTE À GUIERRA
USSADA» na Operação Orfeu-II) ;
Em Junho de 1971, volta com a sua companhia, para o
Batalhão de Comandos de Moçambique (BCmds -
Montepuez) «A SORTE PROTEGE OS AUDAZES»;
Em 1 de Setembro de 1971, promovido a Major, fica
colocado em Montepuez;
Em 14 de Março de 1972, assume o comando do Batalhão
de Comandos de Moçambique (BCmds - Montepuez) «A
SORTE PROTEGE OS AUDAZES», da Região Militar de
Moçambique;
Em 14 de Outubro de 1973, cessa em Montepuez o
comando do Batalhão de Comandos
de Moçambique (BCmds
- Montepuez) «A SORTE PROTEGE OS AUDAZES», da Região
Militar de Moçambique;
Em 19 de Novembro de 1973, regressado à Metrópole,
fica colocado na 3.ª Repartição do Estado Maior do
Exército (3ªRep-EME);
Desde do início do ano de 1974, participa em
reuniões conspirativas com outros oficiais do
Exército;
Em 15 de Março de 1974, encarregue pelo Movimento
das Forças Armadas (MFA), de reunir tropas do
Regimento de Cavalaria 7 (RC7 – Ajuda, Lisboa) «QUO
TOTA VOCANT» - «REGIMENTO DO CAIS» para apoio a um
golpe militar;
Em 25 de Abril de 1974, logo pela manhã está
presente no Terreiro do Paço e depois comanda na
Penha de França, "tropas de assalto" ao quartel da
Legião Portuguesa;
Em 30 de Abril de 1974, no aeroporto de Lisboa,
recebe e escolta o chefe comunista Álvaro Cunhal;
Em 4 de Julho de 1974, passa a comandar nas
instalações do Regimento de Infantaria 1 (RI1 -
Amadora) «UBI GLORIA OMNE PERICULUM DULCE», o novo
Batalhão de Comandos (BCmds) «A SORTE PROTEGE OS
AUDAZES», às ordens do Comando Operacional do
Continente (COPCON);
Em 11 de Março de 1975, ao fim da tarde, intervém no
Quartel General (QG) da Guarda Nacional Republicana
(GNR - Largo do Carmo, Lisboa) «PELA LEI E PELA
GREI», onde uma força do Batalhão de Comandos
(BCmds) «A SORTE PROTEGE OS AUDAZES» detém oficiais
daquela corporação;
Em 1 de Maio de 1975, o Batalhão de Comandos (BCmds)
«A SORTE PROTEGE OS AUDAZES» passa a designar-se
"Regimento de Comandos" (RCmds) «A SORTE PROTEGE OS
AUDAZES»;
Em 17 de Maio de 1975, com o posto de Major, é
graduado no posto de Coronel;
Em 31 de Julho de 1975, durante a madrugada, um
movimento de sedição interna força-o a deixar o
comando do Regimento de Comandos (RCmds) «A SORTE
PROTEGE OS
AUDAZES», que reassume quatro dias
depois;
Em 26 de Agosto de 1975, comanda um destacamento que
ocupa e encerra as instalações da 5ª Divisão do
Estado Maior General das Forças Armadas (EMGFA) «QUE
QUEM QUIS SEMPRE PÔDE»;
Em 22 de Novembro de 1975, participa na movimentação
militar para contenção da extrema-esquerda castrense
e civil;
Em 25 de Novembro de 1975, ao fim da tarde comanda
uma força de comandos, que desaloja em Monsanto
grupos de militares revoltosos;
Em 26 de Novembro de 1975, de manhã comanda a força
de assalto ao revoltado Regimento de Polícia Militar
(RPM – Ajuda) «MORTE OU GLÓRIA»; antes de findar o
dia é promovido a Tenente-Coronel, mantendo a
graduação em Coronel.
Em 28 de Junho de 1978, promovido a Coronel,
mantendo-se como comandante do Regimento de Comandos
(RCmds) «A SORTE PROTEGE OS AUDAZES»;
Em 31 de Agosto de 1981, após ter sido "punido com
dez dias de detenção pelo Chefe do Estado-Maior do
Exército (CEME) «NON NOBIS» General Garcia dos
Santos", cessa o comando do Regimento de Comandos
(RCmds) «A SORTE PROTEGE OS AUDAZES» e passa à
reserva, "a seu pedido", ficando apresentado no
Quartel-General (QG) da Região Militar de Lisboa
(RML) «HIC ERGO VIVERE GLORIA EST»;
Em 31 de Janeiro de 1982, após ter recusado que lhe
fosse atribuída pelo Conselho da Revolução a "Ordem
da Liberdade", é agraciado com a 'Adaga Comando',
pela Associação de Comandos;

No ano de 1991, passa à reforma, com o posto de
Coronel;
Em 16 de Dezembro de 1993, 16Dez1993 - o Regimento
de Comandos (RCmds) «A SORTE PROTEGE OS AUDAZES» é
desactivado;
Em 13 de Julho de 1995, agraciado pelo Presidente da
República Mário Soares com "o grau de Grande-Oficial
com palma, da Ordem Militar da Torre e Espada, do
Valor, Lealdade e Mérito";
Em 17 de Abril de 2009, por proposta do
ex-Presidente da República General Ramalho Eanes e
do General Rocha Vieira, é pelo Presidente da
República Cavaco Silva promovido por distinção ao
posto de Major-General;
Em 27 de Janeiro de 2013, desde há algum tempo em
observação no Hospital Militar, morre às 06:00 em
consequência de insuficiência respiratória.
Paz à sua Alma
-----------------------------
1973, Lourenço Marques
O último "10 de
Junho", de Jaime Neves

