"Foi um homem polémico pela atitude frontal que
sempre adotou, mas teve um papel de exceção ao
serviço de Portugal e da democracia pluralista. Deve
ser recordado como um herói nacional", declarou à
agência Lusa o general Loureiro dos Santos,
companheiro de armas de Jaime Neves desde a década
de 60.
Jaime Neves morreu esta manhã pelas 06:00 no
Hospital Militar, na Estrela, em Lisboa, em
consequência de problemas respiratórios e o seu
corpo estará a partir das 16:00 na capela da
Academia Militar.
Em declarações à agência Lusa, Loureiro dos Santos
definiu o general Jaime Neves como "um grande
combatente e um guerreiro na plena aceção da
palavra".
"Jaime Neves foi um militar de coragem, temerário e
um comandante de exceção, sobretudo em combate. Teve
uma intensa atividade operacional, sobretudo nas
guerras em África, onde se destacou por ser um
comandante de exceção. Teve uma vida de combatente",
disse o antigo chefe de Estado Maior General do
Exército.
No período democrático da História do país, Loureiro
dos Santos referiu que Jaime Neves teve intervenções
importantes na revolução de 25 de Abril de 1974 e no
golpe militar de 25 de Novembro de 1975, ocasiões
"em que demonstrou todas as qualidades que motivaram
uma admiração quase generalizada".
"No 25 de Abril de 1974 teve um papel arriscado mas
importante para o derrube da ditadura [do Estado
Novo]. No 25 de Novembro de 1975 [como chefe do
regimento de comandos] foi decisivo no plano
operacional contra a deriva autoritária que ameaçava
o país", apontou Loureiro dos Santos.
