Texto:
«Morreu Jaime Neves», autor:
Ten-Cor Pilav João J. Brandão Ferreira, de 27Jan2013
Português, transmontano, militar e
amante das coisas da vida.
Conheci o Major General Jaime Neves,
mas não privei com ele. Por isso não tenho um
conhecimento sequer razoável do seu carácter e
personalidade, não podendo, assim, escrever
sobre
ele com profundidade. Estimava - o como camarada
mais antigo.
Mas sei que foi um combatente de
eleição e um bom condutor de homens.
Era um homem franco, rijo e amigo do
seu amigo.
Como militar as suas qualidades
operacionais destacavam-se relativamente aos
atributos relacionados com a actividade de
Estado-Maior. Não era um teórico nem um estudioso,
mas sim um prático e um intuitivo.
Participou no golpe de estado do 25
de Abril, como a maioria que o fez, por queixas
várias contra governos e hierarquias, algum
idealismo e muita ingenuidade à mistura. Situação
que virou pouco refletida e ponderada a que não é
estranha a falta de preparação política e
intelectual da maioria.
Sem embargo, e "a posteriori", de
muitos terem manchado a sua “folha de serviços” por
oportunismo e acções contrárias ao dever, brio e
decoro militares.
Neste último lote não está incluído o
“Comando” – especialidade que sempre honrou – Jaime
Neves que, vendo-se envolvido na espiral de loucura
que assolou o país, no Verão de 1975, se situou no
lado são, da Instituição Militar.
E, nesse âmbito, se destacou na acção
preponderante que teve como comandante do Regimento
de Comandos na contenção (mas não na derrota) das
forças político – partidárias de carácter
internacionalista e totalitário, que tinham colocado
o país à beira da guerra civil. O que restou do país
deve-lhe isso.
O que, infelizmente, não foi possível
fazer nas parcelas ultramarinas.
Só depois daquela acção - onde se
destacaram, também, algumas unidades aéreas da Força
Aérea- se conseguiu prosseguir com a retoma da
“Democracia” (a ser tentada desde 1820…), previsto
no Programa do MFA e único desiderato dos “3 Ds”
nele constante, a ter algum sucesso até hoje.
Pelo que fez o Major General Jaime
Neves ganhou jus a ter o seu nome, para sempre,
gravado na História de Portugal.
Jaime Neves foi, sobretudo, um bravo.
Um bravo militar do Exército
Português.
João J. Brandão Ferreira
TCORPilAV(Ref.)
