Manuel
Malaquias de Oliveira, Tenente
Piloto-Aviador.
Nascido em 25 de Fevereiro de 1939
na aldeia de Bonsucesso, freguesia
de Aradas, concelho de Aveiro.
Em 21 de Novembro de 1961 ingressa
na Academia Militar (AM) «DULCE ET
DECORUM EST PRO PATRIA MORI»;
Em Abril de 1966, Tenente
Piloto-Aviador oriundo da Base Aérea
n.º 2
(BA2 – Ota) «CUMPRIR ALÉM DO
DEVER», tendo sido mobilizado pelo
Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo
Maduro) «AD MAXIMUM CUM MINIMO» para
servir Portugal na Província
Ultramarina de Moçambique, foi
colocado no Aeródromo de Manobra n.º
61 (AM61 - Vila Cabral);
No domingo, dia 22 de Outubro de
1967, tripulando o
T6-G Mk.IV
n.º1739, faleceu pelas 15H30 em
consequência do seu 'Harvard' ter
sido atingido por metralha de
antiaérea dos 'frelos' e se haver
despenhado sobre o rio Luambala, nas
proximidades de Cassembe (itinerário
Maúa > Révia).
Em 10 de Fevereiro de 1968, louvado
pelo Tenente-Coronel Piloto-Aviador
António Quintino dos Santos,
Comandante do Aeródromo Base n.º 6
(AB6) «…ENTRE GENTE REMOTA…»,
publicado na Ordem de Serviço n.º
35, de 10 de Fevereiro de 1968:
«Louvo,
a título póstumo, o Oficial abaixo
mencionado, por ao longo de tempo de
permanência no Norte da Província de
Moçambique, em zonas afectadas pelo
terrorismo executou mais de meio
milhar de missões operacionais,
sendo na sua maioria, de apoio pelo
fogo durante as quais teve o seu
avião várias vezes atingido pelo
fogo inimigo.
Piloto hábil, valente, corajoso,
competente, desprezando o perigo, e
extraordinariamente combativo,
mereceu dos Comandos das Forças
Terrestres, para com as quais
demonstrou elevado espírito de
cooperação, referênciax altamente
elogiosas para a Força Aérea cujo
prestígio sempre procurou manter o
alto nível.
Pela sua notável actuação foi
louvado pelo Comando de Aeródromo
Base n.º 5 quando a sua acção
contribuiu decisivamente para
apreensão da primeira metralhadora
Ant-Aérea capturada ao inimigo na
Província de Moçambique.
Militar extremamente disciplinado e
disciplinador, íntegro, e correcto,
possuidor
em elevado grau de devoção
pela Pátria e de lidos princípios
morais, perdeu a Força Aérea um
elemento que em poucos anos de
serviço, se soube impor como exemplo
raro e extraordinário para os
camaradas e inferiores pelas suas
altas virtudes cívicas e militares e
um colaborador de alta valia para os
seus chefes.
Durante a missão em que perdeu a
vida, demonstrou mais uma vez rara
coragem, decisão, sangue frio e
serena energia debaixo de fogo
inimigo, alcandorando-se a um lugar
cimeiro só reservado a militar de
elite, que são a Honra e a Glória da
Força Aérea, o
TENENTE PILOTO AVIADOR MANUEL
MALAQUIAS DE OLIVEIRA»
Em 1968 agraciado a título póstumo
com a
Cruz de Guerra de 1ª classe.
Encontra-se inumado no cemitério
paroquial da sua freguesia de
naturalidade, tendo a autarquia
local atribuído em sua homenagem o
nome de um arruamento.
O Farol de Outubro e Novembro de
1969 foi prestada homenagem ao
tenente piloto-aviador Manuel
Malaquias de Oliveira, Cruz de
Guerra de 1.ª classe a título
póstumo, e antigo aluno do nosso
liceu.
Homenagem justa para quem soube bem
servir a Pátria, dando por ela e
vida, e honrar o liceu que o
instruíra e formara no amor aos
grandes ideais.
Natural do Bonsucesso, não o
esquecerem os seus conterrâneos que
em boa hora resolverem perpetuar-lhe
a memória, deixando para os
vindouros o exemplo do seu heroísmo
e do seu sacrifício, afixando, no
dia 12 de Outubro [1969], numa das ruas da
sua terra o nome heroico do tenente
Malaquias de Oliveira.
Houve cerimónias e a presença das
autoridades e dos familiares do
bravo aviador. Lá estavam a esposa
extremosa e a filhinha idolatrada.
Ambiente de grande interioridade e
emoção, a revelar o elevado civismo
do povo de freguesia de Aradas. E,
depois, e voz do nosso Reitor que se
elevou, para fazer o elogio do
tenente Malaquias de Oliveira.
Calaram fundo no espírito dos
presentes as palavras sentidas do
sr. Dr. Orlando de Oliveira que, e
uma dada altura afirmou: «assim
também se compreende que me
convidassem para eu, como professor
que fui de um dos seus Maiores,
estar agora aqui, com um turbilhão
de sentimentos, tristes e jubilosos,
e prestar um depoimento sobre o meu
antigo aluno cujo nome, para glória
de sua memória abençoada por Deus, e
para honra de seus familiares,
ficará para sempre a lembrar o amor
de um homem que soube amar o sua
Terra, o espírito de devoção de um
rapaz que soube ser valente,
generoso e herói, a lição de um
jovem que teve e coragem de viver a
sua juventude no âmbito da
dignidade, da alegria, do estudo e
da coragem espiritual».
Mais adiante disse o orador:
«Sentiu, entretanto, o primeiro
grande amor da sua vide e aí vai ele
alistar-se na Força Aérea para a
servir com abnegação sem limites,
com entrega de si mesmo à causa de
Pátria, em holocausto da qual
sacrificou a própria vida».
E, um pouco depois, o Reitor do
Liceu continuou: «Poderia ele
deixar-se embriagar pelas seduções
lisboetas, tanto mais cativantes
quanto maiores as qualificações dos
rapazes a eles sujeitos; poderia
pensar em não assumir tão depressa
as graves responsabilidades de chefe
de família e protelar a realização
desse sonho que seria agora o seu
segundo grande amor.

Mas não: «como jovem que desejava
ser homem, bem consciente e
determinado, resolve cumprir,
perante Deus e perante aquela a quem
escolhera para Esposa, as promessas
de rapaz brioso, as intenções
demilitar com aprumo e garbo, e vem
à sua terra, às paragens de
Verdemilho, Aradas e Bonsucesso, … e
vem à sua terra, dizíamos, para
levar consigo outra força de
juventude igual à sua, outra alma
perecida com a sua em bondade, em
dedicação, em ternura, em amor»
«Diz-nos o louvor concedido a título
póstumo por S. Ex.ª o Secretário de
Estado da Aeronáutica — continua o
Sr. Reitor — que ele executou mais
de meio milhar de missões
operacionais e nós, só de pensarmos
neste número de actos fatigantes e
de grande responsabilidade,
apercebemo-nos imediatamente do
temperamento forte e indomável do
tenente Malaquies de Oliveira que
sabia colocar, acima do cansaço e da
comodidade pessoal, a resposta
positiva ao apelo da Pátria, que ele
considerava como sagrado.
No mesmo louvor regista-se que foi
disciplinado, íntegro, leal,
correcto e possuidor em elevado grau
de devoção pela Pátria e de sólidos
princípios morais».
E o sr. Dr. Orlando de Oliveira
termina com estas palavras de
Homenagem àqueles que moldaram o
carácter do jovem herói, e de
orgulho pela altíssima obre de
formação do Liceu de Aveiro: «Nasceu
o tenente Malaquias de Oliveira numa
Família bem formada, e quem presto e
minha melhor homenagem, frequentou a
Catequese da sua Freguesia, e cujo
Pároco ficou a dever o mais prudente
conselho e o mais apropriado rumo,
ouviu e aprendeu proveitosamente os
bons ensinamentos dos seus
professores de instrução primária.
Estes, os primeiros caboucos que
eram bons mas não estavam cimentados
e coesos, dada e pouca idade do
nosso homenageado de hoje.
Foi no liceu, e no Liceu de Aveiro
que represento, que o menino imberbe
deixou de ser criança, passou por
adolescente e começou a ser adulto,
enquanto o seu carácter, a sua
lealdade, o seu espírito de devotada
correcção faziam os necessários
ajustamentos às estrutures vindas
mais de trás e adquiriam raízes e
troncos capazes de suportar flores e
frutos como os mencionados.
Permitem-me, portanto, que o Liceu
Nacional de Aveiro se sinta
orgulhoso do seu antigo aluno e de
sua acção formativa sobre os jovens
que lhe são confiados.
Foi este mesmo Liceu de Aveiro que
há dois anos aqui esteve em pranto,
a rogar e Deus pelo eterno descanso
da almo do tenente Manuel Malaquias
de Oliveira.
É este mesmo Liceu de Aveiro que
hoje eu represento com alegria na
consagração do homenageado porque o
tenente Manuel M. de Oliveira,
morrendo em glória, não morreu.
Viveu no passado perante os seus
contemporâneos; vive no presente,
entre todos nós e nos nossos
corações; viverá no futuro, para
exemplo dos homens e glória deste
Terra».
Na verdade, os heróis não morrem,
vivem para sempre na memória dos
vivos.
DA REDACÇÃO