“É nosso
dever não apagarmos da nossa memória pessoas que
foram pedras preciosas da nossa História”. É por
isso que Joaquim Romão Henriques, presidente do
Núcleo de Alcobaça da Liga dos Combatentes,
garante que o monumento inaugurado na Benedita
no passado dia 16 de Maio, é “um projecto de
deveres morais e patrióticos”.
A entrada do cemitério da freguesia foi
requalificada para acolher um projecto que
demorou alguns anos até se concretizar. Um
monumento composto por oito pedras tumulares,
uma por cada província ultramarina, onde estão
inscritos os nomes dos cinco beneditenses que
morreram em combate e onde se pode ler “A alma
do combatente para além do tempo é imortal.
Serviu a pátria com dignidade. Chamou por ele
Portugal”. A encimá-lo, um loureiro, símbolo de
glória e de esperança, como explicou o autor do
monumento, o escultor Renato Franco, também ele
natural da Benedita.
Numa cerimónia presenciada por algumas centenas
de populares, entre os quais muitos antigos
combatentes e familiares dos que nunca voltaram
à sua terra, Joaquim Romão Henriques defendeu
que urge recuperar os valores patrióticos, “que
já não são actuais, nem fazem parte da sociedade
dos dias de hoje”.
Uma crítica partilhada por Hilário Ferreira, da
direcção central da Liga dos Combatentes, que
afirmou que “um povo sem memória colectiva não
aprende com os seus erros”, acrescentando que se
esta se apagar “propicia-se a possibilidade de
aparecer um povo sem alma”.
Por isso, Hilário Ferreira referiu-se à pequena
cerimónia realizada na Benedita como “um
exercício de memória partilhada, um alicerce
para a nossa condição de cidadãos”. Lançando
duras críticas aos governantes e autarcas que
parecem ter-se esquecido da importância que os
combatentes no Ultramar tiveram para o país,
sublinhou que o monumento inaugurado “evidencia
a justiça que é devida aos combatentes”.
Em dia de aniversário de elevação da Benedita a
vila, a inauguração do monumento ao combatente
não fugiu aos habituais discursos das entidades
convidadas. Afirmando que “nunca são demais as
homenagens que podemos prestar a estes
compatriotas”, o presidente da Câmara de
Alcobaça, Paulo Inácio, prometeu manter as
portas abertas à Liga dos Combatentes. “Temos
que recuperar valores que em nome do progresso
fomos perdendo e que temos que passar às
gerações vindouras”, defendeu, apontando como
exemplos a solidariedade, a irmandade, a
rectidão.
Em representação do Governador Civil de Leira,
Jorge Sobral salientou a importância de “prestar
homenagem aos que foram os nossos maiores”,
àqueles que “deram o que de melhor tinham pelo
país, a sua própria vida”.
A inauguração do monumento seguiu-se a uma missa
celebrada em memória dos que perderam a vida nas
províncias ultramarinas. Às comemorações
associaram-se a Força Aérea, com alguns
elementos da banda e um avião a sobrevoar o
local onde se encontra o monumento, e a fanfarra
dos Bombeiros locais. A ocasião serviu ainda
para a Liga dos Combatentes homenagear alguns
dos seus associados.
Joana
Fialho
Fonte:
http://www.gazetacaldas.com/?p=1486