«...Tratando-se de uma estrutura de
índole minimalista-purista, o monumento é constituído
por um arco de secção triangular equilátera, colocado na
vertical, sendo um quarto em aço inox, interrompido a um
metro da superfície exterior por um outro de aço corten,
com acabamento natural e representando simbolicamente os
três ramos das Forças Armadas. A porção metálica em aço
inox, pelo seu brilho, representa Portugal, na estão
gravados os nomes de todos os militares que faleceram no
Ultramar do Concelho de Ovar. A interrupção significa a
perda física e humana de quem teve de partir para terras
longínquas em defesa da pátria.
O lancil do redondo é revestido por um tubo redondo de
três faces que representa a ligação cultural e de
comunicação entre os povos e país. A escultura assenta
numa calote esférica em que o centro sobe um metro em
relação à base, significando uma porção do espaço
planeta terra que os portugueses descobriram e
civilizaram, e está revestida por uma pedra calcária
amarelada com laivos de vermelho e rosa, remetendo para
os sacrifícios (veias de sangues dos militares em defesa
do país). No alinhamento do arco entre o lancil e o arco
de aço inox existe um cilindro também de aço inox para
receção de flores em atos de homenagem....»
As dezenas de ex-combatentes do
Ultramar do concelho de Ovar, cujas missões militares
decorreram, entre 1960 e 1975, em Angola, Moçambique e
Guiné-Bissau, vão reunir vontades para a construção de
um monumento que lembre os falecidos em combate e
perpectue o esforço desses jovens militares na Guerra
Colonial.
Alguns desses jovens pagaram com a
própria vida o seu esforço, pelo que são os primeiros a
ter lugar e os nomes na preocupação de um grupo de
ex-combatentes que prepara as acções, conducentes à
construção do monumento.
São muitas as localidades do país que
se orgulham de ter um monumento aos valentes filhos da
terra, que nos anos 60 e 70 combateram em nome de
Portugal. Ovar ainda não faz lembrar essa época da
História de Portugal, com um monumento evocativo.
Os veteranos não se esquecerão dos
militares portugueses que combateram no então Estado
Português da Índia, sobretudo nos territórios de Goa,
Damão e Diu, contra as forças invasoras da União
Indiana, em 1961; e em Timor, contra as forças
indonésias, em 1975.
Ovar tem sido palco de diversas
iniciativas, de âmbito Nacional, que têm reunido
centenas de ex-combatentes, sendo as maiores iniciativas
realizadas, na Escola Secundária José Macedo Fragateiro,
em 1995, que reuniu 2 700 expedicionários, e no pavilhão
dos Bombeiros Voluntários de Ovar, em 2002, que juntou
centenas de ex-combatentes.
Uma outra preocupação dos veteranos
de guerra, é a falta de apoio social e médico, sobretudo
para os antigos militares que sofrem de stresse
pós-traumático, aspirando encontrar um local de convívio
e de apoio aos antigos combatentes, nomeadamente do
concelho de Ovar.
'Dianas Negros' Cabinda MicongeSerá que, afinal, os antigos
combatentes já estão todos, ou quase, mesmo mortos? Será que
os 'nossos' (calma aí!) governantes conseguiram mesmo o que
queriam? Calar-lhes a alma?!
Quando vi/li que havia uma
petição para se erguer um ‘Monumento
aos mortos do concelho de Ovar na Guerra Colonial’,
senti uma certa perplexidade, misto de incredulidade, pela
necessidade que havia de se recorrer a tal medida para se obter
o que em tantos lugares é motivo de orgulho existir há anos ou
estar a ser construído agora.
Mas
depois de constatar que, mesmo depois de uma segunda aparição de
tal documento aqui no UTW, não chegavam a centena e meia as
adesões, com uma meia dúzia apenas de assinaturas entre a
primeira e esta, o que senti foi agora uma ENORME VERGONHA!!!
Gostam, e com razão, os antigos combatentes de referir e
defender a sua condição e a sua solidariedade, nomeadamente para
com, como alguém denominou, ‘os melhores de todos nós’, mas onde
está ela, que nem uma simples assinatura merece?
Não
se pense, não se queira, no entanto, que pretendemos, com tais
‘Monumentos’, instituir-nos apenas como uma geração ‘heróica’ ou
‘sacrificada’. Dever-se-ia mesmo, pelo contrário, ir mais longe
para que, às gerações mais novas, a guerra, e os seus mortos,
não sejam apenas umas fotografias e uma parede com inscrições lá
longe, estáticas em espaço e tempo, em Belém. Deveria haver
mesmo um obelisco em cada terra, uma lápide em cada casa, para
que se entendesse, se recordasse, se soubesse que morreram
nossos conterrâneos, nossos vizinhos, talvez nossos familiares,
compreendendo-se assim a verdadeira extensão dessa calamidade.
Mas
melhor, e simples, para dar uma mais real dimensão do drama
familiar e social que a guerra representa, acrescentar apenas
aos nomes (e Ramos?), as suas idades. Sim, porque:
-
António Joaquim António, Exército, 22 anos;
-
João Francisco João, Armada, 20 anos;
-
Luís Horácio Luís, Exército, 21 anos;
-
Manuel Eduardo Manuel, Exército, 22 anos;
-
Vítor Amadeu Vítor, Força Aérea, 23 anos;
-
. . . ,
‘fala’, ‘grita’ bem mais alto, evidenciando o ‘contra-natura’ de
tal absurdo.
E
se Ovar se apressar, pode ser que ainda seja pioneira (?) nessa
prática.
Para já, vamos subscrever a ‘Petição’ para que a ‘VERGONHA’
não subsista e não seja ainda maior.