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Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Portalegre

 

Para visualização dos conteúdos clique em cada um dos sublinhados

 

Listagem dos mortos naturais do concelho de Portalegre

 

 Alegrete-vd

 

Alegrete

 

Joaquim Manuel Raimundo Ricardo

Joaquim-Manuel-Raimundo-Ricardo-350

 

Soldado Pára-Quedista, n.º 212/58


1.ª Companhia de Caçadores Pára-Quedistas
«IRMÃOS DE MARTE»


Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21
«GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS»


Angola: Mar a 19Jun1961 (data do falecimento)

 

 

 

RCP-BCP-280Joaquim Manuel Raimundo Ricardo, Soldado Pára-Quedista, n.º 212/58, nascido no dia 3 de Fevereiro de 1-CCP-BCP21-vd1938, na freguesia de Alegrete, concelho de Portalegre, filho de Rosendo Rosado e de Maria Alice Raimundo;


Titular do brevet n.º 476;


Mobilizado pelo Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas (BCP – Tancos) «QUE NUNCA POR BCP21VENCIDOS SE CONHEÇAM» para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola integrado na 1.ª  Companhia de Caçadores Pára-Quedistas (1ªCCP) «IRMÃOS DE MARTE» do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS»;


Faleceu no dia 19 de Junho de 1961
(ocorrência).


Tinha 23 anos de idade


Paz à sua Alma
 

 

 

(ocorrência)

Com a devida vénia, elementos extraídos do blogue do

"Lírica Blogonáutica", de Francisco Matos Serra

 

«... Nessa tarde de 19 de Junho a coluna das viaturas que transportava a 1.ª Companhia de Paraquedistas a que eu e o Ricardo (Joaquim Manuel Raimundo Ricardo), pertencíamos, entrou na Vila que percorreu até ao fim da sua avenida central, depois retrocedeu e as viaturas começaram a deslocar-se paralelamente umas às outras.

Foi quando houve uma pequena paragem da coluna em que a viatura que transportava a subunidade de combate que eu comandava ficou lateral àquela em que ia o Ricardo e eu fiquei mesmo em frente dele que o incidente se deu.

O Ricardo olhou para mim de uma forma que denotava algo de muito grave, porque se apercebeu que o misto-retardador de um detonador tinha incendiado.

O Ricardo depois de ter olhado para mim com muita aflição dobrou-se sobre o porta granadas que cobriu com o seu corpo e, ato contínuo, deu-se a deflagração de todas as granadas elevando muitos metros acima da viatura como que um pequeno cogumelo atómico que desfez o corpo do meu malogrado amigo.

Um pedaço maior do seu corpo foi parar a vários metros de distância, um outro pedaço veio bater contra o meu peito e o restante do corpo do meu amigo ficou espalhado por um raio de muitos metros.

Eu fui um dos seus companheiros de armas que se empenharam a juntar o que restou do seu corpo. A viatura ficou semi-destruida e à volta dela um estendal de corpos.

Dois deles passaram a fazer parte dos milhares de mutilados graves de guerra, uma herança fatídica que coube em sorte a uma parte da juventude portuguesa do século XX, os restantes ficaram feridos com mais ou menos gravidade mas todos se salvaram.

Na viatura que transportava a minha subunidade de combate, do lado em que eu e mais quatro combatentes estávamos lateralmente com o Ricardo e a cerca de entre dois e três metros de distância do ponto da deflagração, apenas sofremos a expansão dos gases mas nenhum ficou, sequer, ferido.

Tal deveu-se ao facto de o Ricardo ter decidido, in extremes, abdicar do seu próprio corpo para nos salvar a vida. Pelo que melhor que mais ninguém constatei, o Ricardo é, quanto a mim, um herói de que a sua cidade deve orgulhar-se e guardar memória. No mínimo deveria ter o seu nome ligado a uma rua da cidade.

REQUIEM POR RICARDO

 

Na abdicação suprema do teu corpo

nos asseguraste a vida

e com tua fulminante

e austera morte

te tornaste inesquecível

e imortal.

Tua dádiva suprema

e teu exemplo

inscreveram o Infinito

em nossos corações.

Lá longe, fraterna e heróica,

tua vida se esvaíu,

mas, aqui, neste padrão,

viverás, eternamente,

nosso e presente.

 

Proferido pelo teu eternamente reconhecido amigo Matos Serra, junto ao PADRÃO DOS COMBATENTES DA TUA CIDADE DE PORTALEGRE.»

 

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