A
jornada que teve como objectivo evocar a memória de todos
aqueles que estiveram no palco de guerra
das antigas províncias ultramarinas, iniciou-se no monumento
aos combatentes. Ali teve lugar a concentração de todos
aqueles que iriam participar neste quinto convívio promovido
pela Associação dos Combatentes do Concelho de Tábua (ACCT).
Depois de evocados todos aqueles que perderam a vida na
guerra, foram depositadas flores e guardado um minuto de
silêncio em memória de todos aqueles que já faleceram.
Em
seguida o presidente da ACCT proferiu umas breves palavras,
começando por agradecer ao Município por ter aliado o
convívio às comemorações concelhias do centenário da
República.
Memória não pode ser esquecida
Justificou a realização de mais um convívio, cujo objectivo
é evocar a memória de todos aqueles que
tombaram na guerra, «o nosso concelho jamais pode
esquecê-los». António Carvalho Nunes salientou também que a
intenção é destacar «a coragem e sentimento patriótico para
quem a pátria pediu o sacrifício supremo».
«Muitos do nosso concelho verteram sangue, suor e lágrimas
em terras africanas. É por eles que estamos aqui para que a
sua memória não seja esquecida».
Referindo-se à República, Carvalho Nunes, considerou que
passados cem anos devemos questionarmo-nos se cumprimos os
ideais «dos homens da Rotunda que em 1910 abriram uma nova
página para Portugal», acrescentando ainda que «perderam-se
irremediavelmente os anos da ditadura na afirmação dos
ideais da República, mas há que reconhecer que um longo
caminho foi percorrido», disse, concluindo com um «Viva a
República!!!».
Francisco Portela deu conta que «é uma obrigação» da
autarquia dar toda a colaboração a todos aqueles que «querem
continuar a manter viva a chama destas gerações que
cumpriram o seu dever para com a pátria, dando alguns a vida
e outros ficaram com marcas para sempre».
O
autarca considerou importante a homenagem para que «actual
juventude tenha consciência de que a vida tem muitas
dificuldades e que antes deles houve gerações que combateram
pela pátria». «Faço votos para que continuem a manter viva a
chama do vosso movimento», terminou o presidente da Câmara.
Dali,
a comitiva deslocou-se até aos paços do município a fim de
participar no início das comemorações do centenário da
República.
Já na
Carapinha, os combatentes, familiares e amigos participaram
na missa, finda a qual seguiram em romagem de saudade até ao
cemitério local, onde foram depositadas duas coroas de
flores.
Homenagem para a eternidade
Como
vem sendo hábito em convívios anteriores, o executivo junta
de freguesia da Carapinha ergueu um
monumento de homenagem aos combatentes. A escolha recaiu um
largo da localidade que agora se passa a denominar de Largo
dos Combatentes do Ultramar e a ostentar mais uma placa que
faz alusão à homenagem.
Na
ocasião, António Esteves sublinhou que o executivo fez
questão de eternizar a data, «no futuro se não houver placas
ninguém se lembra que existiram combatentes, esta é uma
homenagem para a eternidade».
Carvalho Nunes, em breves palavras, agradeceu à junta de
freguesia a escolha do local e pela «memória que gravaram»,
considerando que «um povo sem memória, não tem identidade».
Restava
apenas o almoço convívio e esse decorrem na Comissão de
Melhoramentos da Carapinha (COMECA), reunindo em
confraternização centena e meia de participantes.
Na
hora das intervenções, falou primeiramente o presidente da
COMECA, que disse da sua satisfação da colectividade ter
acolhido o convívio dos combatentes de Tábua e que estariam
sempre de portas abertas quando assim o desejarem.
Seguiu-se no uso da palavra, o presidente da Associação dos
Combatentes de Arganil, que louvou a sua congénere de Tábua
pela iniciativa e enalteceu a figura do combatente, na sua
opinião, «bastante esquecida e injustiçada em termos de
dignificação».
António Esteves, disse ter sido uma honra ter recebido a
Associação de Combatentes de Tábua, a quem felicitou pela
acção que vem desenvolvendo por todas as freguesias do
concelho para divulgar a história dos que defenderam a
Pátria.
Encerrou as intervenções o presidente da Assembleia Geral da
Associação de Combatentes, Fernando Carvalho Andrade, que
após referir o centenário da República, pôs em relevo a
«bravura e heroicidade» dos combatentes na primeira guerra
mundial e depois na guerra colonial, «não aceitando que se
faça distinção entre uns e outros».
A
finalizar disse não aceitar a designação de ex-combatentes,
mas sim de combatentes, que «o têm de ser para a sua
dignificação».
Em
fim de festa, actuou a Escola de Música da Carapinha, que
agradou e recolheu fortes aplausos, tanto mais que era a sua
primeira actuação em público, tendo englobado no repertório
os parabéns ao camarada Anselmo que completava 74 anos.
Referência ainda para a oferta de 50 euros, por parte da
Junta de Freguesia de Espariz.
Autor:
Maria João Monteiro