Monumentos aos Combatentes,
Memoriais e Campas
Monumentos aos Combatentes e
Campas
(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos
combatentes)
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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sublinhado
Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Barcelos

Freguesia de Martim
Luís Pereira Cardoso

Soldado Atirador n.º 1148/63
Companhia de Caçadores
553
Batalhão de Caçadores 554
«NON NOBIS»
Angola: 14Dez1963 a
10Jul1964 (data do falecimento)
Homenagem a Luís
Pereira Cardoso: O Eco do Dever no Alto Maiombe
— In Memoriam —
LUÍS PEREIRA CARDOSO Soldado
Atirador (N.º 1148/63)
Companhia de Caçadores 553 / Batalhão de Caçadores 554
Há nomes que o tempo não tem o direito
de apagar, e o do Soldado Atirador Luís Pereira Cardoso
é um deles. Recordar a sua história não é apenas um ato
de memória familiar ou histórica; é um dever de justiça
para com um jovem que, no florir da sua juventude, deu a
pátria tudo o que tinha, num cenário de sacrifício que a
distância dos anos não consegue empalidecer.
Infância e Origens
Natural do lugar de Pomares, na
freguesia de Martim, concelho de Barcelos, Luís Pereira
Cardoso cresceu no seio de uma família honesta da
província do Minho. Filho de António da Silva Cardoso e
de Ana Rodrigues Pereira, era um jovem solteiro que,
como tantos outros da sua geração, viu o destino da sua
juventude traçado pelos caminhos do dever militar e do
sacrifício.
A
Mobilização e a Divisa "Non Nobis"
No ano de 1963, numa época em que
Portugal reclamava o esforço dos seus
filhos
mais novos, Luís foi mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 15 (RI15), sediado em Tomar. Ali se
incorporou na Companhia de Caçadores 553, subunidade
operacional do Batalhão de Caçadores 554. Sob o lema de
armas “Non Nobis” (“Não para nós, mas para a Tua
glória”), o jovem minhoto preparou-se para enfrentar o
desconhecido.
A
05 de Dezembro de 1963, na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, despediu-se da Pátria e da
família. Integrado num dos pelotões da CCac553, embarcou
no NTT Vera Cruz rumo ao Ultramar. Após nove
longos dias de navegação pelo Atlântico, o navio que
transportava o contingente fundeou ao largo de Cabinda a
14 de Dezembro. O cenário de guerra aguardava-os.
O Serviço no Subsector
de Cabinda
Sem
tempo para aclimatização, o Batalhão iniciou a sua
marcha a 16 de Dezembro de 1963 para o difícil subsector
de Cabinda, com a missão de render o BCac321. Enquanto o
comando da Companhia assentava praça na cidade de
Cabinda, os imperativos da defesa e da proteção das
populações exigiram o desdobramento de forças. Foi assim
que o Soldado Luís Cardoso foi destacado para o
aquartelamento de Zenze.
Nas margens do Alto Maiombe, rodeado
por uma floresta densa e impenetrável, sob um clima
rigoroso e fustigado pela constante ameaça de um inimigo
activo e agressivo, Luís cumpriu a sua missão com
bravura, estoicismo e sentido de camaradagem. Durante
meses, partilhou com os seus irmãos de armas o
isolamento e as agruras da guerra na selva.
O Sacrifício Supremo
No trágico dia 10 de Julho de 1964, o
aquartelamento de Zenze foi alvo de um violento ataque
inimigo. No cumprimento do seu dever, repelindo a
agressão à sua unidade, o Soldado Luís Pereira Cardoso
foi mortalmente atingido. Contava com escassos meses de
comissão no Ultramar quando a sua vida foi ceifada em
consequência de graves ferimentos sofridos em combate.
O seu corpo repousa em terra angolana,
no Cemitério de Cabinda, guardado com honras no Talhão
Militar (Fileira N.º 2, Campa N.º 13).

Imagem cedida pelo
veterano
Fernando Moreira
Epílogo
A distância e os anos não apagam a
memória daqueles que deram tudo o que tinham. Esta
biografia é um preito de sentida homenagem ao Soldado
Luís Pereira Cardoso. Ao erguer-se esta lembrança,
resgata-se do esquecimento o nome de um jovem de
Barcelos que, bem longe de casa, honrou o seu
compromisso e a sua Pátria até ao último sopro de vida.
Paz à sua alma.
