Santa Catarina homenageia filhos da terra que
morreram no Ultramar
Uma escultura que retrata um
combatente, de G3 na mão, mochila às costas, botas
militares e quico na cabeça. É este o monumento aos
ex-combatentes e veteranos de guerra inaugurado no
passado sábado em Santa Catarina. Uma obra assinada
pelo escultor beneditense Renato Franco e que
pretende preservar a memória dos que combateram, e
sobretudo dos que morreram nas colónias
ultramarinas. Uma homenagem aos 217 filhos da terra
que partiram, e sobretudo aos cinco que morreram, na
luta travada entre 1961 e 1974.
Numa cerimónia onde houve quem se
emocionasse, José Fialho, da delegação de Alcobaça
da Associação Portuguesa de Veteranos de Guerra (APVG)
defendeu que “jamais se poderão esquecer os
mortos”. Já o presidente da Junta de
Freguesia de Santa Catarina, Rui Norte Rocha,
lembrou que não foram só os combatentes que sofreram
com a Guerra do Ultramar. “Deixaram na
margem de cá mães e esposas que ultrapassaram de
forma dolorosa” aqueles anos e
“várias foram as famílias que sofreram e sofrem com
a perda”.
Avelino
Paulo, da Comissão de Veteranos de Guerra de Santa
Catarina, lembrou que as ossadas de um dos
combatentes ainda estão na Guiné-Bissau,
manifestando o desejo de trazer os restos mortais do
conterrâneo para Portugal. Um exemplo do muito que
“Portugal ainda deve àqueles que estiveram
longe”, aos que defenderam a pátria com
“uma entrega total”, que devem
“ser um exemplo enorme para as gerações
futuras”, apontou a vereadora da autarquia
caldense Maria da Conceição Pereira.
A também deputada na Assembleia da
República considerou que “a História ainda
se está a escrever” e que “ainda
estamos a uma distância muito curta para que se faça
justiça” a todos os que combateram e foram
afectados pela guerra ultramarina. Até lá, são
extremamente importantes homenagens como a que foi
feita em Santa Catarina, “uma homenagem mais
do que justa, que só peca por tardia”,
disse.
Em representação do Ministério da
Defesa Nacional, o coronel Rui Oliveira defendeu que
“um país sem memória é um país sem passado,
sem presente e certamente sem futuro”.
Ofereceu, por isso, a sua disponibilidade para
ajudar os antigos combatentes, que tantas vezes se
queixam de serem esquecidos pelo Estado.
A inauguração do monumento, marcada
para as 12h00, estava integrada num dia de convívio
e recordações que contou ainda com uma romagem ao
cemitério local, missa concelebrada pelo pároco da
freguesia, Francisco Cosme, e pelo capelão militar
Joaquim Nazaré. A Força Aérea também se juntou à
festa e o local do monumento foi sobrevoado por três
caças. Só que à hora da passagem dos aviões, pelas
12h30, o programa das festas estava já bem atrasado
e não havia praticamente ninguém para os ver passar,
sendo que entidades oficiais e antigos combatentes
estavam ainda dentro da igreja. O dia prolongou-se
após almoço no Centro Pastoral de Santa Catarina.
Joana Fialho
in:
"Gazeta
das Caldas"
Alocução do Presidente da
Junta de Freguesia de Santa Catarina, Rui Norte
Rocha

Alocução do representante
do Ministério da Defesa Nacional, Coronel Rui
Oliveira


O veterano Avelino
Paulo, da Comissão de Veteranos de Guerra de Santa
Catarina


