Mário Maciel Rocha, soldado morto
na Guiné a 27/12/70, deu nome a uma rua na
Aveleira, mercê de uma iniciativa da Associação
de Combatentes, Junta de Freguesia e Câmara
Municipal, cujo acto decorreu na manhã do
passado dia 5 de Outubro.
Imagem cedida por um Veterano:




Paulo
Pereira, vereador, e Sónia Fernandes, presidente
da Junta, usaram da palavra no descerrar da
placa colocada na confluência da rua com o nome
do soldado comando, com a estrada da Cavada,
referindo na ocasião a autarca que este
propósito já constava das intenções do anterior
Executivo, mas que só agora fora possível
concretizar.
Após
esta cerimónia, os presentes deslocaram-se até
ao domicilio do militar homenageado, algumas
centenas de metros para o interior do Lugar da
Aveleira, onde foi igualmente descerrada outra
placa na parede da entrada da habitação.
Manuel
Amial, em representação da associação que esteve
na base desta evocação, referiu a seguinte
alocução:
"Neste dia 5 de Outubro de 2011, dia
comemorativo da Implantação da República, e
neste ano em que se comemoram os 50 anos do
início da Guerra do Ultramar, estamos aqui
reunidos em Vilar de Mouros para homenagear um
filho desta terra que deu a vida pela defesa da
pátria portuguesa.
O
nosso amigo e camarada, soldado comando Mário
Maciel Rocha, natural de Vilar de Mouros,
nascido em 25.09.1948, mobilizado para a Guiné,
integrando a 26.ª Companhia de Comandos, perdeu
a vida em combate no dia 27.12.1970 na Guerra do
Ultramar.
Mário Maciel Rocha, integrou uma tropa de elite,
os Comandos, garboso na sua boina vermelha e
ciente da sua missão, imbuída do verso latino da
Eneida de Virgílio, donde os comandos retiraram
o seu lema: "Audaces Fortuna Juvat", que
significa "A Sorte Protege os Audazes".
Certamente muitas vezes entoou o seu
característico grito de guerra "Mama Sumé" que
em português significa "Aqui Estamos, Prontos
para o Sacrifício", indiferente ao seu destino
cuja sorte o não protegeu.
Relembro algumas normas do seu Código de Conduta
como COMANDO para podermos avaliar a sua postura
e a sua prática:
"O
COMANDO ama devotadamente a sua PÁTRIA, estando
sempre pronto a fazer por ela todos os
sacrifícios;
Pratica a camaradagem e procura assegurar a
solidariedade moral entre todos os seus irmãos
de armas;
Ama
as suas responsabilidades;
O
carácter, a lealdade, a fidelidade, a obediência
e a determinação são virtudes inalienáveis;
O
COMANDO não foge ao perigo, não evita as
situações que possam acarretar-lhe incómodos.
Incumbido de uma missão, põe no cumprimento dela
todas as suas possibilidades de actuação, todas
as suas forças físicas, intelectuais e morais".
Esta postura e esta prática, generosa e
patriótica, foram o exemplo que nos legou o
soldado comando Mário Maciel Rocha!
Foi
certamente um dos nossos melhores combatentes,
dando tudo o que de melhor tinha pela Pátria - a
sua própria vida!
Por
isso é bem merecedor da nossa eterna gratidão e
de ser apontado como um exemplo de coragem, de
determinação e de patriotismo aos jovens de hoje
de quem esperamos esforço e empenhamento no
futuro do País, no momento difícil que vivemos
da nossa história.
Merecedor também do nosso profundo respeito por
ter sido um valoroso combatente de uma força de
elite do nosso Exército.
E
merecedor desta justa evocação e homenagem que a
Comissão dos Combatentes, a Câmara Municipal e a
Junta de Freguesia de Vilar de Mouros, aqui
estão a levar a efeito, na presença da
comunidade, de convidados e de velhos camaradas
de armas.
Que
a placa aqui descerrada na casa onde nasceu e a
toponímia dada a um Caminho com o seu nome,
fiquem para sempre a lembrar a sua memória, o
seu gesto heróico na defesa de Portugal e o seu
exemplo de dever cumprido, pago com a sua
própria vida.
Que
nós e os nossos vindouros sejamos merecedores de
tão grande exemplo e de tão grande sacrifício!
Que
Deus guarde a sua Alma!".
Mário
Maciel Rocha, morreu na Guerra Colonial aos 22
anos. Era casado e tinha um filho. Foi um dos
oito militares do concelho falecidos durante
esses treze anos de conflito armado em que a
juventude portuguesa foi obrigada a participar.
Cinco
eram de Vila Praia de Âncora, um de Arga de
Cima, outro de Moledo e este agora recordado, de
Vilar de Mouros.
Todos
foram já objecto de homenagem por parte da
Associação de Combatentes.