Monumentos aos Combatentes, Memoriais e
Campas
Monumentos aos Combatentes
e Campas
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
Para
visualização dos conteúdos clique em
cada um dos sublinhados
Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Cuba
Monumento aos
Combatentes da Guerra do Ultramar
colaborador do
portal UTW
Localização: Jardim dos
Combatentes
Inaugurado no dia
20 de Dezembro de1997
COMISSÃO
DOS EX-COMBATENTES DE CUBA E RESIDENTES
No passado dia 20 de Dezembro [1997],
por iniciativa de uma comissão de ex-combatentes de
Cuba e residentes teve lugar a inauguração de um
monumento no Jardim dos Combatentes daquela Vila
Alentejana.
Presentes à cerimónia o 2.º Comandante da Região
Militar Sul, Comandante do Regimento de Infantaria
de Beja e mais de uma centena de ex-combatentes
Cubenses.
A cerimónia religiosa evocativa dos falecidos em
campanha, cujos nomes se encontram gravados no
monumento, foi presidida pelo Major Capelão Teixeira
da Escola Prática de Infantaria de Mafra.
A guarda de honra e fanfarra era composta por
efectivos do Regimento de Infantaria n.º 3. Nesse
mesmo dia teve lugar o 15.º almoço de
confraternização dos ex-combatentes de Cuba.
--------------------------------
Nunca
tinha ido a Cuba. Ali me levou um convite para a
15.º confraternização dos ex-combatentes do concelho
de Cuba e residentes (comissão organizadora: João
Grego, Joaquim Manzaca, Francisco Vasco, Adriano
Costa, José Abundância, Joaquim Carvalho e Cipriano
Salgueiro).
De Évora a Cuba, o verdadeiro Alentejo das planuras,
dos grandes espaços, horizonte aberto ao limite, na
terra, na alma, nos sonhos...
E ali encontrei, no monumento singelo, mas bem
expressivo, em homenagem aos filhos do concelho que
lutaram em terras de Além-Mar, nos nomes dos seus
mortos em campanha, gravados para a memória do
futuro, ali encontrei de novo Portugal.
Ali
estava o pais verdadeiro, na comunhão de ideias
quanto ao evento, entre as entidades oficiais,
presidente da Câmara, pároco, cubenses e ex-
combatentes e no convívio que encheu o dia e os
corações de todos.
É rara a cidade ou vila que não tem o sou monumento
ou avenida em honra dos Combatentes da Grande
Guerra, como rara é a cidade ou vila com referência
aos Combatentes da Guerra do Ultramar.
Em ambas tombaram milhares de soldados portugueses,
mais em França em dois anos que no Ultramar em 13.
Mas todos eram portugueses, todos morreram pela
mesma bandeira.
O sangue quo correu em ambas as guerras é o mesmo,
da cor da valentia, abnegação e generosidade do
soldado português.
Não interessa agora se há guerras boas ou más,
justas ou injustas.
Quem veste
uma farda, pega numa arma e serve à sombra da nossa
bandeira, merece de imediato o nosso apreço e
respeito - e se deixou lá o seu sangue ou tombou
para sempre, merece o reconhecimento de toda a nação
e a perpetuação da memória do seu nome e exemplo,
para as gerações futuras.
No primeiro caso, da Grande Guerra, foram os
políticos, os autarcas, os grandes da terra a
exigir, em discursos inflamados do patriotismo, o
nome da rua, o monumento na praça principal.
No segundo caso, como agora em Cuba, são os próprios
combatentes a quererem honrar os seus conterrâneos e
os seus mortos - e é do seu esforço e do seu bolso
que o conseguem.
Por isso e pelos sinais dos tempos, prezo mais
qualquer dos meus soldados que a maior parte dos
polacos da nossa praça. E é junto deles, nos seus
convívios, na sua forma de ser, que me sinto mais
próximo de mim mesmo.
Humildes, sóbrios, calados, guardam em si os valores
das verdades de sempre.
Já dizia Moniz Barreto, na carta a El-Rei de
Portugal sobre a situação do país e seus remédios em
1893: “Naturalmente são leais. Não é preciso
intrigar para os conduzir. A dissimulação, a
mentira, a calúnia, que são a lei da concorrência
activa e o suplício das almas nobres lançadas no
tremendal da vida, nos quartéis tornam-se inúteis e
até danosas. O homem de guerra tem a veracidade do
forte. E do forte tem também a fidelidade”.
Os convívios que todas as
semanas se realizem, por esse país fora, são a prova
real e verdadeira da dádiva e sacrifício duma
geração que soube responder presente e da amizade
que lá uniu para sempre homens verdadeiros.
Não me consta que os cobardes e desertores lá
apareçam ou que tenham convívios como estes.
Aqui, em Cuba, a pedra consagrou os mortos do
concelho para a eternidade e memória dos vindouros -
não de uma companhia, de um batalhão, mas dos
cubenses e residentes - passo a citar as palavras de
João Grego, o grande entusiasta dos convívios e da
construção do monumento: “Todos aqueles homens que
um dia, envergando uma farda militar, representaram
Portugal fora do continente".
Em Lisboa, junto à Torre de Belém, lá está um
monumento aos combatentes do Ultramar - mas não tem
o valor deste, de Cuba.
Está vazio, carente do significado e sentimento, à
espera duma consciência que lhe dê alma, valor,
respeito e sentido, com a memória de todos os que
tombaram por Portugal.
Senhores governantes, ministros, generais, autarcas,
políticos em geral, podem Ir e Stalinegrado,
Washington, Normandia, Monte Cassino, ver como as
naçõess respeitam os seus mortos, honram os seus
heróis.
Mas não precisam ir tão longe.
Venham a Cuba, Alentejo. Falem
com João Grego e com a sua comissão. Desçam do vosso
pedestal, calem discursos vazios de pretenso
patriotismo, com as usuais dificuldades
incontornáveis e promessas para as calendas gregas.
Sigam o exemplo de Cuba e cumpram a história.
De graça, sem dispêndio para a Fazenda nacional.
--------------------------------
Localização do
Jardim dos Combatentes e do Monumento
O Município de Cuba vai reabilitar
o Jardim dos Combatentes onde está erigido Monumento
aos Combatentes do Ultramar -
notícia publicada em "Rádio Pax"
