Monumentos aos Combatentes,
Memoriais e Campas
Monumentos aos Combatentes e
Campas
(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos
combatentes)
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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visualização dos conteúdos clique em
cada um dos
sublinhados que se seguem
Listagem dos mortos naturais do concelho
de
Elvas
Freguesia de Assunção
António
Fróis Ribeiro
Elementos
extraídos do facebook do sítio do
veterano
Isidro Moreira
Esteves
António
Fróis Ribeiro, 2.º Sargento
Pára-Quedista, n.º 100/EP, titular do
brevet n.º 208, nascido no dia 24 de
Abril de 1935, na freguesia de Assunção,
concelho de Elvas, distrito de
Portalegre.
Incorporado
no Exército no dia 7 de Abril de 1953,
no Regimento de Lanceiros n.º 1, foi
transferido para o Batalhão de Caçadores
Pára-Quedistas em Outubro de 1956.

Em 28 de Fevereiro de 1957, termina o
Curso de Pára-quedismo (1.º Curso) e
ingressa na Força Aérea.
Promovido
a Segundo-Sargento Pára-Quedista em
Dezembro de 1958.
Mobilizado para servir Portugal na
Província Ultramarina de Angola, onde
chega, por via aérea, em Abril de 1961,
e é integrado no Batalhão de Caçadores
Pára-Quedistas 21 (BCP21), como
comandante do 4.º Pelotão da 2.ª
Companhia de Caçadores Pára-Quedistas
(2ªCCP).

Faleceu, no dia 28 de Fevereiro de 1962,
pelas 15H00, na região Úcua - junto à
Pedra Verde, nas imediações da base
táctica das Nossa Tropas, em serviço de
campanha.
Tinha 26 anos de idade.
Está inumado no cemitério de Elvas
Paz à sua Alma
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Na altura da morte, Fróis Ribeiro
comandava o 4.º Pelotão da 2.ª CCP do
Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas n.º
21. Não porque fosse o sargento mais
antigo, mas por ser, entre tantos
combatentes valorosos, o melhor.
O destino não quiz oferecer-lhe um
cenário à altura do seu temperamento.
Para quem sonhava comandar um assalto
que resolvesse um combate difícil,
aquela explosão solitária foi uma
traição.
Mas a bravura com que enfrentou a morte
dá-nos a dimensão do seu carácter.
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O
acontecimento:
Angola, 28 de Fevereiro de 1962
O dia amanhece tranquilamente, após uma
noite de chuva furiosa.
A 2.ª Companhia de Caçadores
Pára-quedistas, sob o comando do capitão
Almendra, acerca-se do local escolhido
para instalar a base operacional
temporária.
Os pára-quedistas, encharcados até aos
ossos e extenuados pelas sete horas
ininterruptas de marcha desde a Pedra
Verde, têm um único desejo: atingir a
malfadada base e dormir, dormir, dormir.
O capitão, porém, não quer saber de
desgraças. Reúne os comandantes de
pelotão, marca missões precisas a cada
um. Ao 4.º pelotão, na circunstância
comandada pelo sargento Fróis Ribeiro,
sai a taluda:
- Ribeiro - diz-lhe o comandante de
companhia -, você fica encarregado da
segurança da base com duas secções e
dispensa a 3.ª para reforçar o 1.º
pelotão.
É a oportunidade de secar a roupa e
descansar os ossos. Mas o Ribeiro não se
conforma:
- Meu capatão, deixe-me antes ir com a
secção de reforço. Ficar aqui a olhar
para as moscas, não é para o mau feitio.
O capitão conhece-lhe o feitio, deixa o
ir.
As horas correm lentas sob o catar
brutal. Em redor, a própria natureza
parece sufocada num silêncio maciço. Mas
de súbito, pelas 16,30 h, uma explosão
relativamente próxima sobressalta os
presentes. Os olhares cruzam-se,
inquietos, em busca de uma explicação.
Põe-se o radio no ar, o operador
esforça-se por obter contacto com os
pelotões. Decorrem dez minutos enormes.
Por fim, vindos do local da explosão,
surgem dois pára-quedistas, a correr!
- Enfermeiro, depressa! O sargento
Ribeiro está ferido.
O enfermeiro pega na bolsa de primeiros
socorros, lança-se a correr atrás dos
camaradas. Quando chega junto do
sargento, não consegue evitar um arrepio
de horror: a perna esquerda está
praticamente seccionada junto à virilha.
Os estragos são de tal natureza, que a
totalidade dos pensos individuais do
pelotão, não chegam para tamponar a
ferida.
- Como é que isto aconteceu? - quer
saber o enfermeiro.
- Foi uma granada de mão - informam-no.
O ferido é transportado à base
temporária numa maca improvisada. Chega
deitado do costas, mãos cruzadas sob a
nuca, o rosto sereno como se nada
tivesse acontecido. O capitão Almendra
aproxima-se:
- Então com vai isso, Ribeiro?
- Porreiro, meu capitão. Não há
problemas.
Através do rádio, pedem evacuação por
helicóptero. Ainda que as esperanças de
sobrevivência sejam muito ténues, toda a
gente sabe que se há ali alguém capaz de
lutar contra a morte, ese alguém é o
sargento Ribeiro. Um intenso nervosismo
apodera-se dos pára-quedistas que vêem o
dia fechar-se. Da sua maca, o ferido
pede para falar ao comandante da
companhia. Ao aproximar-se dele, o
capitão é surpreendido nela profunda
devastação revelada no semblante.
- Meu capitão: promete dizer-me a
verdade? - a voz é fraca, mas firme.
- Prometo, claro
- Sabe... eu não acredito nestes gajos .
Diga-me lá se estou em condições de
enfrentar as miúdas em Luanda?
O capitão procede a uma breve inspecção.
Depois esforçando-se por que a emoção
não lhe transpareça na voz:
- Por ai, tudo em forma
- Palavra de honra?
- Palavra de honra!
O sargento encontra forças para sorrir:
- Logo me havia de acontecer isto nas
vésperas do carnaval...
O tempo joga contra ele. E a face cada
vez mais cavada vai ficando cor de
cinza. O Ribeiro compreende que chegou a
sua hora:
- Meu capitão: trate-me bem dos putos do
meu pelotão. São uns tipos porreiros.
O capitão desconversa:
- Quem vai tratar deles é você. Deixe-se
disso.
Ouve-se um zumbido ao longe. É o héli da
evacuação.
- Aí está ele, Ribeiro - diz-lhe o
capitão.
O sargento reúne todas as energias para
a frase derradeira:
- E vou eu morrer, sem nunca ter entrado
num combate a sério.
MIRA VAZ

