Numa cerimónia em que a chuva não
permitiu acabar em beleza, a freguesia de S.
Bartolomeu do Mar engalanou-se para homenagear os
seus ex-Combatentes e, em especial, os dois mortos
em combate, José Vaz Saleiro de Lima e Gastão Vaz
Saleiro Lima. Da Homenagem para além da Missa em
sufrágio dos ex-Combatentes falecidos, constou a
inauguração de um Memorial, em granito, do artista
Américo Abreu, das Marinhas, na Praça 25 de Abril, a
norte da Junta e a abertura de uma exposição
fotográfica sobre os ex-Combatentes, na sede da
Junta. Para além dos presidentes da Câmara, da Junta
e da Assembleia de Freguesia de Mar, marcaram
presença o Major Nogueira Pinto, em representação do
Comandante da Escola
Prática dos Serviços da Póvoa de Varzim, Coronel
João Paulo Vareta presidente da Liga dos Combatentes
de Braga e em representação do Tenente-General
Joaquim Chito Rodrigues, presidente da Liga dos
Combatentes, o representante do Comandante da GNR
de Esposende, Adjunto do Comandante do Porto de
Viana do Castelo, Major Celestino Costa, da
Companhia 1542, os Núcleos de ex-Combatentes de
Viana, representado pelo Coronel José Lima,
Tenente-Coronel José Martins e Secretário Manuel
Meira Silva e de Braga pelos Tenentes-Coronéis João
Mendonça e Adelino Oliveira Martins e Manuel
Oliveira e os padres Cândido Gaio e Jaime Cepa.

No uso da palavra, o presidente da
Câmara felicitou a organização desta iniciativa e
deixou o compromisso de que o concelho irá, em
breve, homenagear os seus ex-Combatentes porque
“todos estes jovens que atravessaram o atlântico e
partiram porque amavam a pátria são um exemplo para
todos”. E lembrou que “a maior arma que o povo tem
hoje é o voto” razão pela qual não se devem deixar
levar pelos defensores da abstenção, pois “se
queremos políticos melhores devemos usar essa arma e
dar o nosso contributo ao país”. No final recordou
que “o país ainda não fez justiça aos ex-Combatentes”.
Fernando
Cepa, da organização, referiu na passagem dos 50
anos do início da guerra colonial que “a emoção
desta homenagem é um grito de revolta por não ter
acontecido mais cedo” e lembrou que vivendo num país
que “tem propensão para tornar pequeno, aquilo que é
nobre e grande, estamos aqui para transformar uma
pequena e singela cerimónia num acto de elevada
grandeza”. E deixou a promessa de tudo fazer para
trazer para a terra natal os restos mortais dos
falecidos José e Gastão Lima.
Em representação do Batalhão de
Artilharia do falecido José Lima, Alfredo Fonseca,
agradeceu esta “honrosa e merecida homenagem” pois
“tarde é o que nunca se faz”. E lembrou o
companheiro morto em combate: “um homem de carácter
bem formado, humilde e honesto”. Criticou os
governantes que “não têm consciência do que
passamos” salientando que esta “é a melhor medalha
para quem trabalhou”.
O Coronel João Paulo Vareta referiu
que esta cerimónia “toca-nos muito fundo e nunca é
tarde para lembrar quem por lá ficou”. E concluiu:
“mal vai o povo que não reconhece os seus mortos;
esta iniciativa é a prova de que os ex-Combatentes
são respeitados pelo povo”.
O presidente da Junta de Mar, Manuel
Santos, salientou que “a nossa pequena freguesia foi
muito generosa porque daqui saíram cerca de meia
centena de soldados” por isso, “estamos agradecidos
a esta exemplar geração que tão bem nos
representou”.
Intensamente emocionado, com as
lágrimas a correrem pela cara, estava o Major
Celestino Costa, com 92 anos, o então Capitão da
Companhia 1542 do José Lima ao lembrar os momentos
duros do época.
Em termos de balanço Joaquim Teixeira
Ribeiro, da Companhia 1542, disse que estas
cerimónias foram “do que melhor vi até hoje porque
foi um dia rico e fabuloso, devido à excelente
organização e à família do José Lima. Vamos de
coração cheio pois foi um marco na nossa história”.
A exposição na sede da Junta estará
aberta no horário de expediente e no próximo
domingo, de tarde




A Junta de Freguesia de Mar, o Centro
Social da Juventude de Mar e os ex-Combatentes do
Ultramar, vão realizar na freguesia de S. Bartolomeu
do Mar, Esposende, no próximo dia 1 de Maio, uma
justa homenagem aos soldados daquela freguesia que
durante cerca de década e meia, combateram
bravamente em terras de África, na defesa da Pátria.
Esta louvável iniciativa que está a
merecer uma extraordinária adesão e que tem vindo a
ser programada com bastante rigor, tem o apoio de
diversas entidades locais e nacionais, destacando-se
o empenho do senhor Tenente-General Joaquim Chito
Rodrigues, Presidente da Liga dos Combatentes, e do
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Esposende.
A ideia, amadurecida há vários anos, remonta ao ano
de 2004, quando os ex-Combatentes se reuniram pela
primeira vez, no dia 11 de Junho, no Centro Social
da Juventude de Mar. Seguiram-se outras reuniões,
sem que, se avançasse definitivamente com um
programa e um espaço temporal para a homenagem,
embora todos concordassem com a justeza da
iniciativa.
Entretanto, na passagem dos 50 anos do início da
guerra colonial, a Junta de Freguesia de Mar e o
Centro Social da Juventude de Mar, decidiram
finalmente avançar com um projecto, ao qual se
associaram os ex-Combatentes.
Assim, em reuniões de 15 de Janeiro, 5 de Março e 2
de Abril do corrente ano, realizadas na Junta de
Freguesia de Mar, ficou definitivamente assente o
programa a executar.
Da homenagem consta a inauguração de um Memorial, do
escultor Américo Abreu, das Marinhas, a erigir na
Praça 25 de Abril, no lado sul da Junta de
Freguesia, evocativo da efeméride, construído
exclusivamente em granito, por ser uma matéria-prima
nobre e característica da nossa região. A figura do
soldado destaca-se em alto-relevo, e personifica a
bravura duma geração de jovens que se bateram até à
exaustão, de armas na mão, na defesa da Pátria. As
legendas são em baixo relevo para resistirem às
intempéries. O cravo, simboliza a ligação dos
ex-Combatentes à libertação e democratização de
Portugal.
Pese embora, o facto de homenagem ser abrangente a
todos os militares do Ultramar, decidiu-se, e bem,
particularizar no Memorial, uma mensagem em que
fosse lembrada a memória de dois soldados, filhos
desta terra, que tombaram em combate e cujos corpos
ficaram em África, o José Vaz Saleiro Lima, morto em
Moçambique e o Gastão Vaz Saleiro Lima, em Angola.
O programa da homenagem é o seguinte:
10.00 h - Recepção às Autoridades Civis, Militares e
Religiosas na sede da Junta de Freguesia de Mar.
10.15 h - Inauguração da Exposição sobre os
ex-Combatentes na sede da Junta de Freguesia de Mar.
10.45 h - Missa, sufragando a memória dos
ex-Combatentes falecidos, com bênção e inauguração
do Memorial.
11.45 h - Sessão de Encerramento.
Muitas entidades já manifestaram interesse em
participar nesta homenagem, estando já confirmada a
presença do senhor Presidente da Câmara Municipal de
Esposende, e, provavelmente, o Contra-Almirante e
Vigário-Geral Castrense e Capelão-Chefe das Forças
Armadas, Rev. Padre Manuel Amorim, irá presidir à
celebração da Eucaristia.
Através da Liga dos Combatentes, está garantida a
presença de uma força militar, cedida pela Escola
Prática da Póvoa de Varzim, que irá prestar as
honras militares nas cerimónias.