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Monumentos aos Combatentes, Memoriais e
Campas
Monumentos aos Combatentes
e Campas
Em
memória daqueles que tombaram em defesa
de
Portugal na Guerra do Ultramar
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cada um dos
sublinhados
Listagem dos mortos naturais do concelho
da
Lourinhã

São Bartolomeu dos
Galegos
Aldeia
do Paço
Paço é uma aldeia
situada na freguesia de São Bartolomeu
dos Galegos, concelho da Lourinhã
Memorial aos Combatentes
Inaugurado do dia 29
de Agosto de 2021






Em
Paço, Lourinhã: Inauguração e Bênção de
Memorial aos Combatentes
Ago 29, 2021 |
Homilias, Notícias
Fonte:
https://ordinariato.castrense.pt/10502-2/
Este Domingo, dia 29 de
agosto, vai ficar gravado na história de
Paço, Freguesia de S. Bartolomeu dos
Galegos e Moledo, Concelho da Lourinhã,
devido à inauguração e bênção de um
Memorial aos Combatentes.
O cerimonial contemplou dois momentos
fundamentais: às 15h30, Missa Campal
presidida pelo Bispo das Forças Armadas
e Forças de Segurança, concelebrada pelo
Pároco, Pe. José Luís, e pelo Pe. Carlos
Caetano – Diretor Nacional de Missão e
Migrações em Paris. Estiveram presentes
o Presidente da Câmara Municipal da
Lourinhã; a Presidente da União de
Freguesias de S. Bartolomeu dos Galegos
e Moledo; o Chefe da Casa Militar da
Presidência da República, Vice-Almirante
Sousa Pereira; o Vice-presidente da Liga
dos Combatentes, Major-General Fernando
Aguda; o Comandante da Escola de
Sargentos do Exército, Coronel José
Simões; os Núcleos da Liga dos
Combatentes de Peniche e de Torres
Vedras (Lourinhã), entre outras
entidades civis, militares e policiais e
às 16h45 bênção do Memorial, pelo Bispo
das Forças Armadas e Forças de
Segurança, e inauguração; seguindo-se
diversas intervenções e Homenagem aos
mortos em combate.
Transcrevemos a Homilia proferida por D.
Rui Valério na Celebração Eucarística.
1.
“Só onde existe
memória, também existe esperança. É o
sentido do passado que sustenta a
construção do futuro” escrevia S. João
Paulo II. E hoje, acolhemos da história
a magnitude dos atos heroicos dos
Combatentes de todos os tempos; daqueles
que a partir das frentes de batalha
suportam o presente e projetam o futuro.
Celebramos acontecimentos, mas
igualmente atos e sobretudo pessoas. Em
homenagem, em reconhecimento, mas também
em oração e louvor. Por isso, estão
connosco todos os Combatentes que, no
Campo da Honra, derramaram a sua vida
por um mundo livre e mais justo;
ofereceram a sua vida por todos nós. A
nossa atitude é certamente de
reconhecimento, mas também de admiração,
porque todo o Combatente sabe que em
todas as batalhas há vencedores e
vencidos e o simples facto de as
enfrentar, na incerteza do desfecho, já
revela carácter e grandeza; ao mesmo
tempo está consciente de que o
conquistado triunfo nunca lhe pertence,
torna-se património da Pátria e da
humanidade. Ele apenas é um humilde
servo que alcança o êxito que a todos
pertence.
2.
Perante os atos
heroicos dos nossos Combatentes e das
vicissitudes humanas vividas nas
Batalhas em que foram chamados a lutar e
até a derramar o próprio sangue,
confesso que me sinto sem palavras à
altura dos seus feitos e desse
acontecimento incontornável no devir da
nossa história. Por isso, me socorro da
Palavra Divina que escutámos e que,
providencialmente, constitui uma
preciosa gramática do que celebramos.
3.
“Agora escuta,
Israel, as leis e os preceitos que vos
dou a conhecer e ponde-os em prática,
para que vivais e entreis na posse da
terra que vos dá o Senhor,” (Dt 4, 1)
ouvíamos na primeira leitura (cf Dt
4,1-2.6-8). Escutar e pôr em prática
quanto determina o Senhor Deus é o
caminho e a condição para entrar na
posse daquela terra, daquela terra que
se afigura Pátria. Por isso, tanto o seu
nascimento como a sua consolidação
dependem largamente da capacidade dos
seus filhos atuarem na escrita senda de
uma vontade superior, no cumprimento do
desígnio divino, que brota e situa-se
além dos desígnios humanos. Na
disponibilidade a essa grandeza reside o
timbre do verdadeiro Combatente que
protagoniza um sentido de obediência
além do contingente e do efémero, pois é
praticada na escuta e no cumprimento do
plano de Deus para a humanidade. Os
nossos Combatentes seja de ontem, sejam
os de hoje não agiram e não agem
determinados por desígnios feitos
segundo as medidas humanas, nem se
orientaram por critérios plasmados por
nenhuma mente criada, mas atuaram e
atuam obedientes à voz de Deus que
ecoava nas suas consciências e seus
corações e era a palavra divina que os
impelia a avançar e a dar a vida por
Portugal. Sim, a raiz da grandeza de uma
ação é dada pela medida da palavra que a
inspira, e o heroísmo de um gesto
praticado é determinado pela excelência
dos propósitos que o motiva. Nos
Combatentes essa Palavra, esses
propósitos estão bem plasmados e
identificados: á a Palavra de Deus que
suscita capacidade de ser trigo dado à
terra para morrer e dar a vida pelos
irmãos e por Portugal.
4.
Irmãos, duas
anotações: a primeira é que nos sentimos
interpelados a acolher a Palavra de Deus
e a nos deixarmos por ela guiar; a
segunda é que devemos pedir para que
hoje não falte quem, em Portugal,
estabeleça a medida das suas ações
segundo as coordenadas de Deus e não de
acordo com interesses humanos mesquinhos
e muitas vezes obscuros. A Pátria, como
maravilhosamente exprime Miguel Torga é
“gostar de uma nesga de terra debruada
sobre o mar”, forma para sublinhar o
carater transcendente e superior da
Pátria. Entra-se nessa nesga de terra
como dom, como oferta que, no entanto, é
preciso fecundar com os gestos, as obras
e os combatentes fecundaram a Pátria com
o seu próprio sangue. «Toda a boa dádiva
e todo o dom perfeito vêm do alto,
descem do Pai das luzes» (Tg 1, 17)
O Evangelho (cf
Mc 7, 1-8. 14-15. 21-23) contém um
maravilhoso hino ao essencial e é uma
ode à coerência. Atualizando-o para os
nossos dias: que virtude existe em
cultivar a boa aparência, usar roupas de
marca, fazer operações plásticas para
promover a imagem, quando a sua vida, do
ponto de vista ético, não passa de…
lixo? Qual o sentido de possuir um
guarda fatos digno de modelo de
passarela quando os seus atos são
corrupção, mentira, engano? E não tem
sido essa a desgraça deste país? Nos
últimos anos, os desvarios mais
hediondos não têm sido praticados
precisamente por quem investe no charme,
na boa aparência, e que, no entanto, não
hesita em praticar atos que põem em
xeque tantos cidadãos e contribuem para
a desgraça da Nação?
Os Combatentes,
quase por inerência do destino, têm
sempre um aspeto nada atraente: desde o
rosto que mostra as marcas do
sofrimento, de noites não dormidas, de
banhos não tomados, e até de fome
subida… possuem, contudo, uma
interioridade brilhante, são homens e
mulheres de alma pura, de consciência
embebida em sentido do dever, de coração
disponível a dar a vida pelos
portugueses e pela Pátria. Coerentes,
honestos, verdadeiros, autênticos,
dispostos ao sacrifício pelos outros,
nunca desistem do bem, do bem mais para
os outros, do que para eles próprios.
Eles são farol para hoje.
5.
Os muitos que derramaram sobre o seu
sangue nos campos da honra, bem como
aqueles que aí verteram a própria vida
foram heroicos combatentes, que travaram
sempre, e contemporaneamente, Batalhas
em três frentes distintas.
a.
A mais evidente
das frentes é, sem dúvida, a bélica.
Defrontando a incerteza do desfecho de
batalhas atrozes, o Combatente iluminado
pelo vigor do patriotismo e pela força
da fé não hesita em se identificar com o
pequeno David face ao gigante Golias, e
certamente procura configurar-se a
Cristo que não vacila face à crueldade
da Cruz do Calvário. E é exatamente
nessa disponibilidade ao sacrifício que
se torna evidente a corajosa bravura e a
abnegada entrega destes homens, cuja
glória reside no facto de, ancorados à
rocha segura que é Deus, permanecem
firmes na dureza da peleja, quando, por
vezes, se torna claro um desenlace
porventura letal.
b.
Mas todo o
Combatente, no desenrolar da tormentosa
batalha, não se confronta apenas com um
inimigo externo. Todos têm de enfrentar
os seus demónios interiores. Dois deles,
constituem as outras duas frentes com
que se veem obrigados a confrontar-se: a
descrença e o desespero.
Descrer de si
próprios, do seu valor, de toda a
possibilidade que o futuro possa
oferecer reduz o ser humano a um mero
objeto sem dignidade. Quantas batalhas
perdemos na vida por não acreditarmos em
nós mesmos, nas nossas capacidades, no
nosso valor enquanto pessoas? Porém,
todos os nossos heroicos combatentes
desde São Mamede, de Ourique, de
Aljubarrota, a La Lys, passando por
África, Ásia e América, até aos atuais
campos da República Centro Africana, do
Afeganistão, ou do Iraque, ou Mali, ou
no Golfo da Guiné sempre acreditaram e
acreditam até ao fim e esse é um dos
mais honrosos aspetos da sua glória.
Decerto, para todos chega o momento de
se perguntar “onde está Deus
misericordioso e bondoso, esse Deus
protetor, esse guardião do ser humano?”
Muitas das respostas terão sucumbido com
eles no terror do campo de batalha. Mas
o facto de lá terem permanecido e
permanecerem até ao limite das suas
forças diz bastante acerca da sua crença
em si próprios e da sua fé em Deus que,
apesar das aparências, jamais abandona o
ser humano quando este tropeça junto ao
abismo da morte.
c.
À terceira
frente de batalha — a do desespero —,
responderam e respondem os nossos
soldados com a seiva da esperança, que
corria e corre nas veias da alma com a
mesma prontidão com que pronunciam o seu
“sim” à chamada para o serviço. E se a
esperança projeta o ser humano no futuro
e o faz confiar num amanhã possível e
radioso, como foi e ainda é possível,
perante as adversidades, manter essa
chama acesa?
É possível
graças à convicção de que a existência
de cada um faz parte de um todo bem
maior do que o indivíduo e de que o
sacrifício da própria vida pode fazer
sentido, quando há futuro para os outros
em relação a quem se foi solidário até à
dádiva da própria vida. E os valorosos
soldados sabem que Portugal há-de
permanecer para lá da sua morte e,
eventualmente, graças à sua morte. A
esperança, toda a esperança tem um
carater transcendente porque orientada
sempre para um futuro absoluto, não
efémero ou transitório, que só em Deus
encontra abrigo definitivo. Para lá da
morte, ainda cintila uma pequena luz que
aos olhos da fé é dado apenas entrever.
E é assim que,
parafraseando Camões, os nossos
Combatentes “se foram da lei da morte
libertando e podem ser recordados pelos
seus concidadãos por causa da valentia,
da coragem, da confiança e da esperança
que a sua persistência tão
eloquentemente manifestou.”
Que Nossa Senhora e São Nuno de Santa
Maria nos protejam, acompanhem e
conduzam pelas estradas do serviço e da
santidade. Ámen!




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