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Memoriais

Eduardo Henriques Pereira, Marinheiro Fuzileiro Especial

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"

 

Barata da Silva, Vice-Comodoro

 

HONRA E GLÓRIA

Informação do óbito e fotos cedidas pelo seu

Informação e imagens cedidas por Filipe Abreu,
e apoio de um colaborador do portal UTW

 

 

 

Eduardo-Henriques-Pereira-350

 

Eduardo Henriques Pereira

"O Ericeira"

 

Marinheiro Fuzileiro Especial

 

Guiné: Fev1964 a Fev1966

 

Como 1.º Grumete Fuzileiro Especial n.º 9549 no

 

Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 9

 

Angola: Ago1967 a 21Mai1969 (data do falecimento)

 

Como Marinheiro Fuzileiro Especial no

 

Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 2

 

Cruz de Guerra de 2.ª classe

 

2 Medalhas de Mérito Militar de 4.ª classe

 

2 Medalhas de Cobre do ISN de Coragem, Abnegação e Humanidade

 

Prémio Governador da Guiné

 

 Medalhas-Eduardo-Henriques-Pereira

 

 

Eduardo Henriques Pereira, Marinheiro Fuzileiro Especial, nascido no dia 6 de Julho de 1945, na freguesia da Ericeira, concelho de Mafra, filho de Susete da Conceição Henriques e de José dos Santos Pereira;

 

Em 22 de Fevereiro de 1964, voluntário para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné, embarcou em Lisboa no A5206 'São Gabriel' rumo a Bissau, integrado no Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 00-Guin-az9, como 1.º grumete fuzileiro especial nº 9549.

 

Em 12 de Maio de 1965, agraciado com o Prémio Governador da Guiné “por ter socorrido dois camaradas que caíram a um rio infestado de crocodilos”;


Em 09 de Fevereiro de 1966, concluída a missão do seu Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 9, com ele regressou à Metrópole a bordo da F331 'Diogo Gomes':


- «Quanto ao 'Ericeira' (Eduardo Henriques Pereira), devo corrigir que não se tratava de Medalha-de-merito-militar-380uma figura franzina, mas sim de um rapaz bem desenvolto e de cabeça erguida, que nada temia, mesmo em combate. E porque era meu ordenança, algumas vezes me zanguei porque ao soarem os tiros do inimigo, o 'Ericeira' esquecia tudo e corria disparando a espingarda, e por vezes a metralhadora, na direcção dos guerrilheiros. O 'Ericeira' era uma força da natureza!


Sobre o 'Ericeira' já escrevi um artigo nos Anais do Clube Militar Naval (correspondente a Janeiro - Março de 1971), o que felizmente contribuiu para que numa rua principal, a Ericeira homenageie o Eduardo Henriques Pereira com o seu nome.


Era um valente! O 'Ericeira' é um Herói, por quem hoje me penitencio pois, por ser meu ordenança, apenas contribuí para que [12 de Junho de 1964] lhe fosse atribuída a
Medalha de Mérito Militar
[de 4ª classe].» (nota)


- «Em 1964, durante uma operação realizada na Guiné, o marinheiro Pereira colaborou voluntária e activamente em socorro de feridos da sua unidade, muito próximo de posições ocupadas pelo adversário. Posteriormente, desenvolveu intensa actividade na travessia de um rio, por três destacamentos, atravessando-o a nado vezes sem conta, acompanhando pessoal e material, contribuindo decisivamente para o êxito da operação»; (excerto do louvor concedido pelo comandante do Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 9 (DFE9).

Em 09 de Agosto de 1967, entretanto promovido a marinheiro e novamente voluntário para servir Portugal no Ultramar, embarcou em Lisboa no NTT 'Uíge' com destino à Província Ultramarina de Angola, integrado no Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 2 (DFE2):


- «Em Fevereiro de 1968, por ocasião de um incêndio ocorrido em barracas do bairro nativo daIlha do Cabo, em Luanda, correndo sérios riscos e sofrendo queimaduras e um ferimento, salvou uma criança que se encontrava dentro de uma das barracas que ardiam, só vindo retirar-se do local depois de instado por vários camaradas»; (excerto do louvor concedido em 1968 pelo comandante das Instalações Navais da Ilha do Cabo).


Medalha-de-merito-militar-380- «Em Agosto de 1968, numa acção no Leste de Angola, na impossibilidade de se conseguir a vinda de um helicóptero para a evacuação de um camarada gravemente ferido, transportou-o sozinho num bote até ao Chilombo durante cerca de duas horas de trajecto no rio, indiferente ao perigo de possíveis emboscadas desencadeadas ao CG-2classe-azlongo do percurso»; (excerto do louvor concedido em 1968 pelo comandante do DFE2).


Em consequência dos dois louvores acima descritos, naquele mesmo ano de 1968 veio a ser agraciado com a segunda
Medalha de Mérito Militar de 4ª classe.
 

 Em 2 de Agosto de 1966 – Agraciado com a Cruz de Guerra de 2.ª classe o jagoz FZE Eduardo Henriques Pereira “por ter socorido em combate um sargento do ISN-380Exército que ficara ferido transportando-o às costas, e por sua vez ferido com dois tiros numa perna e outro nas costas”; além da Cruz de Guerra, detém uma Medalha de Cobre do Instituto de Socorros a Náufragospor ter salvo uma criança ISN-380indígena que no cais de Bissau caiu ao rio" e outra condecoraçãopor um gesto de solidariedade para com os seus colegas feridos ter dado por várias vezes sangue”.
 

Na madrugada de 4ªfeira 21 de Maio de 1969, durante a Operação Saveiro lançada pelos fuzileiros sobre o Chambié - subsector do Chilombo no saliente oriental angolano do Cazombo - «foi gravemente ferido pelo camarada que se encontrava de sentinela a um posto montado provisoriamente, vindo a falecer passadas poucas horas».

 

Tinha 24 anos de idade;

Encontra-se inumado no talhão militar do cemitério paroquial da sua naturalidade.

 

Paz à sua Alma.


No dia 6 de Junho de 1969 a Junta de Freguesia decidiu atribuir no cemitério paroquial um talhão para os restos mortais do Eduardo Henriques Pereira.

 

 

(nota) excertos de testemunho do seu primeiro comandante, CMG FZE ref Horácio Gata Metelo de Nápoles.

 

 

 Eduardo-Henriques-Pereira-1950-1

 

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Fonte:

Revista «O Desembarque», ed. 24, pág.54

 

 

Homenagem dos veteranos do Destacamento de Fuzileiros Navais n.º 9, realizada na Ericeira em 09 de Abril de 2016

 


 

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Fonte:

Revista da Armada, edição n.º 5, Fev1972

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado que se segue:

 

«O "ERICEIRA"»

 

«Eduardo Henriques Pereira nasceu na Ericeira, em 1946 [1945]. Entre pescadores cresceu e se fez homem. Não admira pois que, na altura de defender a Pátria, se alistasse como voluntário na Armada. Naturalmente expansivo e muito conversador, cedo se tornou figura popular. O «Ericeira», como o alcunharam, não era só de palavras. Quando passava à acção era uma autêntica força da natureza. Embora de figura franzina, era de têmpera rija, destemido»

 

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«Ericeira um Fuzileiro que o inimigo jamais conseguiria matar»

 

Clique na imagem para ampliação:

Texto do veterano Mário Manso

 

«...o Ericeira seria imortal, no confronto das hostilidades da complicada guerra de guerrilha, em que estava envolvido...»

 

 

Quanto ao Eduardo - o Ericeira — a quem presto a minha homenagem também tenho episódios bem engraçados.


Um deles aqui vai: estava eu de cabo da guarda nas INIC - Instalações Navais da Ilha do Cabo na minha segunda comissão 66/68 quando sou abordado pelo Sargento da Guarda, que me pergunta se conhecia o Ericeira! Respondi-lhe que sim, desde a Escola, de Fuz. Então o Manso tem que vir comigo porque ele está detido na esquadra em São Paulo. Detido! Exclamei eu, pouco convencido que fosse verdade. Ok vamos lá então ter buscar o Ericeira. Chegados à porta da esquadra, logo o plantão me abordou tentando pôr-me ao corrente do que se passava, sem lhe dar grande atenção ou troco, perguntei se podia entrar! Sim faça favor... Logo que ambos ficamos visíveis ele avança para mim, muito senhor da situação porque tinha a esquadra em estado de sítio e bem em sentido. Disse ao Sargento para tomar conta do ocorrido que eu ia levar o Camarada para o jipe. E é lá que lhe pergunto o que se tinha passado! Com toda a calma que a nossa Camaradagem e amizade nos impunha, lá me foi dizendo o que se tinha passado. Concluída a narração que o levou aquela situação logo me perguntou se acreditava, respondi-lhe que não tinha razões para o contrário. O Sargento depois de feita a sua missão, dirigimo-nos à base, onde estava destacado de licença, dado que o seu Destacamento, estava no leste. As razões deste episódio, bem engraçadas para o tempo, e que mostrava bem a fibra deste Camarada, que aparentemente franzino, que era! Quando se justificava, era um caso sério em toda ou qualquer vertente. Ficarão pois, para uma outra ocasião! É que mais outras duas, que fizeram clamor nestas suas férias em Luanda, não deixam de ser também interessantes, e há sua medida. Tenho conhecimento de outras relevantes posturas enquanto na Guiné, como operacional do Destacamento nº 9 de Fuzileiros Especiais, contadas por vários Camaradas entre os quais, pelo seu Comandante. Posso concluir dizendo: que o Ericeira seria imortal, no confronto das hostilidades da complicada guerra de guerrilha, em que estava envolvido. Em sua HOMENAGEM deixo aqui por agora, este simples texto.

 

Mário Manso

 

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A campa no cemitério da Ericeira:

 

 

 

 

 

 Eduardo-Henriques-Pereira-920

 

 

 

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