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Memoriais

Monumentos aos Combatentes, Memoriais e Campas

 

 

Monumentos aos Combatentes e Campas

(Listagens e imagens de memoriais e campas de antigos combatentes)

 

Em memória daqueles que tombaram em defesa de Portugal na Guerra do Ultramar

 

Montalegre

 

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Listagem dos mortos naturais do concelho de Montalegre

 

 
Salto
 

"JAMAIS SERÃO ESQUECIDOS"

 

Elementos cedidas por um Veterano

15Ago1992

(rev. "Combatente" ed. 248, Out1992)

No transacto dia 15 de Agosto, na localidade de Salto, do concelho de Montalegre (Vila Real), integrada nas seculares festividades locais, teve lugar uma singela homenagem aos COMBATENTES mortos na Guerra do Ultramar.

A iniciativa partiu de alguns elementos da Comissão de Festas e outros (cerca de 400) que, tendo cumprido o sagrado Dever de defender a PÁTRIA (História de Portugal) em África, no período de 61 a 74, não quiseram deixar passar esta oportunidade sem manifestar o seu respeito por aqueles que tombaram em combate e também a sua amizade e solidariedade para com os feridos.

O brilhantismo da cerimónia só foi possível graças aos apoios de S. Ex.ª o Gen. ADÉRITO FIGUEIRA, comandante da RMN, que disponibilizou a Fanfarra da Região Militar Norte para que a cerimónia decorresse com o prestígio e a dignidade que merecem a Instituição Militar e os NOSSOS MORTOS.

A iniciativa associou-se também a Autarquia local nas pessoas do Vereador do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal e do Presidente da Junta de Freguesia, a quem coube o descerramento da lápide comemorativa.

As cerimónias constaram de:

  • Desfile da Fanfarra da RMNorte até ao Monumento a D. Nuno Álvares Pereira, em cujo átrio foi içada a BANDEIRA NACIONAL perante numerosa assistência, na sua maioria ex-Combatentes.

 

  • Desfile e cortejo até ao cemitério, onde se procedeu à colocação de coroas de flores na campa dos Militares falecidos em Combate, tendo sido efectuados, na ocasião, os respectivos toques e Honras Militares. Durante o minuto de silêncio foi por todos escutada, com emoção, a «PRECE».

 

  • Seguiu-se o cortejo até ao local do descerramento da lápide, onde foram entregues aos feridos em combate a medalha da LIGA DOS COMBATENTES gravadas com os seguintes dizeres: «EX-COMBATENTES DO ULTRAMAR AMIZADE SOLIDARIEDADE». Na ocasião, o Capitão Lino de Carvalho proferiu a seguinte alocução:

 

Permitam-me que em primeiro lugar dirija os meus agradecimentos ao Exmo. General Comandante da RMN, que, desde que tomou conhecimento desta nossa iniciativa, a aprovou e apoiou sem reservas de espécie alguma.

Ao Sr. Presidente da Junta, os nossos agradecimentos por toda a colaboração e o nosso «BEM HAJA» pelas obras de dignificação da campa onde repousam os filhos desta terra caídos em combate. — Bem haja, Sr. Presidente!

Não poderia continuar sem dirigir uma palavra de apreço e reconhecimento aos elementos que constituem a Fanfarra da RMN, que generosa e voluntariamente acederam ao nosso pedido de participarem nesta cerimónia, sacrificando o seu fim-de-semana e até compromissos pessoais. Obrigados, Rapazes!

SALTO, localidade do Baixo-Barroso, temperada pelos frios e chuvas do Gerês e da Cabreira, tem sido berço de gente anónima que desde sempre se habituou a viver em comunidade e a sacrificar os interesses individuais em proveito dos interesses de todos.

Refiro-me, concretamente, aos lendários Reboredos que seguiram D. Nuno Álvares Pereira para ao seu lado combaterem no dia 15 de Agosto de 1385 em Aljubarrota; refiro-me ainda àqueles que, organizados em guerrilhas, deram luta ao invasor francês nos célebres combates das pontes do Saltadoiro e da Misarela.

E nós? Quem somos nós?!...

— Nós, Sr. Presidente, Minhas Senhoras e Meus Senhores, NÓS somos os filhos desta Terra que no passado recente fomos mobilizados para, em nome de PORTUGAL, combater em África.

— Nós somos uma geração marcada pela guerra e pela emigração, cujas vicissitudes e sequelas hão-de, necessariamente, passar para os nossos filhos...

Todavia queremos, hoje e aqui, marcar bem o quanto para nós significa a honra, a gratidão e a solidariedade.

Queremos que na nossa Terra se continuem a cultivar os valores tradicionais a que os nossos Maiores nos habitaram.

Queremos continuar a acompanhar o desenvolvimento e o progresso sem abdicar da nossa identidade de PORTUGUESES, Trasmontanos e Barrosões.

Minhas Senhoras e Meus Senhores, Caros Conterrâneos.

É tempo de enxugar as lágrimas e de ultrapassar os traumas.

É tempo de exigir justiça aos nosso mortos e ao nosso esforço.

As nossas obras, o nosso esforço, as obras e o esforço dos Portugueses em África não terá, porventura, aproveitado aos Povos irmãos africanos, porque os nossos inimigos foram também os seus inimigos; aqueles que com a capa de salvadores lançarem esses Povos na mais profunda miséria; a sua inépcia e cobiça fizeram resplandecer e mostrar ao mundo a grandeza da epopeia dos Portugueses.

Mas, para que possamos exigir justiça, temos de ser nós os primeiros a dar o exemplo, e o melhor exemplo que podemos dar é fazer justiça aos nossos mortos, perpetuando a sua memória e, num gesto de solidariedade, acarinhar os nossos feridos, aqueles que, dentre nós, mais sofreram com a violência da guerra.

É esta, em suma, a razão que aqui nos trouxe em romagem de saudade junto da campa daqueles que tombaram no campo da Honra e do Dever, porque consideramos que a maior das injustiças é lançar no esquecimento a memória daqueles que sacrificaram a vida em obediência ao sagrado dever de defender a Pátria; aquela Pátria que todos, no dia do nosso Juramento de Bandeira, jurámos defender.

E, Pátria são ELES, Pátria somos nós e este chão sagrado onde repousam os nossos AVÓS.

A terminar, e após o descerramento da lápide, foi efectuada a «CHAMADA DOS MORTOS» à qual todos responderam «PRESENTES».

15 de Agosto de 1992

 

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