São Bento
inaugura Monumento de Homenagem a Antigos Combatentes
Inaugurado
no dia 30 de Maio de 2021
São Bento
esteve em festa, no passado dia 30, com a inauguração de
um monumento de homenagem aos antigos combatentes e às
famílias da freguesia. Dezenas de sambentonenses
reuniram-se no Largo Luís de Camões, na sede de
freguesia, para assistirem e, nalguns casos, tomarem
parte ativa na cerimónia, no decorrer da qual foi
inaugurado um monumento que não só pretende homenagear
os 91 filhos da terra que combateram na 1.ª Guerra
Mundial (em França e Moçambique) e na Guerra Colonial
(em Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde, Timor e
Macau) mas evoca também todas as famílias da freguesia,
segundo explicou o presidente da Junta no seu discurso.
Tiago Rei referiu que «faz parte das celebrações
reconhecer e homenagear todos aqueles que por
cumprimento do dever pátrio partiram da nossa freguesia
para terras longínquas e todos os familiares e amigos
que viveram angustiados até ao dia do regresso» mas que
«esta homenagem não deve ser entendida no sentido
estrito como uma homenagem aos ex-combatentes da
freguesia mas sim na abrangência de todas e de todos os
sambentoneses que em determinado momento das suas vidas
rumaram para países distantes à procura de novos
desafios e crentes numa vontade inequívoca de alcançar
uma melhoria significativa nas condições das suas vidas
e com o seu esforço e dedicação elevaram o bom nome da
sua terra natal».
No 88.º aniversário da fundação da freguesia quis,
então, a Junta «perpetuar para a história» não só os
antigos combatentes mas também todos os sambentonenses
«que aqui ou em qualquer canto do mundo, com a sua
dedicação, saber e abnegação elevam o bom nome da nossa
terra». «Este monumento não está concebido só para o
passado mas também estará para o presente e para o
futuro», sublinhou o autarca, referindo que as pessoas
da terra que se distingam «com feitos em prol da
comunidade» também terão ali espaço para o devido
reconhecimento público, mediante critérios ainda a
estabelecer.
Numa cerimónia marcada por gestos simbólicos, Tiago Rei
aproveitou o momento para elucidar os presentes sobre o
significado dos elementos que compõem o monumento
idealizado por Telmo Conceição, major do Exército na
reforma, e levado a cabo por vários artistas do concelho
e da região. «O monumento foi realizado no sentido de
elevar alguns sentimentos vividos por aqueles que
partiram cheios de ansiedade em direção aos cinco cantos
do mundo, simbolizados aqui por cinco globos de pedra
que se encontram no topo dos obeliscos. O mentor do
monumento procurou que o mesmo não transmitisse uma
envolvência bélica pesada, que poderia deturpar o real
significado do mesmo», disse o autarca. As palavras
estão inscritas em chapa remetendo para «o espólio
abandonado no campo de batalha» mas que aqui, em vez do
negro evocativo «da destruição e do luto», ganham
tonalidades mais alegres e que vão mudando ao longo do
dia de acordo com a incidência do sol em cada momento.
Já no obelisco central está colocada uma coroa de
loureiro, o prémio aos vencedores. «No topo temos um
globo terrestre a ser ladeado por duas mão de pedra,
expressivas, suportadas por dois braços fortes com o
sangue a correr-lhes nas veias», representando, por um
lado, «a ideia de que se houver vontade podemos ter o
mundo nas nossas mãos» e, por outro, a força dos
combatentes no campo de batalha. As correntes lembram
ainda a união de toda a comunidade.
Cerimónia repleta de simbolismo
A cerimónia teve início com a apresentação da força às
entidades militares, nomeadamente, o tenente-general,
Chito Rodrigues, o presidente da Liga dos Combatentes, e
o coronel, Marques Avelar, o comandante do Regimento de
Artilharia 4, de Leiria. Seguiu-se um dos momentos de
maior carga simbólica: a chamada dos 91 sambentonenses
que combateram por Portugal. Os que ainda estão entre
nós disseram “presente” de viva voz enquanto que pelos
já falecidos foi toda a assembleia a fazê-lo e dessa
forma se transmitiu a ideia que apesar da sua ausência
física serão sempre recordados.
O pároco da freguesia, padre Luís Ferreira, procedeu à
bênção do monumento e deu-se o descerramento da placa
inaugural por parte dos presidentes da Liga dos
Combatentes, da Junta e da Câmara. Dois escuteiros
sambentonenses que integram o Agrupamento de Escuteiros
370, de Porto de Mós, levaram uma coroa de flores que
seria depositada por Chito Rodrigues e Tiago Rei junto
ao monumento. O ponto seguinte foi a homenagem militar
aos combatentes tombados em defesa da pátria e em
operações de apoio à paz. Concluída essa etapa do
programa, houve os discursos da praxe, foram entregues
lembranças aos artistas e entidades que mais de perto
estiveram envolvidos na edificação do monumento, bem
como aos antigos combatentes. O dia terminou com a
celebração de missa em honra dos combatentes já
falecidos, na qual além dos fiéis locais, participaram
as autoridades civis e militares presentes.
“Este monumento é um marco de cidadania”
«É uma honra, um dever e um privilégio para a Liga dos
Combatentes estar associada a este momento festivo. Um
marco de cidadania que brotou espontâneo e que
acrescenta mais história à determinação quotidiana e
secular dos seus sambentonenses», disse o presidente da
Liga dos Combatentes, tenente-general Chito Rodrigues no
seu discurso na cerimónia de inauguração do monumento de
homenagem aos antigos combatentes promovido pela Junta
de Freguesia de São Bento. «O monumento alçado por afeto
e engenho, a pulso e determinação, verte a alma dos
sambentonenses e enriquece a história desta freguesia
como uma homenagem aos valorosos combatentes de São
Bento. Esta solenidade constitui um preito que de forma
indelével assinala o dia que antecede o 88.º aniversário
da criação da freguesia de São Bento, terra da pedra
preta ou terra da calçada e que, como ex-líbris desta
região, corre mundo e tão adequadamente constitui parte
deste monumento», acrescentou, num discurso pautado por
várias referências à realidade local da freguesia.
Já o presidente da Câmara começou por «felicitar a Junta
pela iniciativa», considerando que «homenagear os seus
antigos combatentes é também recuperar a memória daquilo
que eles foram importantes para o nosso país e, mais em
particular, para o nosso concelho». «Esta referência que
é feita aqui, hoje, e que fica em memorial, diz bem da
importância que a Junta de Freguesia está a dar aos seus
habitantes, àqueles que combateram mas, também, uma
homenagem em vida para a resiliência que tiveram, não
apenas ao serviço da pátria mas também por tudo aquilo
que representa esta freguesia para o concelho de Porto
de Mós», realçou.
No final, O Portomosense falou com Telmo Conceição, que
foi convidado pela Junta para auxiliar na organização da
homenagem e que idealizou o monumento. «Não só o
idealizei em termos de conceito, como falei com os
artistas que o executaram e as empresas fornecedoras e
estive sempre em contacto com a Liga dos Combatentes.
Enfim, procurei estar à altura do desafio e da confiança
em mim depositados», disse. Tudo aquilo em que estive
envolvido de forma direta está documentado por
orçamentos, faturas e outros elementos, como não poderia
deixar de ser», acrescentou. Telmo Conceição mostrou-se
«muito satisfeito com a forma como tudo decorreu e pelos
elogios ouvidos» relativamente ao monumento que os
membros da direção da Liga dos Combatentes presentes,
classificaram como «de top a nível nacional».
«Procurámos com parcos recursos fazer uma obra que
deixasse os filhos da terra, orgulhosos, e penso que
isso foi conseguido. Por outro lado, houve muito
profissionalismo e um encontro de boas vontades.
Artistas e empresas deram o seu melhor e isso
refletiu-se, inclusive, nos valores cobrados, que foram
os mínimos que lhes foi possível fazer, porque tiveram
em atenção o fim a que se destina o monumento»,
concluiu.




