Soldado Atirador, n.º 01789368
Companhia de
Caçadores 2405
Batalhão de Caçadores 2852
«TUDO VALE A PENA»
Guiné: 30Jul1968 a
13Jul1969 (data do falecimento)
Memória e Legado
do Soldado Atirador Lucídio Rasinhas
Biografia e
Origens
Lucídio Rasinhas, Soldado Atirador
com o número de identificação militar 01789368,
nasceu no lugar de Fazamões, na freguesia de Paus,
concelho de Resende. Filho de Joaquim Rasinhas e de
Maria Luísa, era ainda um jovem solteiro quando o
destino e o dever militar o chamaram. Deixou o calor
da família, a tranquilidade das suas origens e a sua
terra natal em prol do serviço à Pátria, partindo
com a coragem e a determinação que caracterizam os
bravos.
Mobilização e Embarque para o
Ultramar
Mobilizado
pelo Regimento de Infantaria 2 (RI2 - Abrantes) —
unidade cujo lema rege «EXCELENTE E VALOROSO»
—, foi
designado
para servir Portugal na Província Ultramarina da
Guiné.
O Soldado Rasinhas foi integrado num dos pelotões de
combate da Companhia de Caçadores 2405 (CCac2405),
subunidade do Batalhão de Caçadores 2852 (BCac2852),
este batizado com a célebre divisa «TUDO VALE A
PENA».
No dia 24 de Julho de 1968, na Gare Marítima da
Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa, viu a costa
portuguesa afastar-se ao embarcar a bordo do Navio
de Transporte de Tropas (NTT) ‘Uíge’, levando na
bagagem a dignidade daqueles que honram a palavra
dada.
Percurso Operacional na Guiné
1. Chegada e Treino Adaptativo
Após
seis dias de navegação, desembarcou no estuário do
Geba, em Bissau, a 30 de Julho de 1968. Sob o
comando do Capitão Miliciano de Infantaria José
Miguel Novais Jerónimo, a Companhia seguiu de
imediato para Mansoa. Ali, realizou o rigoroso
treino operacional de adaptação ao terreno até 21 de
Agosto de 1968, sob a orientação do Batalhão de
Caçadores 1912.
2. Missões de Intervenção e
Primeiros Destacamentos
Terminada
a instrução, a sua unidade assumiu funções de
intervenção e reserva do sector, substituindo a
Companhia de Caçadores 1686.
O Soldado Lucídio Rasinhas
participou ativamente em diversas e exigentes
operações militares e ações com pelotões deslocados
nas
seguintes
regiões:
• Changalana
• Cubonge
• Inquida
• Bissá e Bindoro
• Cã Quebo-Morés (esta última em reforço temporário
ao Batalhão de Caçadores 2851)
3. Nova Colocação e
Responsabilidade de Subsector
Em
meados de Dezembro de 1968, a CCac2405 foi rendida
em Mansoa pela Companhia de Caçadores 1685. A
unidade marchou para Fá Mandinga e, logo depois,
para Galomaro.
Na
véspera de Natal, a 24 de Dezembro de 1968, a sua
companhia assumiu a responsabilidade do subsector de
Galomaro, rendendo a Companhia de Caçadores 2436.
Ao longo dos meses seguintes,
enfrentando os perigos invisíveis da guerra, o
Soldado Rasinhas e os seus camaradas mantiveram
posições sucessivas e destacamentos em:
• Pate Gibel
• Campata
• Cansamba
• Samba Juli, Dulombi e Samba Cumbera (a partir de
meados de Março de 1969)
O Último Sacrifício
No cumprimento do seu dever e no
decurso das exigentes missões em território
guineense — concretamente no inóspito subsector de
Galomaro —, o Soldado Lucídio Rasinhas perdeu a vida
em combate. no domingo, dia 13 de Julho de 1969,
enquanto o 3.º Pelotão da CCac2405 se encontrava em
operações na picada entre Dulombi e Paiai Lémenei, a
coluna
foi alvo de emboscada do PAIGC que lançou sobre as
Nossas Tropas um RPG2. Um dos estilhaços
atingiu mortalmente o crânio do inditoso militar,
que faleceu no local.

RPG2 (Lançador de
granadas soviético)
Derramou, assim, o seu sangue
jovem longe de casa, gravando para sempre o seu nome
no livro de honra dos heróis da nossa História.
Homenagem e Repouso Final
"Tudo vale a pena se a alma não é pequena."
O eco do lema do Batalhão de Caçadores 2852 ressoa
hoje não como uma mera frase militar, mas como o
testemunho real do sacrifício supremo deste jovem de
Resende. Palmilhou o chão ingrato da Guiné com
honra, defendendo os seus camaradas até ao fim.
Os seus restos mortais foram transladados para
Portugal. O Soldado Lucídio Rasinhas encontra-se
hoje inumado no cemitério paroquial da sua freguesia
de naturalidade, em Paus, Resende. A terra que o
berçou é a mesma que hoje guarda ciosamente os seus
restos mortais como um tesouro de bravura.
Ao Soldado Rasinhas, a nossa eterna vénia, o nosso
respeito e a garantia de que o tempo jamais apagará
o seu sacrifício.
Paz à sua Alma. Obrigado pelo teu serviço, Soldado.
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Para visualização
do conteúdo clique no sublinhado que se segue:
Testemunho presencial do Alferes Miliciano de
Infantaria Rui Manuel da Silva Felício,
publicado em 07Fev2026, sobre o falecimento do
Soldado Lucídio Rasinhas, em 13Jul1969
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A Homenagem de São
Pedro de Paus
No dia 29 de Abril de 2023, a
Junta de Freguesia de São Pedro de Paus prestou uma
justa e sentida homenagem aos seus eternos
conterrâneos que partiram em defesa da Pátria
durante a Guerra do Ultramar.
Esta homenagem materializa-se numa
lápide que perpetua o sacrifício, a coragem e a
memória de três jovens da nossa terra que derramaram
o seu sangue além-fronteiras, entre os quais se
recorda com profundo respeito a história e a bravura
de Lucídio Rasinhas, bem como de
Amadeu de Oliveira
e de
Joaquim Rodrigues.

Glória Eterna
Prestamos a nossa mais profunda
vénia ao Soldado Amadeu de Oliveira. À sua alma, paz
eterna. À sua memória, a nossa mais respeitosa
homenagem. Presente!
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Em 29 de Abril de 2023,
homenageado pela Junta de Freguesia de São Pedro de
Paus
