de: João
Baptista, in "O
Ribatejo"
Um memorial
aos combatentes da guerra colonial naturais do concelho
de Santarém, da autoria do escultor Salter Cid, foi
inaugurado esta quarta-feira, dia 10 de junho, no jardim
da Casa de Portugal e de Camões (ex-Presídio Militar).
Garcia Correia, coronel na reforma e um dos membros do
grupo criado para a promoção da iniciativa, afirma que
Santarém é das poucas cidades do país sem qualquer
monumento evocativo destes combatentes, sublinhando que,
dos cerca de 10.000 militares que morreram durante a
guerra colonial, 49 eram oriundos das então 28
freguesias do concelho de Santarém.
Os nomes
desses combatentes vão estar inscritos no memorial, por
baixo dos brasões de cada uma das 28 freguesias (algumas
das quais desapareceram na última reforma
administrativa), e serão evocados na cerimónia agendada
para a tarde do Dia de Portugal, de Camões e das
Comunidades, adiantou.
“Durante 14
anos (de 1961 a 1974), foi mobilizado cerca de um milhão
de portugueses para a guerra colonial. Em 1974, nas três
frentes (Guiné, Angola e Moçambique), encontravam-se
150.000 homens”, disse. Durante a guerra, 10.000
militares morreram e foram feridos cerca de 30.000 (60%
dos quais com lesões ou deficiências permanentes),
frisou, acrescentando que em Portugal existem, incluindo
nos Açores e na Madeira, 190 Monumentos aos Combatentes,
e mais quatro no estrangeiro.
A ideia
foi-lhe apresentada há dois anos por um ex-combatente,
Arnaldo Vasques, e reforçada há um ano pelo presidente
das juntas de freguesia da cidade de Santarém, Carlos
Marçal, também ele ex-combatente, durante a apresentação
do programa local das comemorações do 25 de Abril.
Foi então
constituída, com o apoio da Câmara Municipal, uma
comissão ‘ad hoc’ integrando estes elementos e, ainda, o
também ex-combatente Correia Bernardo, igualmente
coronel na reforma, e o presidente do núcleo de Santarém
da Liga dos Combatentes, Carlos Pombo. Desde Abril, a
comissão tem vindo a recolher contributos para pagar o
trabalho do artista plástico, tendo reunido pouco mais
de um quarto do valor necessário, resultantes da doação
de privados. A comissão espera vir a contar com a ajuda
da Câmara Municipal, das várias juntas de freguesia do
concelho e da Liga dos Combatentes, mantendo uma conta
na Caixa Geral de Depósitos e outra no Montepio Geral e
um mealheiro na sede da Liga para quem quiser
contribuir, tendo em conta que o valor total da obra
ronda os 50.000 euros, disse. Tendo solicitado projectos
a três escultores, a escolha recaiu sobre a proposta de
Salter Cid por se apresentar “mais consentânea” com o
que era pretendido pelos promotores do monumento e por
propor um preço “substancialmente inferior”, adiantou.
“Muitos dos ex-combatentes estão vivos e, antes de
desaparecerem, é importante que se erga um monumento,
para que a memória não se apague”, disse Garcia Correia.





