Francisco Fernandes
Castro

Soldado Condutor Auto-Rodas, n.º
06191565
Companhia de
Artilharia 1598
«PELA PÁTRIA TUDO
VENCE»
Moçambique: 02Out1966 a 16Jun1967
(data do falecimento)
Biografia de
Francisco Fernandes Castro
Francisco Fernandes Castro
foi um soldado da guarnição normal do Exército
Português que combateu na Guerra do Ultramar, no
teatro de operações de Moçambique, sacrificando a
vida ao serviço da Pátria.
Juventude e
Origens
Nascido na freguesia costeira de
Afife, no concelho de Viana do Castelo,
Francisco era filho de Evaristo Afonso de Castro e
de Maria da Silva Fernandes. Cresceu no seio de uma
família minhota e, ao atingir a idade militar,
encontrava-se na condição de solteiro.
Mobilização e
Embarque
Com a intensificação do conflito nas
Províncias Ultramarinas, foi recrutado
e
classificado com o número de matrícula 06191565,
recebendo a especialidade de Soldado Condutor
Auto-Rodas.
A sua unidade mobilizadora foi o
prestigiado
Regimento
de Artilharia de Costa (RAC), aquartelado em
Oeiras, unidade que ostentava o lema camoniano
«MOSTRANDO A RUDA FORÇA QUE SE ESTIMA». Ali
concluiu a sua preparação militar antes de ser
integrado na Companhia de Artilharia 1598
(CAr1598), cujo lema era «PELA PÁTRIA TUDO
VENCE».
No
dia 07 de Setembro de 1966, Francisco
Fernandes Castro despediu-se de Portugal
Continental. Embarcou na Gare Marítima da Rocha do
Conde de Óbidos, em Lisboa, a bordo do célebre Navio
Transporte de Tropas (NTT) Niassa, integrado
num grupo de combate da sua Companhia. Após quase um
mês de navegação, o contingente desembarcou no porto
de Nacala, Moçambique, a 02 de Outubro de 1966.
Atividade
Operacional em Moçambique
A CArt 1598, comandada pelo Capitão
Miliciano Renato José F. dos Santos Marques, foi
rapidamente projetada para o interior profunda do
território:
-
Colocação e Sector:
A subunidade fixou-se em Mandimba,
ficando sob a dependência operacional do
Batalhão de Caçadores Eventuais 6 (BCaç Ev 6),
que tinha a sua sede em Nova Freixo (subsector
ENF). A sua chegada serviu para render a
Companhia de Caçadores de Quelimane (CCacQL).
-
Missões de Fronteira:
O Soldado Castro e os seus camaradas efetuaram
intensas ações de nomadização e patrulhamento ao
longo da permeável fronteira com o Malawi.
Destacaram-se as operações "Vai e Vem",
"Nordeste", "Pesquisando" e
"Atlas".
-
Logística e Apoio:
Como condutor auto, participou ativamente no
exigente esforço de colunas e escoltas militares
nas perigosas picadas de ligação a Massangulo,
Nova Freixo e Belém. Paralelamente, a unidade
assegurava a permanência do Estado junto das
populações nativas através de ações
psicossociais, educativas e de assistência
médica.
-
Grandes Operações:
Tomou ainda parte em incursões de combate de
maior envergadura, tais como as operações
"Mocas Mil" (na região de Gessemir —
Mecanhelas), "Elsa Elsa" (nas zonas de
Chipa e Congerenge) e "Grande Gala"
(junto à serra Lissiete e vales dos rios Lilase,
Luchimua e Lecurere).
Último Combate e
Legado
Foi durante o cumprimento de uma
destas rigorosas missões na sua zona de quadrícula
que a tragédia bateu à porta. Numa ação de combate
travada na região de Mandimba, no corredor
compreendido entre o rio Lilase e o rio Lucaima, o
Soldado Francisco Fernandes Castro foi gravemente
ferido pelo inimigo.
Apesar dos esforços de evacuação e da
assistência médica recebida, não resistiu à
gravidade das lesões. Faleceu no dia 16 de Junho
de 1967 no Hospital Militar 125, em Nampula.
O seu corpo regressou a Portugal e
encontra-se hoje inumado no cemitério da
freguesia de Afife, a sua terra natal, onde
repousa junto dos seus antepassados. O seu nome
permanece gravado na memória histórica da Artilharia
portuguesa e dos que com ele combateram no Ultramar.
Paz à sua Alma.
