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Monumentos aos Combatentes e Campas

Em memória daqueles que tombaram em defesa de

Portugal na Guerra do Ultramar

 

Vila Pouca de Aguiar

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado

 

Listagem dos mortos naturais do concelho de Vila Pouca de Aguiar

 

Pensalvos
Pensalvos

 

Manuel Agostinho Mendonça de Oliveira

 Manuel-Agostinho-Mendon-a-de-Oliveira-350

Soldado Atirador de Infantaria, n.º 02165373

 

Companhia de Caçadores 4510/73

«APACHES DO NORTE»

«FORÇA - UNIÃO - VONTADE»

 

Guiné: 29St1973 a 02Abr1974 (data do falecimento)

 

 

Manuel Agostinho Mendonça de Oliveira, Soldado Atirador de Infantaria, n.º 02165373, natural do lugar de Soutelo de Matos, da freguesia de Pensalvos, concelho de Vila Pouca de Aguiar, filho de António de Oliveira e de Maria da Conceição, solteiro;


RI1Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 1 (RI1 - Amadora) «UBI GLORIA OMNE PERICULUM DULCE» para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné;


CCac4150-73No dia 22 de Setembro de 1973, na Gare Marítima da Rocha do onde de Óbidos, em Lisboa, embarcou no NTT ‘Niassa’, integrado na Companhia de Caçadores 4150/73 (CCac4150/73) «APACHES DO NORTE» - «FORÇA – UNIÃO – VONTADE», rumo ao estuário do Geba, onde desembarcou no dia 29 de Setembro de 1973;


CCav3568-1A sua subunidade de infantaria, comandada pelo Capitão Mil.º de Infantaria Armando José Gago Guerreiro Figueira, iniciou no dia 4 de Outubro de 1973, no Centro Militar de Instrução, em Cumeré, a Instrução de Aperfeiçoamento Operacional (IAO), a qual terminou no dia 1 de Novembro de 1973; no dia 4 CCav3568de Novembro de 1973, seguiu para Bigene, a fim de efectuar o treino operacional e a sobreposição com a Companhia de Cavalaria 3568 (CCav3568) «OS FANTASMAS DA BOLANHA»; em 29 de Novembro de 1973, substituiu esta subunidade no reforço do Comando Operacional 3 (COP3), com vista à segurança e protecção da abertura do itinerário Binta – Guidage e actuação prioritária na contrapenetração, destacando dois pelotões para reforço da guarnição de Guidage; em princípios de Fevereiro de 1974 , foi deslocada Guidage, em reforço da guarnição local, em face do agravamento da pressão e flagelações inimigas sobre aquela área;


Faleceu no dia 2 de Abril de 1974, vitimado pela deflagração de granada-de-mão que transportava no seu aquartelamendo de Guidaje (fronteira norte-centro da Província Ultramarina da Guiné).


Inumado inicialmente na campa n.º 14 do talhão do Ministério do Exército sito no cemitério municipal do Lumiar, os seus restos mortais foram no Domingo 06Out2024 finalmente trasladados, do ossário da cripta n.º 6358 da Liga dos Combatentes sita no cemitério municipal do Alto de São João, para o cemitério paroquial da sua freguesia de naturalidade.


Paz à sua Alma

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Com a devida vénia, expomos imagens e textos do veterano Albano Costa,

extraídos do sítio do facebook - https://www.facebook.com/albanomcosta

 

Finalmente 'regressou' à sua terra natal

 

6 de Outubro de 2024:

 

Ontem, dia 6 de Outubro de 2024, finalmente foi feita a trasladação do único morto que a minha C. Caç 4150 teve (fizemos a nossa comissão na Guiné, em Bigene e Guidage), para a sua terra natal, em Soutelo de Matos, (uma povoação muito pequena em termos de habitantes) esteve até sábado de manhã, depois foi mudado para a capela mortuária de Pensalvos, para que toda a população local pudessem prestar a última homenagem.


Depois de serem realizadas todas as cerimónias religiosas (que já deveriam ter sido feitas à 50 atrás), foi em cortejo fúnebre até ao cemitério, onde foi a sepultar em jazigo de família.


Foram feitas as honras fúnebres pelos militares, como tinha direito, por ter falecido ao serviço da Nação.


Também estiveram presentes a Sr.ª Presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar e da Junta de Freguesia de Pensalvos e várias colegas da companhia que à 50 anos atrás assistimos ao infortúnio do Manuel Agostinho Mendonça Oliveira, ocorrido a 2 de Abril de 1974.


Finalmente fechei o meu ciclo militar, e também fiquei mais leve comigo próprio. Pela missão cumprida.


Transcrevo o discurso feito pelo nosso comandante [Capitão Mil.º de Infantaria Armando José Gago Guerreiro Figueira] que também fez questão de estar presente para fazer(mos) a última homenagem.


«Caros familiares e amigos do Manuel Agostinho MENDONÇA Oliveira e seus camaradas de guerra


Digníssimas autoridades presentes


Minhas Senhoras e meus Senhores


Saúdo os familiares e amigos do MENDONÇA, as autoridades locais, os elementos da nossa Companhia que disseram presente e todos os que quiseram associar-se a esta cerimónia.


Cerimónia que acontece com 50 anos de atraso e mesmo assim só possível devido ao esforço e empenho de alguns de nós e algumas entidades oficiais.


Quando era responsável pela Companhia durante a sua formação na Amadora, a minha maior preocupação foi incutir nos homens um espírito de grupo muito forte e dar-lhes a melhor preparação possível, pois sabia que nas condições em que íamos estar, cada um dependia de todos e todos dependíamos de cada um. Tinha uma forte convicção que independentemente de tudo, conseguiríamos sobreviver.


Cada um de nós, quando partimos em 22 de setembro de 1973 rumo à Guiné para cumprir uma comissão de serviço na guerra colonial ou do Ultramar, como se dizia, levávamos na bagagem muitas coisas, mas também uma grande ilusão, uma vontade, um acreditar que um dia voltaríamos a casa sãos e salvos.


Todos nós lá deixámos muito, muito do nosso suor e muitas lágrimas, alguns derramaram o próprio sangue, outros perderam partes dos seus corpos e um, o MENDONÇA, perdeu a vida, naquele fatídico dia 2 de abril de 1974. E o facto de ter sido apenas um, já foi demais.


Neste momento, assaltam-me sentimentos contraditórios: satisfação por finalmente ele vir descansar junto dos seus na terra que o viu nascer, crescer e partir para a guerra, mas também de tristeza e perplexidade por ter sido só hoje o seu “regresso”, o que não permitiu que os seus familiares tivessem feito na devida altura o luto que se impunha.


Tínhamos pouco mais de vinte anos e assistir à morte de um dos nossos não era coisa fácil, não foi coisa fácil e os seus efeitos prolongaram-se no tempo.


Por isso, sobretudo para os seus camaradas de armas, alguns aqui presentes, esta vivência é uma catarse, é, decerto, a melhor oportunidade para fazer a reconciliação com o passado e que as recordações que guardamos sejam de serenidade e não de revolta.


Esta trasladação, que penso ser o nosso último ato oficial enquanto “família militar da Companhia de Caçadores n.º 4150/73”, vai ser o reencontro com a nossa paz interior na certeza do dever cumprido.


Ao soldado MENDONÇA, prestamos hoje a nossa homenagem final. Com o regresso à sua terra, cumpre-se um ciclo de vida e de sacrifício, de história e de memória. Que o seu descanso seja, finalmente, pleno e em paz.


À sua família, que durante todos estes anos carregou no coração o peso da saudade, as nossas mais sinceras palavras de respeito. Sabemos que este momento, por mais solene que seja, não apaga a dor da perda, mas que, de alguma forma, esta trasladação possa trazer uma sensação de conclusão, sabendo que o MENDONÇA repousa agora no lugar que lhe pertence, ou seja, na sua terra natal.


A todos os que tornaram possível a realização desta cerimónia o meu reconhecimento, com uma referência especial aos camaradas da nossa Companhia.


Que fique em paz!


E que os nossos camaradas, entretanto falecidos, também estejam em paz!


Muito obrigado.»

 

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24 de Setembro de 2024:

 

Caros amigos "Apaches do Norte" da C. Caç. 4150. Finalmente ao fim de 50 anos vamos fazer a trasladação do nosso amigo Manuel Agostinho Mendonça Oliveira, falecido na Guiné, em Guidage, no dia 2 de Abril de 1974, em acidente com uma granada de mão.


O seu corpo ficou durante 50 anos "encalhado" em Lisboa por falta na altura e, ainda hoje das obrigações do Estado Português.


O Manuel Agostinho Mendonça Oliveira ficou todos estes anos à espera deste dia para chegar à sua terra natal na freguesia de Pensalvos, em Vila Pouca de Aguiar.


Primeiro, foi sepultado no cemitério do exército, no Lumiar, na campa n.° 14. Segundo, no dia 22 de Maio de 1984 continuou o seu calvário, e foi trasladado para o cemitério do Alto de S. João, para a Cripta n.° 6358, ficou ao cuidado da Liga dos Combatentes.


Este género de feridas nunca cicatrizam. Os políticos julgam que passam com o tempo, não, não passam, enquanto por cá andarmos carregando sempre este "fardo".


A prova é que a sua família biológica, e também a família de guerra os "Apaches" nunca se esqueceram que o Mendonça Oliveira ainda não tinha chegado à sua verdadeira casa.


Finalmente ao fim de 50 anos vamos fazer a sua trasladação para o seu verdadeiro local.
O único morto que a nossa companhia teve por terras da Guiné.


O funeral vai ser no próximo dia 6 de Outubro de 2024, a um domingo.


Vai sair de Lisboa para a igreja de Pensalvos, em Vila Pouca de Aguiar, ficará na igreja até à hora do funeral que vai ser durante a missa dominical das 9h30. Depois das cerimónias religiosas vai ser sepultado em jazigo de família.


Quem poder e quiser estar presente no dia, vai ser a ocasião de se fazer a homenagem que ja havia de ter sido feita à 50 anos atrás.


Também aproveito para agradecer a todos os "Apaches" pela solidariedade que mostraram desde a primeira hora para ajudar na sua trasladação. Mostramos ser uma verdadeira família de guerra em prol desta causa.


Um abraço.

 

Albano Costa.

 

 

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