Monumento Nacional aos Combatentes do
Ultramar
"Aos
melhores de todos nós"
Anónimo

Monumento Nacional aos Combatentes do Ultramar
Forte
do Bom Sucesso - Lisboa - Portugal
O projecto que obteve a classificação cimeira, é de
«autoria de uma equipa
chefiada pelo arquitecto Francisco José Ferreira
Guedes de Carvalho»
Àcerca do Memorial Nacional Lapidar e
Nominal...
Ao tempo da abertura do concurso para
a construção do Monumento, o anteprojecto (apenas discutido no seio restrito da
direcção-central da Liga dos Combatentes) previa –
de facto, mas em indeterminado futuro – que se
procedesse à dignificação personificada de todo
aquele espaço público, complementando-o com um
exaustivo memorial lapidar nominal «Aos
Combatentes do Ultramar». Existiam porém dois
óbices à prossecução deste segundo objectivo: um, a
circunstância do Forte do Bom Sucesso (e respectivas
paredes exteriores), não estar ainda afectado ao
domínio público, seja, à utilidade pública da LC,
principal entidade promotora da execução do
Monumento, instituição estatutariamente dependente
da tutela pessoal do Ministro da Defesa Nacional; e
a outra condicionante, à primeira subjacente mas
assaz muito mais importante, a ausência de verba
própria daquela LC e também de cabimentação
orçamental no citado ministério. Assim, a abertura
do concurso público para a construção do Monumento –
e apenas deste –, por carecer de fundamentação legal
e financeira, não podia àquela data contemplar
quaisquer pedidos de projecto para um enquadramento,
com lápides nominais envolventes e afixadas no
exterior do FBS.
Somente decorridos pouco mais de
quatro anos sobre a inauguração daquele Monumento
Nacional – grandioso pórtico e sua envolvente
aquática com a Chama da Pátria e pedra central de
Homenagen(s) –, sendo já a direcção-central da LC
presidida pelo general Baltazar António Morais
Barroco, e tendo entretanto a tutela do MDN mudado,
o novo titular prof. dr. José Veiga Simão –
português de outros tempos e outras sensibilidades –
decidiu avançar: o Forte do Bom Sucesso ficaria
atribuído à LC; e àquela instituição afectada verba
necessária à conclusão do referido segundo – last
but not least – objectivo...
Com antecipado conhecimento do teor do anúncio
público que, por ocasião do 75º Aniversário da LC,
naquele local iria ter lugar, ali me desloquei. Após
a missa campal, de frente para o Monumento e tendo a
tribuna de honra à direita,
por cerca das 10 horas daquela
radiosa manhã ouvi o MDN comunicar urbi et orbi
o que, em resumo, ipsis verbis se transcreve:
– «Decidi, por despacho de ontem, 16
de Outubro
[de 1998], o seguinte:
- atribuir à Liga dos Combatentes, instituição de
utilidade pública, o Forte do Bom Sucesso, passando
a Liga a ser responsável pelas respectivas
instalações;
- determinar que, quaisquer obras ali realizadas,
deverão [...] ter
sempre em vista dar o conhecimento do "combatente
português";
- autorizar a Liga a estabelecer um protocolo com o
Ministério da Cultura, permitindo a utilização do
Forte do Bom Sucesso, de acordo com o projecto a ser
aprovado, o qual inclui o apoio à Torre de Belém e
zonas envolventes;
- determinar a elaboração de um programa que dê vida
ao Forte do Bom Sucesso e que o torne atractivo no
âmbito de um conjunto monumental, que constitui
património único do nosso País.
«A Liga apresentou-me, igualmente, propostas para
perpetuar, para sempre, a memória daqueles que
caíram pela Pátria. Foi, assim, aprovada a colocação
de placas nas paredes do Forte, com a gravação dos
nomes em pedra igual à utilizada nas molduras,
frisos, guaritas e com um enquadramento condizente
com a traça do próprio Forte. Deverá, igualmente,
desenvolver-se um arranjo dos espaços interiores e
exteriores. A obra será realizada por fases, estando
já atribuída a verba necessária para a gravação dos
nomes.
«A maior força dos nossos argumentos para dar corpo
a esta iniciativa, não consiste em outro fundamento
que não seja o do crédito, o da honra e o da glória
que atribuímos a todos os que combateram sob a
Bandeira Portuguesa. Este fundamento aplica-se à
totalidade do mais de um milhão de combatentes. Sei
que é fundamento que se não pode medir nem contar,
mas é o que em si tem a razão da imensa saudade que
permanece em centenas de milhares de famílias que
choram os seus, às vezes como que envergonhados,
mortos no dever cumprido, sem questionar a justeza
de decisões políticas.
«É, acima de tudo, um fundamento que se traduz numa
homenagem silenciosa, certa em tempo certo, uma
homenagem vivida de amargura e gratidão, que vai ao
encontro da memória de milhares de soldados que não
podem, por honra nossa, ser sujeitos ao esquecimento
determinado por intolerável indecisão.»
Nos termos do supra citado despacho
[nº 251/98, publicado em 17Nov98 no DR.266-2ªsérie],
o EME procedeu em 13Jan99 à «entrega do Forte do
Bom Sucesso à Liga dos Combatentes».
Somente após aquela data, se iniciou o processo
tendente à dignificação memorial, lapidar e nominal,
de (quase) todos os que, em campanha, morreram no
decurso da derradeira Guerra do Ultramar.
No entanto, por ocasião do anual Encontro Nacional
dos Combatentes que, desde 1994, junto àquele
Monumento se realiza, em 10 de Junho de 1999 a larga
maioria dos presentes desconhecia por completo o que estava
projectado e em curso para enquadrar, adequadamente,
aquele espaço.
No mês seguinte, Julho de 1999,
começaram a ser colocadas as lápides nominais – ano,
ordem alfabética, posto –, estando prevista a
conclusão em Setembro de 1999, para o que foi pelas
competentes entidades solicitado à Presidência da
República, a disponibilidade do titular Chefe do
Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas, no
sentido de proceder, naquele mês, ao solene
descerramento daquele Memorial Nacional Lapidar e
Nominal.
Habituais saudações veteranas,
«do autor das fotografias que têm vindo a ser
publicadas»...
Despacho n.º 251/98, do Ministério da
Defesa Nacional, de 16 de Outubro (DR n.º 266/1998,
II Série 17Nov1998. II Série"
