Monumento Nacional aos Combatentes do Ultramar
"Aos melhores de todos nós"
Anónimo
Monumento Nacional aos Combatentes do Ultramar
Forte do Bom Sucesso - Lisboa - Portugal
O projecto que obteve a classificação cimeira, é de
«autoria de uma equipa chefiada pelo arquitecto Francisco José Ferreira Guedes de Carvalho»
Ideia nasceu em
1984:
Desde 15 de Janeiro de 1994, existe, junto ao Forte
do Bom Sucesso, em Belém, Lisboa, mais um Monumento
Nacional que dá nas vistas de quem chega ou de quem
parte, por terra, mar e ar.
Como e porque apareceu ali, em tão nobre espaço, tão
insólito e polémico Monumento que perpetuará, pelos
séculos fora, «os melhores de nós todos» que foram
cerca de um milhão de jovens, entre 1961 e 1974,
nove mil dos quais perderam a vida nas antigas
Províncias Ultramarinas? Era preciso fazer a
História desse tão simbólico Monumento, cuja ideia
nasceu em Guimarães, em 1984, no seio da Associação
dos ex-Combatentes do Ultramar. Em 29 de Janeiro de
1987, na sede da Liga dos Combatentes, foi
constituída a Comissão Executiva, formada por
representantes de oito instituições, alinhadas por
ordem cronológica da sua fundação, a saber:
Sociedade Histórica da Independência de Portugal
(1861); Sociedade de Geografia de Lisboa (1875);
Liga dos Combatentes (1924); ADFA (1974); Associação
de Comandos (1975); AEFAP, (1977); Associação dos
Ex-Combatentes do Ultramar (1982); e Associação
Força Aérea Portuguesa (1983). Nessa data foi
deliberado, por unanimidade, confiar a presidência
dessa Comissão ao General Altino de Magalhães, na
sua qualidade de Presidente da Liga dos Combatentes.
Para além da Comissão Executiva foram também
instituídas: a Comissão Técnica, para elaboração do
projecto do Monumento e a abertura de concurso
público aberto a todas as equipas de reconhecido
mérito em arquitectura e a Comissão de Honra para
que a construção do Monumento envolvesse toda a
sociedade civil, desde o Presidente da República, a
todos os órgãos de soberania.
O então Presidente da República recusou o convite,
alegando que essa intenção implicava uma imagem
pública de concordância com a Guerra do Ultramar que
ele (Mário Soares) não partilhava. Tal recusa fez
com que a Comissão de Honra não fosse por diante.
Apesar dessa resistência a Comissão Executiva não
desanimou, antes entendeu que deveria ter «o vulto
de um Monumento Nacional e que era urgente a sua
construção. E para ter a maior dignidade e
transmitir força, serenidade e respeito, deveria
convidar à meditação profunda do amor à Pátria e à
exaltação do cumprimento do dever cívico.
Mais: deveria prever-se a organização adicional de
um Museu do Combatente. O Ministro da Presidência e
da Defesa Nacional (Eurico de Melo) concordou com o
caderno proposto pela Comissão Executiva e aprovou o
espaço sugerido para a construção do Monumento,
processo moroso que apenas foi concluído em
21/09/1990, já sob a tutela do Ministro Fernando
Nogueira. A abertura do concurso para o projecto foi
publicada no DR. de 5 de Maio de 1991, III série e
ganhou-o a proposta do Arqtº Francisco Guedes de
Carvalho. A execução desse projecto foi entregue,
por unanimidade e sem reclamações dos restantes
quatro concorrentes à Firma Amadeu Gaudêncio que
apresentou a proposta mais baixa: 95.598.967$00. A
obra seria inaugurada, solenemente, em 15/01/1994,
sob a Presidência do PR (Mário Soares), debaixo de
muitos apupos e grande contestação. O orador oficial
convidado foi o Prof. Doutor Adriano Moreira. Do
Ministério da Defesa, de algumas Câmaras Municipais,
Juntas de Freguesia, empresas e cidadãos
individuais, foram reunidos 8.839.540$00.
Com algumas verbas que sobraram foi deliberado
colocar nas Muralhas do Forte do Bom Sucesso os
nomes de todos aqueles que perderam a vida em
combate. E foram cerca de 9 mil. Essa segunda
inauguração ocorreu em 5/2/2000. Por despacho de
16/10/1998 a Comissão Executiva foi dissolvida, por
já não se justificar e foi atribuída à Liga dos
Combatentes a gestão daquele Monumento e espaço
envolvente.
Tudo isto e algo mais pode ler-se no livro Monumento
aos Combatentes do Ultramar (1961-1974), da autoria
do General Altimo de Magalhães que nasceu em
Carrazeda de Ansiães, em 1922 e que, ao tempo, era
Presidente da Liga. Um valioso testemunho porque
ninguém melhor do que ele conheceu os passos deste
monumento nacional. Em 9/4/1989, durante as
cerimónias da Batalha de La Liz, perante o
vice-primeiro Ministro e Ministro da Defesa, Eurico
de Melo, anunciou a abertura do concurso para a sua
Construção e afirmou: «Como é do conhecimento
público a Associação dos Combatentes do Ultramar,
com sede em Guimarães, fundada e dirigida pelo Dr.
Barroso da Fonte, aqui presente, lançou há cerca de
4 anos a ideia da construção desse Monumento». Na
página 19 do memorial agora editado pela EUROpress
confirma: «A Associação dos Combatentes do Ultramar
(em Guimarães), no seu jornal Sentinela, em Março de
1985, referindo-se à construção desse Monumento,
exprimiu que teriam o maior mérito todos os apoios
para essa realização».
Embora fique claro que a paternidade deste Monumento
nos pertence, alude a uma referência em 1 de
Fevereiro de 1985 à Associação de Comandos. Este
equívoco pode gerar alguma confusão histórica pelo
facto de, na mesma página citar o Boletim Sentinela
nº 7, referente a Março de 1985. É que na edição nº
5 do mesmo Boletim, mas de Agosto de 1984, na página
3, já podia ler-se no Plano de actividades:
«designação de um grupo de associados que tenham
como tarefa essencial a angariação de meios e
apresentação de estudos tendentes à construção de um
Monumento nacional em homenagem aos Combatentes».
BF criou, em 1982, aquela Associação que, em 1996,
mudou o nome para Associação Nacional dos
Combatentes do Ultramar. Até 2002 foi Presidente da
Direcção e director do Boletim Sentinela, com o
pseudónimo de Fernando Paixão. Por sua proposta
transferiu-se a sede para Tondela, onde está de
pedra e cal. Quem tiver dúvidas consulte esse
Boletim, onde está contada, número a número, essa
cronologia que permite concluir, a paternidade e a
responsabilidade desse Monumento. Podem os Barrosões
da diáspora, nomeadamente aqueles que vivem em
Lisboa, sempre que por ali passem, dizer: este
Monumento é filho de uma ideia de um Barrosão.
Por Barroso da Fonte, Dr.