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NOTÍCIA
Enviado por
Armando Peixoto
-----Mensagem
original-----
De:
armando-peixoto@clix.pt (telef. 934604905) [mailto:armando-peixoto@clix.pt
(telef. 934604905)]
Enviada: quarta-feira, 8 de Novembro de 2006 12:43
Para: ultramar@terraweb.biz
Assunto: Anunciar Noticia em http://ultramar.terraweb.biz
Retorno ao Niassa, com passagem por Cabo Delgado.
Em Fevereiro de 2006,
um grupo de ex-combatentes que prestaram serviço nas
ex-províncias de Cabo Delgado e Niassa, visitaram
durante 15 dias muitas das localidades onde há mais de
40 anos tinham, por ali passado em nome de Portugal. Foi
um regresso ao passado com todos os músculos do corpo a
estremecer de saudades provocando na alma uma dor muito
profunda por verificarmos que o tempo tinha parado ou
até mesmo regredido naquele imenso território.
Prestei serviço em
quase todas as localidades onde a guerra se fazia
sentir, de um modo especial nos sítios mais estratégicos
entre Vila Cabral (agora, Lichinga) e Catur e Vila
Cabral e lago Niassa (Meponda, Metangula, Cóbué, Munhai
(?), Maniamba, Nova Coimbra, Chala, etc.,). No Lione,
aldeia onde a minha Companhia (C. Caç. 694) assentou
arraiais, deixei ficar várias lembranças, mas nem uma
pedra ali permanecia como vestígio da nossa passagem em
1965/66. Já em Massangulo (cruzamento para o Catur e
Mandimba) fui encontrar a casa onde o meu pelotão esteve
destacado, mantendo-se somente de pé duas ou três
paredes.
Gostei muito de ter
revisitado aquele País, mas vim de lá bastante triste.
Notei na juventude uma vontade muito forte de quererem
aprender, de pretenderem recuperar o tempo que
desperdiçaram com a guerra fraticida.
Em Mueda, fiquei com
a alma retorcida ao visitar o cemitério onde alguns
combatentes nossos foram sepultados. Parece que havia
mesmo uma intenção nítida de provocar em quem aquele
espaço visitasse, um sentimento de revolta, pelo vexame
a que os ossos ou restos mortais dos militares
portugueses estavam a ser votados, dando à estampa como
paradigma, um outro cemitério, com sepulturas muito bem
tratadas, ali a poucos metros de distância, de cidadãos
Moçambicanos. A Liga dos Combatentes ou uma qualquer
outra Entidade Portuguesa, devia tomar em linha de conta
a reparação desta grave lacuna. Em causa está o
desrespeito pela memória daqueles que imbuídos do mais
elevado sentido patriótico, perderam a sua vida por uma
mão cheia de nada. Estou pronto para colaborar ou
participar com aquilo que puder, na recuperação do
prestígio que aquele espaço deve merecer a qualquer
cidadão do mundo civilizado.
Com um forte abraço a
todos os ex-combatentes,
O ex-furriel
miliciano,
Armando Peixoto
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