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NOTÍCIA - "GUERRA COLONIAL:
RELATOS NA 1ª PESSOA - “Mário Marinheiro” em
Moçambique”"
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veterano LC123278
A notícia:
Guerra Colonial: Relatos na 1.ª pessoa
"Mário Marinheiro" em Moçambique
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A notícia:
"Mário Marinheiro" em Moçambique
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veterano LC123278
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A notícia:
"Mário Marinheiro" em Moçambique
in:
http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=5412
Pelo
olhar ainda lhe perpassa uma certa saudade dos tempos da
guerra. Foram tempos difíceis, muito duros, diz, mas
ressalta o sentimento de camaradagem, o espírito de
sacrifício, a dureza das operações e muita saudade dos
camaradas que lá morreram.
Depois da instrução e
especialidade, seguiu-se o embarque no velho paquete
Niassa. Era o dia 20 de Agosto de 1970. Nele seguia
Mário Augusto Rodrigues, um dos militares portugueses de
entre o milhão que passou pela guerra colonial. Nela
morreram mais de oito mil jovens. Foram 35 dias de mar,
desde Lisboa até Porto Amélia. Desta cidade, seguiram em
coluna militar até Mueda, em Cabo Delgado, depois de
passarem por Montepuez e Nancatári. A companhia de
Caçadores 2730 foi destinada ao “coração da guerra”, no
planalto dos Macondes.
Foram dezoito meses de ininterrupta actividade militar,
quando se aproximava o fim da guerra por se estar à
vista a data de 25 de Abril de 1974. Mas, em Moçambique,
a guerra vinha-se intensificando, a avançar para sul, e
para o interior na província de Tete. Das suas palavras
bebemos a preocupação pelos que embora tenham
regressado, estão desfeitos pelas consequências
psicológicas, os traumas da guerra. Alguns, refere com
tristeza, “nunca mais recuperaram. São autênticos
farrapos humanos.” Daqueles tempos ficaram muitas
amizades que ainda se mantêm, decorridos quase quarenta
anos.
NÓ GÓRDIO
Recorda com uma exaltação contida a operação Nó Górdio,
realizada no planalto dos Macondes. “Foram 35 dias no
mato, a comer o que calhou, a dormir mal, sempre em
contínuo sobressalto,” refere com emoção e também algum
orgulho à mistura por ter participado nessa tão falada
operação. Planeada por Kaúlza de Arriaga para desalojar
a Frelimo do planalto, mobilizou milhares e de homens
dos três ramos, tropas de elite e muitos meios
materiais, desde viaturas, a helicópteros e aviões.
O resultado terá sido um tanto pobre para a grandeza dos
meios utilizados, mas marcou uma fase importante da
guerra em África. Sobre ela se escreveram livros,
romances e outras obras de estudo sobre a guerra
colonial portuguesa. E Mário Augusto Rodrigues, nascido
em Celeirós do Douro, concelho de Sabrosa, há sessenta
anos exibe com orgulho pátrio as fotografias da tomada
da base Gungunhana, na dita operação Nó Górdio. Ou as
fotos de prisioneiros capturados, de armamento
apreendido, da vida dos militares no mato ou no
aquartelamento. E as operações, muitas, flúem à sua
memória com naturalidade. Depressa se adaptou às
extensas matas de Moçambique, ele que estava habituado
aos socalcos do nosso Douro.
Vai lembrando os camaradas que morreram numa e depois
noutra operação. Enquanto fala connosco, pelas suas mãos
passam muitas fotografias, algumas de militares feridos,
de evacuações. Para a história ficaram também registados
os momentos de explosão de minas anti-carro e pessoais
em que Mário Rodrigues se tornou um especialista.
Executava com tal mestria e sangue frio este trabalho
que desta actividade veio a ser recompensado
monetariamente, quando numa das vezes saiu do mato para
vir passar uns dias de férias a Lourenço de Marques.
MORRER NA GUERRA
Foi ferido três vezes em combate, tendo sido evacuado do
teatro de operações. Foram ferimentos relativamente
ligeiros, mas que mostram bem a sua sorte. Diz que o
próprio comandante da Companhia gostava de ir perto
dele, por se sentir protegido. Acredita piamente, que
uma mãozinha de Nossa Senhora andava sempre a rondar à
sua volta para que nada lhe acontecesse. Até o capelão,
Padre Vilela, de Vilarinho da Samardã, seu amigo e
confidente, saiu com ele uma vez para o mato, para medir
o risco das operações.
“Mas quis ao pé de mim, e no fim disse que imaginava que
aquilo era duro, mas não pensava que fosse tanto.” Teve
a sorte de estar de férias aquando da realização de uma
operação em que o seu pelotão foi violentamente atacado
e sofreu vários mortos e feridos. O próprio furriel que
o substituiu ficou gravemente ferido. Aliás, da sua
companhia, de 120 homens apenas 70 nada sofreram.
Foram vários os mortos durante toda a comissão e muitos
mais os feridos, conforme consta do historial da
companhia. Mas nem tudo era combate e tristeza. Havia
momentos de tudo. E, com o seu jeito especial, lá ia
organizando e participando, com outros, em festas e
teatros. Chegou a apresentar um espectáculo, em Lourenço
Marques, com uma apresentadora profissional, na
despedida da sua unidade das terras do Ultramar.
DEIXAR RASTO, FAZER HISTÓRIA
A Companhia de Caçadores 2.730 deixou rasto em
Moçambique e muitos desses sinais foram assinados pelo
vila-realense, Mário Augusto Rodrigues. Os seus actos de
coragem e heroísmo foram registados pelos seus
superiores em vários relatórios das diferentes
operações. A forma como comandava os homens sobre as
suas ordens mereceu o elogio do seu comandante. E também
o seu sangue frio, o seu espírito de sacrifício,
nomeadamente nos rebentamentos das minas, foram
registados para a posteridade nos relatos das operações.
“Os louvores eram importantes, mas a mim interessam-me
mais as menções nos relatórios das operações.” Relatos
que guarda às dezenas, onde se pode ler a forma como as
operações decorreram, os resultados, os ataques, os
mortos e os feridos. O regresso teve lugar no início do
verão de 1972, com chegada a Lisboa, à capital do
império em 30 de Junho.
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Comentários do veterano LC123278
v/reportagem online do pretérito dia 21
http://www.noticiasdevilareal.com/noticias/index.php?action=getDetalhe&id=5412
- A CCac2730/RI16-Évora, foi comandada por um capitão
miliciano graduado de infantaria; de entre os feridos em
combate, destaca-se Farinho Lopes, deficiente das FA's e
fotógrafo da ADFA. Quanto à data de «embarque no
velho paquete Niassa», supra referida como
tendo sido «o dia 20 de Agosto de 1970»,
os veteranos daquela Subunidade independente
celebraram em 20Mai95 em Évora o seu 25º Aniversário de
embarque rumo a Moçambique, pelo que muito dificilmente
o mesmo poderia ter ocorrido em 20 de "Agosto"; para
além do que aquela CCac foi aumentada à guarnição normal
da RMM em Jun70 e no mesmo mês ficou aquartelada em
Mueda, após o que foi escalada para integrar os
efectivos da Operação Nó Górdio.
- «Foram 35 dias de mar, desde Lisboa
até Porto Amélia»: as viagens do "Niassa" entre o
estuário do Tejo e o litoral nordeste de Moçambique,
demoravam em média, 22 dias - no máximo, 28 dias -, pelo
que os referidos "35 dias" dificilmente podem
corresponder à factualidade.
- «Teve a sorte de estar de férias
aquando da realização de uma operação em que o seu
pelotão foi violentamente atacado e sofreu vários mortos
e feridos»: em 21Jul71 no itinerário Mueda>Diaca,
emboscada IN com 4 bazucadas que causaram às NT 6 mortos
e 32 feridos (um dos quais faleceu 5 dias depois)
- «Ininterrupta actividade militar,
quando se aproximava o fim da guerra por se estar à
vista a data de 25 de Abril de 1974»: Ó senhor (?)
jornalista (?!), além de mal escrever português, você é
bruxo! Então hoje, 24 de Abril de 2009, ser-lhe-á
possível prever o que virá a suceder em 24 de Abril
de... 2012!!!
- E ainda outra: «Há
sessenta anos exibe [...] fotografias da tomada da base
Gungunhana, na dita operação Nó Górdio». Vá lá,
ganhe coragem e regresse aos bancos da escola primária,
antes de voltar a escrever disparates...
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