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NOTÍCIA

 

Guerra Colonial - Que desfecho?

Publicado no Notícias da Amadora e enviado por Pedro A. Luís

-----Mensagem original-----
De: Pedro A. Luis [mailto:pedro.af.luis@netvisao.pt]
Enviada: quarta-feira, 7 de Junho de 2006 11:09
Para: ... ... ultramar@terraweb.biz; ... ...
Assunto: Fw: Guerra Colonial - Em termos militares, que desfecho ?

 

A questão colonial não era um assunto consensual na sociedade portuguesa, nem sequer o foi sempre entre as forças de oposição ao regime. A consciência sobre o problema evoluiu com os efeitos induzidos pela guerra na situação económica portuguesa e nas repercussões que teve para a juventude.

 

Mesmo entre os jovens, que condenavam e se opunham à guerra colonial, as atitudes e as respostas dadas para a combater eram diferenciadas. Todavia, com o decurso dos anos foi adquirida consciência generalizada, mesmo entre os militares do quadro das forças armadas portuguesas, de que a guerra era injusta e só uma solução negociada lhe poria termo.
Ainda hoje não é consensual a percepção sobre a guerra e sobre a questão colonial nem o desfecho que tiveram. Não se fez ainda a investigação, estudo ou debate aprofundado sobre o seu impacte na vida de sucessivas gerações.
Desconhece-se, de resto, a dimensão que a guerra colonial, que com as suas trágicas consequências perdurou durante 13 anos, assumiu no quotidiano e na vida das pessoas. Ignoram-se as sequelas e os efeitos repercutidos no desenvolvimento posterior do país e das ex-colónias.
O assunto é para uns ainda doloroso e para outros tabu. Um fantasma que nos habita e não foi esconjurado. Como se houvesse um hiato histórico, um quarto que permanece cerrado ao luto, com toda a documentação de uma época. A instituição castrense parece também apostada em negar esse passado.
Mas «a guerra ainda não acabou dentro de nós», de acordo com o depoimento de um militar que combateu em Angola, citado no site Bibliografia da Guerra Colonial. «Fomos uma coisa, regressámos outra e temos de viver com essas cicatrizes para sempre», segundo um ex-combatente que fez o serviço militar em Moçambique.
Fica-nos dos últimos anos de guerra a memória da mensagem repetitiva de um «adeus, até ao meu regresso», que os militares portugueses exprimiam através da televisão, pela época do Natal.
Esse adeus definitivo às colónias cumpriu-se com o último embarque das tropas portuguesas em Luanda, em 1975. Mas para muitos ainda não se consumou o regresso à paz de cada um ou a chegada à compreensão de um fenómeno que os marcou tão derradeiramente.

 

Embora selada pelo silêncio, a memória da guerra subsiste em cada um. E deixou inevitáveis sequelas nesse milhão de homens e famílias.
A guerra colonial deveria ter seguido essencialmente a via da negociação, com acautelamento dos interesses nacionais, nomeadamente dos investimentos», a «elaboração dum estatuto de cooperação entre Portugal e os territórios ultramarinos, autónomos e auto-determinados» e isso não aconteceu.

 

in Notícias da Amadora

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