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NOTÍCIA

 

Enviado por Pedro A. Luís, no dia 9 de Junho de 2006

 

O Dia dos Combatentes do Ultramar

-----Mensagem original-----
De: Pedro A. Luis [mailto:pedro.af.luis@netvisao.pt]
Enviada: sexta-feira, 9 de Junho de 2006 9:48
Para: ... ..., ultramar@terraweb.biz, ... ...
Assunto: O Dia dos Combatentes do Ultramar

 

 

(Respigado da cerimónia junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar, no último 10 de Junho)

 «Como antigo alferes miliciano em Angola, não podia deixar de estar hoje junto do Monumento aos Combatentes do Ultramar a celebrar o Dia de Portugal e o sacrifício de uma geração que, com raríssimas excepções, se não furtou a um combate não desejado mas corajosamente aceite, em nome de um Portugal livre, soberano, capaz de sobreviver na sua diversidade étnica e cultural.
Começo por referir que não éramos "algumas centenas", mas sim três ou quatro milhares de antigos combatentes.
E refiro ainda que éramos brancos e negros, cristãos e muçulmanos, à imagem do Portugal que alguns destruiram em 1975.

É de assinalar que, caso único em Portugal, a cerimónia incluiu orações de um sacerdote católico e de um imã muçulmano, para reforçar a nossa total adesão a essa pluriculturalidade portuguesa.
Só nós, combatentes, neste Portugal pseudo-democrático, nos atrevemos a tratar em pé de igualdade, numa cerimónia patriótica, cristãos e muçulmanos.
Só nós sabemos que ser português não é sinónimo de ser branco, cristão ou europeu, e só nós o afirmamos, por actos, de forma bem visivel.

Manifestámo-nos ainda por um Portugal que não seja uma quinta de uma classe política corrupta e imoral, que nos quer vender a projectos estranhos, para que a oligarquia que servem possa prosperar, mesmo à custa da nossa liberdade, da nossa soberania e da nossa identidade.

Enquanto formos vivos continuaremos a reclamar um Portugal português, não nos conformando com o estatuto de terceira classe que nos querem impôr numa Europa que nos despreza.

Um Portugal que tenha a suas raízes no projecto multissecular de união com os povos de África, Ásia e América do Sul que foram durante séculos nossos compatriotas e continuam a ser nossos irmãos.
Numa aliança de povos iguais na dignidade e na soberania, queremos voltar ao sonho da lusofonia, para que nós e os nossos descendentes possam continuar a ser portugueses».

Ex-Alf. Pereira da Silva

 

Os ex-combatentes têm que manter uma luta permanente e persistente para que estes politiqueiros (do pós 25 de Abril) se lembrem que os ex-combatentes foram jovens forçados a defender a pátria e fizerem-no estoica e generosamente sem qualquer preocupação de índole política.

Os que fugiram, tiveram exílio dourado ou queimaram a bandeira do seu país, esses é que são os verdadeiros patriotas desta 3ª república ! 

Há que continuar a luta diária de clarificação... E de desmascaramento de posturas infelizes de certos demagogos que se arvoraram e arvoram em donos da república.

Que conceito têm de nós ? O crime foi não desertarmos todos do chamamento da Pátria ? Mas onde estavam e que trajecto vislumbramos a esses "senhores" ?

Respondemos generosamente e por isso nos assiste o direito, legítimo, de sermos, ao menos, mínimamente reconhecidos de "homens da pátria" (*).

Já assim foi com os valentes soldados de La Lys e tantos bravos que a nossa história não esqueceu, antes enaltece.

Há que continuar a dizer...a redarguir... a lutar...

Ao menos a História nos poderá julgar de forma correcta, porque justamente o merecemos. 

 

(*) Fomos agentes para a construção de uma unidade e convivência lusófona, fraterna e próspera em que hoje todos poderíamos coexistir, conviver e usufruir. Assim os políticos soubessem aproveitar esse sentimento e predisposição extensiva à grande massa do povo português de então. Hoje, essa unidade com os povos das ex-colónias não existe e a situação continua sombria para todos, infelizmente. Tudo por culpa de uma descolonização miserável. Esses politiqueiros é que são os verdadeiros desbaratadores de sentimentos de pátria, com independências sem fraternidade e sem prosperidade entre os povos. Um modelo de relação e convivência com os novos países lusófonos, poderia ter sido conciliado, aprofundado e aproveitado como instrumento para a prossecução de um rumo diferente e mais promissor, mas esses senhores não tiveram o engenho e a arte de o dislumbrar, introduzir e fortalecer. 

...talvez por culpa de uma desmedida ambição do poder, que lhes toldou a imaginação e a  racionalidade. Por isso é que esses detractores nos querem esquecer ou depreciar quase à viva força. Mas, no fundo, eles sabem que têm a consciência pesada.

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