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(Respigado da cerimónia
junto ao Monumento aos Combatentes do Ultramar,
no último 10 de Junho)
«Como antigo alferes miliciano em Angola, não
podia deixar de estar hoje junto do Monumento
aos Combatentes do Ultramar a celebrar o Dia de
Portugal e o sacrifício de uma geração que, com
raríssimas excepções,
se não furtou a um combate
não desejado mas corajosamente aceite, em nome
de um Portugal livre, soberano, capaz de
sobreviver na sua diversidade étnica e cultural.
Começo por referir que não
éramos "algumas centenas", mas sim três ou
quatro milhares de antigos combatentes.
E refiro ainda que éramos brancos e negros,
cristãos e muçulmanos, à imagem do Portugal
que alguns destruiram em 1975.
É de assinalar que, caso único em Portugal, a
cerimónia incluiu orações de um sacerdote
católico e de um imã muçulmano, para reforçar a
nossa total adesão a essa pluriculturalidade
portuguesa.
Só nós, combatentes, neste Portugal
pseudo-democrático, nos atrevemos a
tratar em pé de igualdade, numa cerimónia
patriótica, cristãos e muçulmanos.
Só nós sabemos que ser português não é sinónimo
de ser branco, cristão ou europeu, e só nós o
afirmamos, por actos, de forma bem visivel.
Manifestámo-nos ainda por um Portugal
que não seja uma quinta de uma classe política
corrupta e imoral, que nos quer vender
a projectos estranhos, para que a oligarquia que
servem possa prosperar, mesmo à custa da nossa
liberdade, da nossa soberania e da nossa
identidade.
Enquanto formos vivos continuaremos a reclamar
um Portugal português,
não nos conformando com o estatuto de
terceira classe que nos querem impôr
numa Europa que nos despreza.
Um Portugal que tenha a suas raízes no projecto
multissecular de união com os povos de África,
Ásia e América do Sul que foram durante séculos
nossos compatriotas e continuam a ser
nossos irmãos.
Numa aliança de povos iguais na dignidade e na
soberania, queremos voltar ao
sonho da lusofonia,
para que nós e os nossos descendentes possam
continuar a ser portugueses».
Ex-Alf. Pereira da Silva
Os
ex-combatentes têm que manter uma luta
permanente e persistente para que estes
politiqueiros (do pós 25 de Abril) se
lembrem que os ex-combatentes foram
jovens forçados a defender a pátria e
fizerem-no estoica e generosamente sem
qualquer preocupação de índole política.
Os que
fugiram, tiveram exílio dourado ou
queimaram a bandeira do seu país, esses
é que são os verdadeiros patriotas desta
3ª república !
Há
que continuar a luta diária de
clarificação... E de desmascaramento de
posturas infelizes de certos
demagogos que se arvoraram e
arvoram em donos da república.
Que
conceito têm de nós ? O crime foi não
desertarmos todos do chamamento da
Pátria ? Mas onde estavam e que trajecto
vislumbramos a esses "senhores" ?
Respondemos generosamente e por isso
nos assiste o direito, legítimo, de
sermos, ao menos, mínimamente
reconhecidos de "homens da pátria" (*).
Já assim
foi com os valentes soldados de La Lys e
tantos bravos que a nossa história não
esqueceu, antes enaltece.
Há
que continuar a dizer...a
redarguir... a lutar...
Ao
menos a História nos poderá
julgar de forma correcta, porque
justamente o merecemos.
(*)
Fomos agentes para a construção de uma
unidade e convivência lusófona, fraterna
e próspera em que hoje todos poderíamos
coexistir, conviver e usufruir. Assim os
políticos soubessem aproveitar esse
sentimento e predisposição extensiva à
grande massa do povo português de então.
Hoje, essa unidade com os povos das
ex-colónias não existe e a
situação continua sombria para todos,
infelizmente. Tudo por culpa de uma
descolonização miserável.
Esses politiqueiros é que são os
verdadeiros desbaratadores de
sentimentos de pátria,
com independências sem fraternidade e
sem prosperidade entre os povos. Um
modelo de relação e convivência com os
novos países lusófonos, poderia ter sido
conciliado, aprofundado e aproveitado
como instrumento para a prossecução de
um rumo diferente e mais promissor,
mas esses senhores não tiveram o engenho
e a arte de o dislumbrar, introduzir e
fortalecer.
...talvez por culpa de uma
desmedida ambição do poder, que lhes
toldou a imaginação e a
racionalidade. Por isso é que esses
detractores nos querem esquecer ou
depreciar quase à viva força. Mas, no
fundo, eles sabem que têm a consciência
pesada.
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