Afinal, não era
para menos! Passados 33 anos da
dominação portuguesa em Moçambique,
hoje, a montanha ainda possui
intactos alguns vestígios desta
renhida guerra.
Numa ruína
erguida especialmente para o efeito,
pode se ler que foram principais
actores na elaboração do plano de
teatro desta operação os comandantes
do primeiro grupo de combate,
alferes Melo Silva, e do terceiro, o
furriel Melo Lamarao.
O comando
português era ainda composto por
oficiais superiores Mendes e
Teixeira, os sargentos Daniel, Luís,
Eurico, Nascimento, Carreira,
Francisco, Silva, Santo e Elias.
Manuel Baitone,
nascido a 1 de Janeiro de 1932, em
Chemba, foi antigo sipaio e
corneteiro do regime colonial. Conta
que no início da luta entre o
exército colonial português e os
guerrilheiros da Frelimo não havia
qualquer casa na referida montanha,
tendo sido posteriormente erguida
nos finais da década 60 pela
multiplicação dos ataques.
Aproveitando da
elevação do lugar, disse que a
montanha servia igualmente para a
observação da paisagem e melhor
identificação dos então inimigos com
recurso a observação de binóculos,
chegando a alcançar todo o vale do
Zambeze. O local tinha abrigos e
outros edifícios que depois viriam a
ser destruídos pela Frelimo.
Alem das
operações militares, disse que o
local servia de lazer do general
Kaulza de Arriaga. Recorda que, para
se proteger dos ataques da Frelimo,
ele levava consigo a montanha
crianças dos nacionais, assim como
durante as suas incursões militares
pelo distrito de Chemba.
Diz que as
crianças eram camufladas de simples
cobaias, mas os guerrilheiros da
Frelimo, em contrapartida, nunca
caíram nesta falsidade. Em todas as
frentes de combates os menores
voltaram sãos e salvos.
Trata se de uma
área de aproximadamente dez hectares
ricos na produção agrícola, mas que
se apresenta ainda parcialmente
minada. A zona beneficiou da
desactivação de engenhos explosivos
pela RONCO, uma agencia privada dos
Estados Unidos da América, e nos
últimos tempos foram reportados três
casos de incidentes mortais de
explosão daquele material bélico.
António Januário,
administrador de Chemba, entende que
o local merece, de facto, uma
preservação histórico-cultural e sua
transformação em área de lazer,
através da promoção de turismo de
observação. Contudo, a falta de
potencial investidor constitui
principal entrave do projecto.
Para o mesmo
governante, a falta de interesse por
agentes económicos deve-se
fundamentalmente a falta de agua no
local, o que a concretização deste
sonho vai exigir significativas
somas para a actividade. Mesmo
assim, a fonte preferiu dar “ tempo
ao tempo”.
Por outro lado, o
timoneiro de Chemba avançou que
muitas festas são passadas naquela
montanha, onde temporariamente se
constróem barracas para o efeito.