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NOTÍCIA - Vestígios da presença portuguesa em Chemba (Moçambique)

Informação de  Ilídio Costa

 

in "Jornal Notícias online"(Moçambique)

de 16 de Julho de 2008

http://www.jornalnoticias.co.mz/pls/notimz2/berwsea0.simples

 

"33 anos depois: Vestígios da colonização ainda patentes em Chemba"

Ainda sem qualquer registo de altitude, a montanha Chinjy, nas imediações da vila de Chemba, em Sofala, constitui autentico miradouro da bela paisagem formada pela flora e fauna ao longo do vale do grande Zambeze. Por esta sua configuração geográfica, o então exercito colonial quis juntar o útil ao agradável, transformando nele como centro das operações de teatro nas manobras durante a Luta de Libertação Nacional. 

Maputo, Quarta-Feira, 16 de Julho de 2008:: Notícias

Afinal, não era para menos! Passados 33 anos da dominação portuguesa em Moçambique, hoje, a montanha ainda possui intactos  alguns vestígios desta renhida guerra.

Numa ruína erguida especialmente para o efeito, pode se ler que foram principais actores na elaboração do plano de teatro desta operação os comandantes do primeiro grupo de combate, alferes Melo Silva, e do terceiro, o furriel Melo Lamarao.

O comando português era ainda composto por oficiais superiores Mendes e Teixeira, os sargentos Daniel, Luís, Eurico, Nascimento, Carreira, Francisco, Silva, Santo e Elias.

Manuel Baitone, nascido a 1 de Janeiro de 1932, em Chemba, foi antigo sipaio  e corneteiro do regime colonial. Conta que no início da luta entre o exército colonial português e os guerrilheiros da Frelimo não havia qualquer casa na referida montanha, tendo sido posteriormente erguida nos finais da década 60 pela multiplicação dos ataques.

Aproveitando da elevação do lugar, disse que a montanha servia igualmente para a  observação da paisagem e melhor identificação dos então inimigos com recurso a observação de binóculos, chegando a alcançar todo o vale do Zambeze. O local tinha abrigos e outros edifícios que depois viriam a ser destruídos pela Frelimo.

Alem das operações militares, disse que o local servia de lazer do general Kaulza de Arriaga. Recorda que, para se proteger dos ataques da Frelimo, ele levava consigo a montanha crianças dos nacionais, assim como durante as suas incursões militares pelo distrito de Chemba.

Diz que as crianças eram camufladas de simples cobaias, mas os guerrilheiros da Frelimo, em contrapartida, nunca caíram nesta falsidade. Em todas as frentes de combates os menores voltaram sãos e salvos.

Trata se de uma área de aproximadamente dez hectares ricos na produção agrícola, mas que se apresenta ainda parcialmente minada. A zona beneficiou da desactivação de engenhos explosivos pela RONCO, uma agencia privada dos Estados Unidos da América, e nos últimos tempos foram reportados três casos de incidentes mortais de explosão daquele material bélico.

António Januário, administrador de Chemba, entende que o local merece, de facto, uma preservação histórico-cultural e sua transformação em área de lazer, através da promoção de turismo de observação. Contudo, a falta de potencial investidor constitui principal entrave do projecto.

Para o mesmo governante, a falta de interesse por agentes económicos  deve-se fundamentalmente a falta de agua no local, o que a concretização deste sonho vai exigir significativas somas para a actividade. Mesmo assim, a fonte preferiu dar “ tempo ao tempo”.

Por outro lado, o timoneiro de Chemba avançou que muitas festas são passadas naquela montanha, onde temporariamente se constróem barracas para o efeito.

  • Horácio João

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