O Dia dos Combatentes
Textos da autoria de Joaquim Mexia
Alves
Enviado por Sousa de Castro

Tenho lido os textos e comentários que
têm surgido, quer na Tabanca Grande, quer nos
Especialistas da BA12, (muito franca adesão), quer no
Facebook, etc.
Tenho presente o texto do António Martins
Matos, um “balde de água morna”, porque não foi nada que
eu não esperasse.
E agora, o que fazer?
Muitos pretendem desfilar já este ano,
(ainda não entendi muito bem como), o que de algum modo
eu também apoiarei.
Mas isto não se pode tratar de uma coisa
efémera e sem continuação!
Assim decidi colocar á consideração de
todos as ideias que fui alinhavando, continuando o
trabalho iniciado pelo António M. Matos e continuado
pela
Carta Aberta ao P. R., que acredito irá ter
resposta.
Assim, e salvo melhor opinião, vejo dois
caminhos para se continuar a exigir um Dia dos
Combatentes.
1 - Dia dos Combatentes no 10 de
Junho
Começar já a trabalhar para que em 2012 o
10 de Junho seja um verdadeiro Dia dos Combatentes tal
como expresso na
Carta Aberta ao P. R. e comentários subsequentes.
Para tal proponho que se constitua uma
“comissão de trabalho”, cuja liderança entregaria ao
António Martins Matos.
Disponibilizo-me para estar e ajudar na
mesma.
Nesta Comissão deveriam estar
representados os diversos Ramos das Forças Armadas.
Esta nossa pretensão deveria ser
divulgada junto dos outros combatentes de Angola,
Moçambique, etc., que também integrariam a comissão, mas
que nunca ultrapassasse como número total, as 5 ou 7
pessoas para ser possível tomar decisões em tempo útil.
2 – Dia dos Combatentes fora do 10
de Junho
Poderão dizer os juristas que temos como
camarigos, mas julgo que a liberdade de manifestação,
devidamente autorizada, é livre em Portugal.
Então, a tal Comissão “descrita” no ponto
anterior, devidamente mandatada, Mais à frente darei
pistas de reflexão para percebermos como), podia fazer o
tal pedido de autorização de manifestação, marcando para
tal um dia preciso, que passaria a ser o Dia dos
Combatentes, todos os anos.
Como sugestão, a talhe de foice,
lembraria o dia 6 de Novembro, dia de São Nuno de Santa
Maria, (D. Nuno Álvares Pereira), o combatente mais
ilustre da Nação Portuguesa.
A Comissão organizadora, que deveria
mudar todos os anos, para além de tratar dos aspectos
logísticos e divulgação, poderia fazer os convites às
entidades que os combatentes julgassem importantes, tais
como o Presidente da República, como Comandante Supremo
das Forças Armadas.
Atenção!
Se fosse necessária esta segunda
alternativa, por impossibilidade de os organizadores do
10 de Junho aderirem ao que pretendemos, é minha opinião
que nenhum combatente deveria colocar mais os pés nessas
cerimónias que passarão a ser apenas para “inglês ver”!
Sugestões de procedimentos
Poderia, como já alvitrei, constituir-se
um blogue apenas para este efeito, onde todos os
combatentes pudessem emitir as suas opiniões.
Esse blogue abriria com o
texto inicial do António M. Matos, já publicado na
Tabanca Grande, bem como a
Carta Aberta ao P. R.
Seguir-se-ia um texto como este,
explicando os passos que poderemos dar, para levar para
a frente o Dia dos Combatentes.
Na Carta Aberta já escrita, ou noutro
texto a escrever, os combatentes colocariam as suas
assinaturas de concordância, o que em termos logísticos
se pode tornar muito complicado.
Assim, essa Carta ou outro texto poderiam
constituir a forma de Petição, (com prazo determinado),
dando a possibilidade via net de assinatura dos
combatentes, com nome, nº do B.I e indicação da Unidade
Militar em que combateram.
Essa Petição seria depois enviada para a
Presidência da República.
Outra forma seria, cada um imprimir a
Carta ou o texto e enviá-lo via net ou correio à
Presidência da República, (durante um determinado prazo
de tempo), dando conhecimento escrito à Comissão.
Tanto uma forma como outra, mediante as
adesões, que acredito serão em grande número, essas
assinaturas respaldarão a credibilidade da Comissão que
assim pode agir em consonância.
Uma das atitudes que a Comissão pode
tomar é pedir uma audiência ao P. R., para explicar de
viva voz a situação e a vontade dos combatentes.
Apenas quero deixar aqui pistas de
procedimentos, que serão com certeza enriquecidos com
todos os comentários e sugestões que queriam deixar.
Notas finais
Percebemos pelos comentários tanto na
Tabanca Grande como em Especialistas da BA 12, outros
blogues e mails recebidos que a ideia despertou grande
interesse e adesão, pelo que, não devemos deixar morrer
esta arrancada inicial, e prosseguirmos até levarmos a
nossa avante.
Sabemos que muitos de nós estamos
revoltados com o desprezo, a apatia, o desinteresse a
que fomos votados pelas autoridades do nosso país.
Peço no entanto que não ponhamos a tónica
dos nossos comentários nessa revolta, ficando apenas
pelos protestos e pelo “pessimismo” de se dizer que nada
se pode fazer.
Se aqueles que tinham mais
responsabilidades para o fazerem, ou seja, as
autoridades do País, não o fazem, mostremos-lhe então
que somos capazes de nos unir e mostrar que ainda somos
gente e que não deixamos os nossos créditos por mãos
alheias.
Tenho a certeza de que somos capazes, e
tenho a certeza que num momento em que a estima dos
Portugueses está tão em baixo, a demonstração que os
Portugueses se unem para homenagear Portugueses, será um
bálsamo para muitos que não se revêem neste “cruzar de
braços”.
Ao trabalho!
Todos não somos demais!
Monte Real, 14 de Abril de 2011
Joaquim Mexia Alves
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AINDA, E SEMPRE, O DIA DOS
COMBATENTES
Desculpem-me, mas é com alguma mágoa que
volto ao assunto do Dia dos Combatentes tratado
ultimamente neste meu texto:
http://cart3494guine.blogspot.com/2011/04/p103-o-dia-dos-combatentes.html
http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/2011/04/guine-6374-p8128-controversias-119-10.html
Não por o texto ter sido escrito por mim
e ter tido poucos ou quase nenhuns comentários, (porque
isso para mim não tem qualquer importância), mas sim
porque revela um alheamento de um assunto, que a meu ver
se reveste de enorme importância para todos nós
Combatentes.
Dá a impressão, (ou pelo menos a falta de
comentários passa essa impressão), de que perante a
recusa por parte da organização do 10 de Junho, às
pretensões que o António Martins Matos lhes revelou da
nossa parte, todos se desinteressaram do assunto, assim
à velha maneira portuguesa do “não vale a pena”.
Protestamos, queixamo-nos, revoltamo-nos,
indignamo-nos, mas afinal não somos capazes de nos
unirmos num projecto que leve a cabo um verdadeiro Dia
dos Combatentes em Portugal.
O texto que escrevi não serve? Não é
aquilo que se pretende? Não são aqueles os melhores
passos a dar?
Tudo bem, não há problema nenhum nisso!
Mas então critiquemos, tenhamos ideias,
façamos propostas, mas ao menos testemunhemos que não
nos calamos e vamos fazer o que é preciso, contando ou
não com o apoio das instituições do país, sejam elas
quais forem.
É que, quer queiramos, quer não, a imagem
que passamos, é a de que a proposta de um verdadeiro Dia
dos Combatentes é apenas a vontade de uns “carolas”, e
que os combatentes no geral se estão “borrifando” para o
assunto.
Assim vamos dando razão aos “profetas da
desgraça”, que sempre profetizam a impossibilidade de
nos unirmos, a impossibilidade de conseguirmos o nosso
Dia dos Combatentes, a impossibilidade de sermos
atendidos nas nossas pretensões, ou até de conseguirmos
por nós próprios levar a cabo a realização de um tal
evento.
E estes “profetas da desgraça”, não são
só exteriores aos combatentes, pois também os há no meio
de nós.
Eu, (falo por mim), não quero fazer um
qualquer desfile exterior a umas cerimónias de um
determinado dia, como uma coisa do tipo: “Deixa-os lá
desfilar, coitados, que depois já não chateiam mais!»
Não, eu quero um Dia dos Combatentes, (10
de Junho ou outro qualquer), mas um Dia que seja nosso,
para homenagear os nossos mortos, para homenagear
aqueles que deram o melhor de si ao serviço da Pátria, e
que fomos todos nós.
Um Dia dos Combatentes que a eles
pertença, e não um dia de discursos circunstanciais, de
uns quaisquer políticos e umas outras figuras, de umas
quaisquer instituições, mais ou menos “estatizadas”.
É nesse sentido que aponta o texto acima
referido e que eu esperava bem, fosse criticado,
analisado, apoiado, corrigido e servisse de partida para
fazermos o que é nosso por direito próprio.
Escusamos de pensar para agora, mas sim,
para o futuro mais próximo, (o próximo ano?), dando
passos seguros, firmes e inabaláveis, que não se deixem
abater por umas quantas portas fechadas.
Mostremos a nossa determinação, a nossa
vontade, o nosso querer, de tal modo que aqueles que têm
de autorizar oficialmente o Dia dos Combatentes,
percebam que não desistimos, que não quebramos, e que
estamos unidos.
Abrimos estradas por matas densas,
rompemos trilhos por matas desconhecidas, fizemos
quartéis onde nada havia, levantámos minas que nos
queriam armadilhar, levámos algum conforto a algumas
populações.
É tempo de cuidarmos de nós, antes que os
nossos filhos e netos não percebam o que passámos, antes
que nós próprios nos esqueçamos que existimos.
O tempo é agora, as propostas estão
feitas nesse texto, que pode e deve receber o concurso
de todos.
Por isso mostremos que não somos só
palavras, que não estamos velhos, mas que ainda podemos
mostrar aos de agora, e aos vindouros, que a
determinação que vivemos, continua viva em nós.
Não somos velhos, não deixamos que nos
esqueçam.
Somos vivos e estamos aqui!
Ao trabalho pois então, pelo Dia dos
Combatentes!
Monte Real, 28 de Abril de 2011
Joaquim Mexia Alves