Alcançada a Liberdade da Pátria em
1640, tornava-se necessário fazer
uma rápida preparação militar, para
a luta que teria de travar-se, a fim
de assegurar a independência
nacional.
Para o efeito, nomeados governadores
das armas com latos poderes para as
cinco províncias em que então se
dividia o território nacional, foram
também despachados homens de
confiança para os pontos mais
importantes, encarregados de
levantar gente para a guerra e de
organizar unidades militares.
Para Castelo de Vide foi enviado, em
21 de Dezembro de 1640, D. Nuno de
Mascarenhas, tendo recebido em
Janeiro do ano seguinte a categoria
de Mestre de Campo, sendo-lhe dada
ordem para remeter à Praça de Armas
do Alentejo, Praça de Elvas, a gente
que fosse recrutando.
Em 12 de Junho, Salvador de Brito
Pereira, Alcaide-Mor de Alter do
Chão, foi encarregado de levantar
gente naquela vila, em Monforte,
Sousel e Castelo de Vide.
As tradições do Regimento de
Infantaria n.º 8, começam com o
Terço de Castelo de Vide, na célebre
Batalha de Montijo, travada em Maio
de 1644, contra as tropas
espanholas. Depois em 1651, tomou
parte no ataque a Salvaterra e no
cerco de Badajoz em 1657.
Participou, em 1659, na batalha de
«Linhas de Elvas», em 1663 na de
«Ameixial» (recuperação de Évora),
no assalto a Valença de Alcântara
(1664) e na batalha de Montes Claros
(recuperação de Vila Viçosa) em
1665.
Todos estes gloriosos feitos de que
o actual Regimento de Infantaria 8
(RI8) pode orgulhar-se, se
processaram durante a campanha da
Restauração.
Durante a Guerra da Sucessão de
Espanha, o Terço de Castelo de Vide,
tomou parte no cerco e rendição de
Valença de Alcântara. Em 1703, por
decreto de 11 de Novembro de 1707,
passou a denominar-se Regimento de
Infantaria da Praça de Castelo de
Vide, e continuou a fazer parte do
Exército de operações que combatia
contra a Espanha, na guerra que
terminou em 1714. Manteve esta
designação até 1762; mas, em
Setembro deste ano, por proposta do
Conde de Lippe, se procedeu ao
desdobramento em 1.º e 2.º
Regimentos de Infantaria da Praça de
Castelo de Vide. Terminada a rápida
campanha contra a Espanha, as
unidades foram reintegradas na
antiga, voltando, em Maio de 1763, a
existir somente o Regimento de
Infantaria da Praça de Castelo de
Vide.
A partir de 19 de Maio de 1806, data
em que o Conde da Barca reorganizou
o exército, dando aos Regimentos uma
numeração seguida, o Regimento da
Praça de Castelo de Vide passou a
designar-se por Regimento de
Infantaria n.º 8, continuando
aquartelado em Castelo de Vide.
Entre 1810 e 1814, o Regimento de
Infantaria 8 (RI8) participou na
Batalha do Buçaco (1810); cerco de
Almeida, Fuentes de Oñoro, Albuera,
Ciudad Rodrigo e Sítio de Salamanca
(1811); Sítio de Burgos e Batalha
dos Pirenéus (1812); Batalha de
Nivelle, Combate de Urdach, Batalha
de Nive, Combate de Turbes e
Bloqueio de Pamplona (1813); Batalha
de Orthez, Toulouse, Combate de
Bederere e Combate de Barcelona
(1814).
Foi no Buçaco que o Regimento de
Infantaria 8 (RI8) escreveu mais uma
brilhante página de heroísmo para o
seu já glorioso historial. Os
franceses julgavam-se senhores de
todas as posições, surge uma carga
de baioneta, dada pelos Regimentos
45 e 88 ingleses e pelo 8 de
Infantaria portuguesa, que fez
frustrar por completo as aspirações
dos calejados «poilus» de Napoleão,
habituados a violar fronteiras como
quem vai para uma parada e a vencer
as batalhas mais difíceis.
Esta carga causou a mais funda
impressão no espirito dos dois
chefes ingleses.
Wellington, na parte oficial da
batalha dada ao Conde de Liverpool,
dizia:
«...Peço permissão para assegurar
a V. Ex.ª, que nunca presenciei um
mais bravo ataque, do que aquele
feito pelos regimentos 88 e 45 e
pelo regimento português n.º 8 sobre
a divisão inimiga que havia subido a
serra...»
Por sua vez, o Marechal Beresford
escreveu:
«A conduta do regimento n.º 8 foi
extremamente brilhante, pelo ataque
de baioneta que fez ao inimigo com
os regimentos ingleses.»
Terminada a guerra Peninsular o
bravo Regimento de Castelo de Vide
passou em 1816 para Castelo Branco.
Surgem as lutas civis em 1828 e o
Regimento de Infantaria 8 (RI8)
coloca-se do lado da facção realista
contra as hostes liberais, que
seguiu até ao fim da luta.
Por decreto de 9 de Julho de 1829,
os Corpos deixaram de ter número e
passaram a ser designados pelos
nomes das terras onde tinham seus
quartéis; e em virtude desse
documento e por força do decreto de
15 de Abril de 1830, passou a
designar-se por «Regimento de
Infantaria de Extremoz». Mas voltou
a ser Regimento de Infantaria n.º 8
por decreto de 19 de Fevereiro de
1834, por a experiência ter
demonstrado que a nova organização
não satisfazia as necessidades do
Exército.
Neste mesmo ano foi dissolvido, nos
termos da Convenção de Évora Monte,
mas logo reorganizado em 18 de
Julho, continuando em Extremoz. Em
1835 teve quartel em Elvas e Setúbal
e pelas reformas militares em 1837,
pelas quais foram extintos os
Regimentos de Infantaria, foi
organizado em Penafiel o Batalhão de
Infantaria n.º 8.
Em 1841 foi colocado na cidade de
Braga, onde ainda se encontra.
Pelas reformas militares em 1842
passou a ter novamente a categoria
de Regimento, visto não ter
resultado a experiência de 1837.
Fm 1846, resiste no seu quartel ao
assalto dos partidários da Revolta
da Maria da Fonte e participa na
Acção de Torres Vedras.
Chegamos à Grande Guerra que
ensanguentou a Europa de 1914 a 1918
e um Batalhão do Regimento de Braga
marchou para a Flandres, onde
constituiu, com os Batalhões de
Infantaria 3, 20 e 29, a distinta
Brigada do Minho, que deixou de si
nome perdurável. Foi ela que
suportou, na manhã nevoenta de 9 de
Abril, a maior avalancha alemã que
se abateu sobre as trincheiras
portuguesas. As vagas sucediam-se
ininterruptas contra o Batalhão do
8, as quais os soldados do Minho
repeliam com impressionante firmeza.
(Batalha de La Lys, Fauquissart e
Red House — 1918).
Passam-se anos e é em Braga, no
quartel de Infantaria n.º 8, que tem
início a revolução de 28 de Maio de
1926, chefiada por essa prestigiosa
figura militar que se chamou Manuel
de Oliveira Gomes da Costa.
Na Guerra Mundial que começou em
1939 e só terminou em 1945,
Infantaria 8 mobilizou um Batalhão,
ao qual foi dado o n.º 68, que foi
guarnecer a nossa Província de
Moçambique, onde permaneceu 4 anos.
Regressou ao Continente em 1944,
deixando, contudo, na terra
portuguesa de Africa, 12 soldados
valorosos, que sucumbiram às fadigas
e trabalhos que tiveram de suportar,
os quais o Regimento e a Pátria não
poderão nunca esquecer.
Hoje, como nos 324 anos da sua
existência, dando continuidade ao
seu glorioso passado, o brioso
Regimento de Infantaria n.º 8,
prepara homens para defesa da
integridade do solo Pátrio nas
terras longínquas do nosso Ultramar,
nesta hora grave da nossa História,
como o atestaram as Subunidades nele
formadas:
Companhia de Caçadores 94 (CCac94)
destacada para a Guiné;
Comando e Companhia de Comando [CCS]
do Batalhão n.º 159 [BCac159],
Companhia de Caçadores 152 (CCac152)
e Pelotão de Morteiros n.º 20
(PelMort20) destinados a Angola.
Tem o Regimento de Infantaria n.º 8.
como se vê, pergaminho, e pedra
armoriada no historial do Exército
Português.





