Rui Manuel Pereira Retorta, Alferes Mil.º
de Infantaria
"Pouco se fala hoje
em dia nestas coisas, mas é bom que para
preservação do nosso orgulho como Portugueses,
elas não se esqueçam"
Barata da Silva, Vice-Comodoro

Rui
Manuel Pereira Retorta
Alferes Mil.º de
Infantaria
Comandante
de pelotão da
11.ª
Companhia de Caçadores Eventual
«POR
ETERNO NOME E GLÓRIA»
Regimento de Infantaria de
Nova Lisboa
«FERVET OPUS»
Região
Militar de Angola
«CONSTANTE
E FIEL»
«AO DURO
SACRIFÍCIO SE OFERECE»
Angola: 26Abr1961 a 30Jul1962
(data do falecimento)
Medalha de Ouro de
Valor Militar com Palma
(Título
póstumo)
In
Memoriam: Alferes Miliciano de Infantaria
Rui Manuel Pereira Retorta
«Por Eterno Nome e Glória»
Há nomes que o tempo não apaga, porque foram
escritos com o sangue da bravura e o cinzel
do dever cumprido. O Alferes Miliciano de
Infantaria Rui Manuel Pereira Retorta é um
desses nomes imperecíveis.
Nascido
no coração do Porto, na histórica freguesia
de Santo Ildefonso, filho orgulhoso de
Francisco Retorta Correia da Silva e de
Maria Augusta Marque Pereira Retorta, e
esposo de Margarida Rosa Osório Pereira
Retorta,
ele partiu da sua pátria lusa para entrar,
em definitivo, na galeria dos heróis
nacionais.
Mobilizado pelo Regimento de Infantaria 6
(Porto)
— sob o lema imortal de «Valor, Lealdade e
Mérito» —, Rui Retorta cruzou o Atlântico
para servir Portugal no exigente cenário da
Província Ultramarina de Angola. Ali,
assumiu o
comando
de pelotão da 11.ª Companhia de Caçadores
Eventual «POR ETERNO NOME E GLÓRIA» do
Regimento de Infantaria de Nova Lisboa
«FERVET OPUS», subunidade adida ao Batalhão
de Cavalaria 350, os temidos «GATOS BRAVOS».
O
Forjador de Homens e a Coragem Debaixo de
Fogo
Durante mais de onze meses de intensa
campanha no Norte de Angola, o Alferes Rui
Retorta não foi apenas um comandante; foi o
farol e o escudo dos seus homens. Na
fustigada região de Cassoneca, entre Agosto
de 1961 e Maio de 1962, revelou-se o grande
obreiro da pacificação. Onde o perigo
espreitava, ele era o primeiro a
oferecer-se. Internando-se nas matas
profundas, seguindo os trilhos mais
recônditos, desbaratou acampamentos e
neutralizou ameaças com uma "serena energia"
que impunha respeito a aliados e
adversários.
A sua têmpera de líder ficou gravada a
letras de ouro quando, em dezembro de 1961,
sofreu um grave acidente que lhe imobilizou
e engessou um braço. Recusando a comodidade
do hospital e o afastamento do perigo,
permaneceu catorze dias na frente de
combate, de gesso ao peito, a comandar
batidas e emboscadas. Este acto de sublime
abnegação gerou nos seus subordinados uma
veneração que ultrapassava as barreiras da
hierarquia militar: era a lealdade pura a um
chefe que nunca os abandonava.
O
Sacrifício Supremo em Canacassala
O destino, contudo, aguardava-o na picada
que ligava a fazenda João Marques a
Canacassala. No dia 30 de Julho de 1962,
após a sua companhia ter enfrentado com
bravura dois ataques consecutivos, a
determinação do Alferes Retorta cruzou-se
com a ameaça invisível do mais letal inimigo
daquela região: o atirador furtivo da UPA,
António Fernandes,
conhecido pela lenda negra de
"Mata-Alferes", da autoria do veterano JC
Abreu dos Santos.
Nas proximidades da antiga Missão
Protestante, um único disparo de longa
distância ceifou a vida deste jovem e
brilhante oficial. Caiu no cumprimento do
dever, com o rosto voltado para o perigo,
entregando à Pátria a dádiva máxima que um
soldado pode oferecer: a própria vida.
O
Reconhecimento Eterno: A Medalha de Ouro de
Valor Militar
A Pátria soube reconhecer o heroísmo do seu
filho. Através da Portaria de 12 de
Fevereiro de 1963,
foi-lhe concedida, a título póstumo, a
Medalha de Ouro de Valor Militar com Palma,
a mais alta e nobre distinção de bravura do
Estado português. O seu louvor oficial
imortalizou o "oficial competentíssimo,
íntegro... de inigualável coragem, decisão e
sangue-frio.
Hoje, as suas cinzas repousam no Cemitério
do Alto de São João, em Lisboa, mas a sua
alma e o seu exemplo continuam vivos na
memória daqueles que com ele marcharam e na
história militar de Portugal.
Ao Alferes Rui Manuel Pereira Retorta, ao
homem que preferiu o risco da trincheira ao
conforto do hospital, ao comandante que deu
a vida pelos seus homens e pelo seu país,
prestamos esta sentida homenagem.
«Ao duro sacrifício se oferece» - E ele
ofereceu-se inteiro.
Paz à sua Alma.