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Algum tempo depois
seguiu para o Zala (ZMN) um outro destacamento.
O restante pessoal
continuou em Luanda. Os condutores foram-se
habituando às novas viaturas "Magirus" e os
operadores de máquinas de terraplanagem em
diversos trabalhos, nomeadamente à desmatação da
picada da Cintura de Luanda. O restante pessoal
empenhou-se em trabalhos de construção dos quais
há a salientar no Hospital Militar de Luanda, no
Quartel de Transmissões e uma oficina nos
Dragões.
A 03 de Maio a
Companhia parte para o Sector do Bié, Sub-Sector
do Chitembo para dar início aos trabalhos da
época seca.
Divide-se em dois
destacamentos. Um de obras de arte que fica no
Mutumbo sob as ordens do Alferes Ferrand de
Almeida e que tem por missão a construção de 2
pontes.
Uma sobre o Rio Cuanza
com 24 metros de vão livre e outra sobre o Rio
Luâmbua com 20 metros de vão.
Estas duas pontes de
um único vão têm apoios de betão e o vão foi
vencido com perfis em "I" e os tabuleiros em
madeira.
O segundo destacamento
ficou no Umpulo sob o comando do Alferes José
Ferreira e no dia 17 de Maio dá início á 1ª fase
da "Operação Passo em Frente", com a abertura do
itinerário definido pela vila de Umpulo e a
nascente do Rio Cuvelai numa extensão de 140 Km.
Durante
esta operação, no dia 13 de Setembro, houve o
rebentamento de 2 minas anti-carro que
provocaram 20 feridos sendo um deles o Alferes
José Ferreira da 3336 e os restantes da
Companhia de Cavalaria 2720. Ainda no dia
13, á noite, houve um ataque á base táctica que
durou cerca de 15 minutos. Fomos atacados a tiro
de metralhadora e morteiro, mas felizmente não
houve feridos. No dia 19 a Comp. de Cav. 2720
rebentou mais uma anti-carro tendo ficado ferido
o Alferes Maia daquela Companhia.
Esta 1ª fase termina
no dia 20 de Outubro de 1971. Ao mesmo tempo
inicia-se a construção da ponte sobre o Rio
Cuanza. No início de Novembro avança para o
Mutumbo a frente de abertura que atravessa com
as máquinas a vau o Rio Luâmbua e dá-se início á
abertura do troço Rio Luâmbua/Nascentes do Rio
Cuvelai numa extensão de aproximadamente 80 Km.
Entretanto o Destacamento do Mutumbo já abrira
os 20 Km iniciais entre o Mutumbo e o Rio
Luâmbua.
Ao mesmo tempo começa
a construção da ponte sobre o Rio Luâmbua e do "Drift"
localizado na proximidade daquela obra de arte.
Assim que se atingiram as nascentes do Rio
Cuvelai procedeu-se á desmatação para a
instalação duma Companhia de Caçadores e a pista
de aterragem.
A abertura deste
itinerário envolvente e de alternativa
destinava-se a desalojar o IN e ao mesmo tempo
possibilitar não só o apoio logístico à futura
unidade a instalar nas nascentes do Rio Cuvelai
como também ao lançamento de operações através
dela. Também como ideia futura criar a partir
desse itinerário uma série de penetrantes, o que
viria a suceder com a realização na 2ª época de
trabalhos das Operações 2ª fase "Mucusal" e
"Extemporânea".
No dia 18 de Janeiro
de 1972 dão-se por concluídos os trabalhos da
época seca.


Durante o período das
chuvas procede-se á recuperação de todo o
equipamento e dá-se início às obras de
construção pelos destacamentos da Companhia nos
Quartéis das Companhias de Caçadores 3321 (Umpulo)
e Companhia de Caçadores 3323 (Mutumbo).
Assim foram feitas as seguintes obras:
No Umpulo:
Abastecimento de água.
Duas casernas para
praças.
Instalações sanitárias
para praças.
Refeitório e cozinha.
Rede de esgotos.
Diversas arrecadações.
No Mutumbo:
Duas casernas para
praças.
Instalações sanitárias
para praças.
Forno para pão.
Refeitório e cozinha.
SEGUNDA FASE
No dia 05 de Maio de
1972 faz-se a mudança da base recuada do Umpulo
para o Mumbué. Entretanto continuam no Umpulo e
no Mutumbo pequenos destacamentos destinados à
conclusão das obras aí em curso.
A 13 de Junho de 1972
dá-se inicio á primeira fase da "Operação
Mucusal" com a abertura do troço entre o Mumbué
e as nascentes do Rio Cuvelai numa extensão de
aproximadamente 105 Km e que termina no dia 12
de Agosto.
A 15 de Agosto dá-se
início à 2ª fase da mesma operação com a
abertura do troço entre a nascente do Rio Nhama
- Salumana (Rio Cuito) numa extensão de 60 Km.
Numa 3ª fase
procedeu-se à beneficiação de retorno destes 60
Km mais 40 Km da época finda entre as nascentes
dos Rios Nhama e Cuvelai.
No dia 22 de Setembro
atinge-se novamente o Mumbué com todo o pessoal
e equipamento. Entretanto segue-se uma fase de
recuperação de todo o equipamento.
É ainda pedido à
Companhia a abertura dum itinerário com 59 Km
ligando as nascentes dos Rios Mancanda e Cuito
por ter sido detectada uma ponte sobre o Rio
Cuito.
Faz-se avançar
rapidamente para o Umpulo uma equipa de abertura
a qual no dia 05 de Novembro dá início à
"Operação Extemporânea". Numa 1ª fase, com a
duração de 5 dias, abrem-se aqueles 59 Km que
viriam a sofrer beneficiação de retorno nos 5
dias que se seguiram.
No dia 20 de Novembro
reuniu-se no Mumbué toda a Companhia e inicia-se
a retirada de todo o pessoal e equipamento, por
escalões, para o Luso.
O dia 05 de Janeiro de
1973 foi a data oficial do fim da Comissão.
Como após aquela data
se continuasse no Luso, executaram-se ainda os
seguintes trabalhos:
--Construção de uma
caserna no Quartel de Engenharia.
--Vedação das Oficinas
de Fardamento e Equipamento.
--Desmatação de 4
hectares no I.A.A.
--Beneficiação da
pista de aterragem de Cangamba,
--Trabalhos no
Hospital Militar do Regional do Luso, além de
outros trabalhos.
No dia 01 de Março de
1973 ida do 1° escalão para Luanda.
No dia 20 de Março ida
do 2° escalão para Luanda.
Naquela
data chegou a Companhia de Engenharia 9145/73
que nos foi render.
Esta Companhia era
comandada pelo Capitão Luís Vasco Valença Pinto
que viria mais tarde a ser o Chefe do Estado
Maior das Forças Armadas.
A Companhia de
Engenharia 3336 "Aquela Máquina" regressou a
Lisboa num avião dos TAM com a missão cumprida,
uma parte em 28 de Março e a restante em 30 de
Março de 1973 ao fim de 27 meses de comissão.
Após a chegada
dirigiu-se o pessoal ao Regimento de Engenharia
1 (Pontinha) onde foi feito o espólio do
fardamento que restava e cada um voltou a suas
casas com a noção do dever cumprido.