Na
Fazenda Beira Baixa, o reabastecimento às nossas
tropas, era difícil devido ao facto dos
guerrilheiros da UPA montarem emboscadas diárias às
patrulhas que reabasteciam as tropas ali
acantonadas.
Recordo que, durante uns três dias, esgotaram-se as
rações de combate e nem sequer havia bolachas de
água e sal para, ao menos, “enganar o estômago”.
Nesse período, houve apenas e no máximo, duas
refeições diárias. O pequeno almoço não ia além de
um púcaro de
café, desacompanhado de pão ou bolacha.
Ao almoço, a refeição era única e simplesmente:
macarrão com chouriço, e, à noite, para variar!…
chouriço com macarrão.
Por vezes houve necessidade de recorrer ao reabastecimento aéreo, pouco prático porque os pesados sacos com os víveres, ao serem lançados de uma altura bastante considerável para o interior do aquartelamento, batiam estrondosamente no solo e ficavam em muito mau estado de utilização, não deixando, por isso, de serem convenientemente aproveitados.
Numa das patrulhas de reabastecimento terrestre, foi
morto, numa emboscada do IN, o Alferes Barrilaro
Ruas, da CC 117. No âmbito da toponímia, a autarquia
de Lisboa, em sessão de câmara, deu o nome, desse
mártir da guerra colonial, a uma rua da capital.
Trata-se da
Rua Alferes Barrilaro Ruas,
em Santa Maria dos Olivais. Situa-se entre a Rua
General Silva Freire e a Rua Sargento Armando
Monteiro Ferreira (Bairro Olivais Norte). Deste
episódio, e não só, falará o meu amigo Alferes,
Nobre de Campos, no Blog CC 115, porque foi ele
quem, com o seu 3º. Pelotão, avançou em socorro
dessa coluna de reabastecimento tendo o pelotão sido
também flagelado pelo IN, logo que chegou ao local.
Refiro apenas que a CC 115, sofreu ali mais 2 mortos
e alguns feridos com gravidade.

José
António Barrilaro Fernandes Ruas