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Angola

ANGOLA - IMAGENS - Cedidas por ex-Combatentes ou em sites próprios

 

 

Eduardo José dos Reis Lopes

 

ex- Alferes Mil.º de Infantaria de Operações Especiais 'Ranger'

 

Cruz de Guerra de 4.ª classe

 

Companhia de Caçadores 2600

 

Batalhão de Caçadores 2887

 

Angola - 1969 / 1971

 

 

 

Biografia militar (resumida)

 

Estive no CIOE, no 1º Turno de 1969.

 

Cumpri uma comissão de serviço na Região Militar de Angola, de 28Out1969 a 03 Nov1971, integrado no BCac2887/CCac2600, que se formou no RI2, em Abrantes.

 

O destino do Batalhão na RMA foi Quicabo, sede do batalhão, onde ficou a CCS e a CCac2599, com dois pelotões destacados na Fazenda Margarido; a minha CCac2600 teve como destino Balacende; e a CCac2601 ficou na Fazenda Maria Fernanda.

 

Neste dispositivo ficámos 18 meses. Balacende era um aquartelamento completamente isolado, um verdadeiro oásis rodeado de capim, morros e mata.

 

Foi neste teatro-de-guerra que o meu Grupo de Combate teve uma actividade operacional intensa, tendo efectuado cerca de 32 operações nas zonas do Quifusse, Canacassala, Quiemba, Quijimos, Quipetelo, Quijoão, Missão e Dange, onde criámos no IN (FNLA e MPLA) um clima de insegurança, que se manteve durante os 18 meses que estivémos naquela zona.

 

Para além destas operações, participámos em inúmeras acções de menor envergadura, como: montar emboscadas, patrulhamentos de reconhecimento ao logo do Rio Lifune e Rio Dange; e protecção à JAEA.

 

O meu Grupo de Combate efectuou operações a nível da companhia, do batalhão e do sector - por ex. a operação "Não Esqueceremos" e a operação "Vind'a Nós" -, juntamente com o BCac2859 de Nambuangongo (CCac2459 da Fazenda Beira Baixa), com a 30ªCCmds e com os "Flechas" (DGS/Caxito).

 

Para além disto, ainda nos sobrava tempo para fazer escoltas aos MVL's e à JAEA, pelo que as picadas Caxito- Quicabo-7Curvas-Balacende-Fazenda Beira Baixa-Onzo-Nambuangongo-Zala, e Balacende-Fazenda Margarido-Fazenda Maria Fernanda-Dange, deixaram de ter segredos para nós.

 

Após 18 meses em áreas de assinalada agressividade inimiga, o BCac2887 rodou para a Fazenda Tentativa, a cerca de 3Km do Caxito, onde ficou a CCS e a minha CCac2600, com um pelotão reforçado destacado na Fazenda Libongos e na Barra do Dande. Na Fazenda Tabi ficou a CCac2599 com um pelotão destacado na Fazenda Horta do Marquês; e a CCac2601 ficou nas Mabubas.

 

Neste novo teatro, participámos em duas operações a nível Comando de Sector - a "Estocada Directa" e a "Impedir" -, fizemos escoltas a MVL's nas estradas Caxito-Ambriz e Caxito-Piri-Úcua e protecções à JAEA, não descurando as acções psico-sociais junto das populações.

 

O louvor que origina a atribuição da Cruz de Guerra de 4ª classe, destaca:

 

1. operação em Canacassala, tendo o IN desencadeado intenso fogo, encontrando-me na retaguarda da coluna, imediatamente avancei arrastando comigo o GC e, fazendo fogo de pé (para melhor localizar o IN), neutralizei a emboscada.

 

2. no assalto à base "Checoslováquia" do MPLA, onde se encontrava o "Monstro Imortal" comandante da 1ª região do MPLA, este com a sua guarda pessoal armada de Kalashnikov, PPSH e carabina Simonov, fez-nos frente entrincheirados durante cerca de longos 20 minutos, tendo finalmente o meu CG avançado e entrado na base pondo o IN em fuga.

 

3. emboscada à noite [18:15 18Fev70], na picada Fazenda Beira Baixa-Balacende, a uma coluna-auto de 6 viaturas, a dois GC, o IN isolou a 4ª viatura e, dos 8 ocupantes do Unimog, fez 2 mortos, 2 feridos graves e 2 feridos ligeiros; eu que me encontrava na 1ª viatura, reagi avançando com o GC para a zona-de-morte e fazendo fogo impedimos o IN de ir à picada, apanhar o armamento dos mortos e feridos.

 

4. emboscada a cerca de 3Km de Balacende a uma coluna-auto (viaturas civis com tapais), do batalhão "maçarico" de Nambuangongo [BArt2900], o IN desencadeou violenta acção, cuidadosamente preparada para desmoralizar tropas recém-chegadas à Província de Angola: encontrando-me no aquartelamento de Balacende, imediatamente com o meu GC arrancámos em acção de socorro, pondo o IN em fuga e regressando com a coluna para Balacende, onde procedemos à evacuação de 1 ferido pelo IN e de 2 tropas com insolação.

 

Apesar dos destaques referidos, julgo que atribuição da Cruz de Guerra, se deveu à intensa actividade operacional do meu GC (constituído maioritariamente por transmontanos), e ao seu espírito decidido e ofensivo, o que levou o Comandante do Batalhão a louvar-me por «possuidor de vincado espírito ofensivo e galvanizador de ânimos, apareceu sempre nos locais e situações em que as NT corriam maiores riscos, arrastando com determinação e indiferença pelo perigo os elementos do seu GC e mesmo algumas vezes a subunidade a que pertence», e acabou com «as excepcionais qualidades de combatente abnegado e amante do risco, tornaram o Alf. Lopes digno de admiração e apreço dos superiores e subordinados, dando-lhes jus a ser apresentado como exemplo militar, cujo exemplo é digno de ser seguido».

 

Claro que tudo devo, à preparação militar adquirida no CIOE e aos valentes Soldados, Cabos e Furriéis do meu Grupo de Combate, de que muito me orgulho e honro de ter liderado.

 

Eduardo José dos Reis Lopes

 

 

 

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