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Angola

ANGOLA - IMAGENS - Cedidas por ex-Combatentes ou em sites próprios

 

Ângelo Ribau Teixeira, ex- 2.º Sargento Mil.º

 

Companhia de Caçadores Especiais 306

 

Batalhão de Caçadores Especiais 357

 

Angola - Pangala (Agosto de 1962)

 

 

Aquartelamento de PANGALA (entre São Salvador do Congo e Buela)

 

Oh Muxima

 

Os tempos do “Norte” acabaram. As seguranças às colunas de  reabastecimento também. Com essas operações ficámos a conhecer muitas terras dos Dembos: - Nambuangongo, Quipedro, São José de  Encoje, Vista Alegre…

 

Agora, aqui na Muxima a fazer lembrar o Duo “Ouro Negro” é um descanso. Com o rio Quanza mesmo aqui ao lado, um rio tenebroso, de grande caudal e profundidade. Tinha chovido há dois dias para o lado da sua nascente. A barragem de Cambembe que fica para nascente da Muxima teve de fazer uma descarga de segurança. O rio subiu mais de um metro.

 

Eu estava com o enfermeiro civil no Cais de Desembarque, quando noto uma cena que ainda hoje me não esquece: - Rio abaixo vinha uma ilhota com um coqueiro e uma cubata! Chamei a atenção do enfermeiro que me informou ser natural. Os pretos gostam de ter as suas habitações junto à agua e de vez em quando, quando a chuva é muita, sofrem estes dissabores.

 

O tempo depois da chuvada tinha ficado quente. Resolvi ir até à caserna, um armazém cedido pela administração. Sempre era mais fresco.

Tirei a camisa que dependurei na barra da cama, e para ali fiquei naquela modorra, olhos fechados saboreando o nada fazer.

Nisto ouço entrar na “caserna” a lavadeira, uma pretinha dos seus dezoito anos. Olha em volta e não vê nenhum tropa. Entretanto chega um soldado

e pergunta-lhe se é ela que vem buscar a roupa para lavar, como a querer meter conversa.

- Sou eu, os tropa disse que havia roupa para lavar!

- Está ali dentro diz o soldado. E leva a moça para o fundo da caserna. Puxo o “quico” para a frente dos olhos e fico curioso com a conversa do soldado, para a lavadeira.

- Olha, dou-te dez angolares!

Mau pensei eu, aqui há mais do que roupa para lavar.

- Tá bem, então dou-te vinte escudo do “Puto”

Ela continuava a não estar convencida. Ele insistia:

- Vinte escudos é muito dinheiro, alem disso eu sou sargento…

Olho para o local onde tinha dependurado a minha camisa. Ele não estava lá…

A moça irritada, diz: - “No mataco não, nem quI fora um Tinente”.

Pega no braçado da roupa e sai caserna fora!

 

Ribau

 

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