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Visita ME a Angola

Visita do Ministro do Exército a Angola

 

Fontes:

Jornal do Exército, ed. 20, págs. 5 a 10, de Ago1961

Jornal do Exército, ed. 21, págs. 8 a 10, de Set1961

Apoio de um colaborador do portal UTW

 

«O nosso Ministro de visita ao Portugal Angolano»

 

«Não fazia sentido que o Ministro do Exército se não deslocasse aos lugares onde as suas Forças se concentram e combatem.»

 

(Do discurso proferido por S. Ex.ª o Ministro Exército no Q.G. da 3.ª R.M. no dia 27 de Julho)

 

O Jornal do Exército, aqui, no Portugal Europeu, tão longe e tão perto de ANGOLA, via a viagem e sentiu a viagem.


Viu e pulsou, como o Exército, quando no dia 28 de Julho S. Ex.ª visitou o CAXITO e se congratulou com a obra viva da recuperação político-social.


Depois, foi a cavalgada no tempo e na acção: ÚCUA e as condecorações - NEGAGE e CARMONA onde foi possível ver, perfeitamente a nu, as chagas abertas na População Civil de todas as cores - Os bivaques do GRAFANIL, onde a tropa se preparava para a acção - O salto a CABINDA, em cuja estrada para a LÂNDANA os nativos, regressando às sanzalas, saudaram a caravana oficial - O voo ara MAQUELA DO ZOMBO e MINAS DO MAVOIO e a noite junto dos bravos no DAMBA - o percurso da região do algodão: CATETE, SALAZAR, LUCALA (lembraram-se? Aqui receberam as suas medalhas os cinco moços que se tinham batido, perto, na CAMABATELA - [1.º Cabo Manuel Pereira de Sousa, 1.º Cabo António Ramos Pires, 1.º Cabo António Antunes da Fonseca, Soldado Manuel André Vicente e Soldado António Lopes Torres)] e, depois, MALANGE - Pelo mar, no «Pero Escobar», até AMBRIZETE - Finalmente, as visitas a NOVA LISBOA, SÁ DA BANDEIRA, BENGUELA e LOBITO.


Da linha contínua de trabalho com cerimónias, conferências, visitas e inspecções que liga 26 de Julho a 8 de Agosto, deseja o Jornal do Exército, porque sabe quanto isso é mais grato a S. Ex.ª o Ministro, destacar as Ideias-Base para a vida de acção do Exército na luta tenaz da província de Angola.


«A acção do Exército, agora e no futuro, será tanto mais completa e perfeita, quanto mais se fundamentar numa estreita colaboração com as Populações e Autoridades Civis. Há toda uma obra de recuperação político-social a realizar e o Exército saberá ir construindo os novos tempos por essa forma correspondendo, aliás, aos mais puros princípios da nossa acção no Ultramar.»


Nestas palavras do Chefe do Exército proferidas em MALANGE, no dia 3 de Agosto, há um chamamento à plena compreensão da espécie de luta travada e da coesão exigida.


Numa guerra, sem objectivos militares rigorosamente definidos, sem frente e quase sem retaguarda, onde o inimigo se pode incrustar no seio da população nativa e aproveitar dos seus naturais receios, há que procurar e aproveitar, até nos mais baixos escalões de comando, a ajuda da autoridade e da População de cujo conhecimento dos problemas a solucionar se não pode, e muitas vezes se não deve, prescindir.


«Está aqui, viva e bem exemplificada, a obra a que todo o Exército se devotará em toda a Província.»


Esta exclamação do Ministro na visita ao CAXITO, ao apreciar a obra de recuperação político-social, decerto significa que não há Paz verdadeira sem o perfeito sentido de procurar entender e melhorar quem é humilde e inculto e, sobretudo, significa que devem preocupar-se os Comandos em todos os escalões, em distinguir quem é o Agente, a esmagar sem piedade, entre os muitos que só a violência pode levar, sem convicção, a lutar contra os interesses da sua e nossa Terras.


«E o Exército está aqui para VENCER» - disse-se na secção de Boas-Vindas na cidade de CARMONA.


E está. Provam-no: aquela frase do soldado que em NEGAGE afirmou ao seu Ministro estar ali «a pau com a escrita» de tão atento e vigilante que estava; as operações conduzidas sem precipitações mas também sem mercê contra os que a não podem merecer e, no cume, a perfeita coesão das três Forças Armadas.


Tudo para que no PORTUGAL DE ANGOLA se saiba, em testemunho vivo para lá levado pela tropa Branca, que o «Deus do Branco não está morto», como o faz crer a feitiçaria e, antes, a todos cobrirá, Pretos, Brancos e Mestiços, com a sua bênção na Terra Prometida ANGOLANA.
 

Brigadeiro Amaro Romão

Na manhã do dia 26 de Julho [1961] e conduzido num avião dos Transportes Aéreos Militares, desceu no Aeroporto Craveiro Lopes, em Luanda, o Sr. Ministro do Exército. Era aguardado pelo Governador-Geral e Comandante-Chefe da Província, General Venâncio Deslandes, e pelo Comandante da 3.ª Região Militar, General Silva Freire

 

 

 

O Comandante do Batalhão, Tenente-Coronel Henrique da Silva, esclarece na carta o dispositivo adoptado para a acção que uma das suas Companhias de Caçadores Especiais levava a efeito

 

 

Uma das crianças a quem os nossos Soldados ensinam as primeiras letras oferece ao Sr. Ministro uma miniatura de «jeep» por ela construída

 

 

Numa das zonas de operações, a 40 Km do Caxito, o Sr. Ministro observa, no alto do depósito de águas, uma acção que se desenvolve a 1 Km.

 

 

Momentos depois regressarem do combate, que se prolongou das 6 às 11 horas daquele dia, três dos Soldados que mais valorosamente se haviam batido foram condecorados pelo Sr. Ministro com a Medalha de Mérito Militar

Os três militares: 1.º Cabo António Saraiva Martins - Soldado Abílio Pereira Cardoso - Soldado Afonso Pereira de Barros

 

Este é o Soldado 200, que com as mãos ainda ensanguentadas não pode esconder a sua comoção ao ser condecorado. O seu caso nos dará ensejo para uma crónica em próximo número.

 

 

Acompanhado do Governador-Geral de Angola, o Brigadeiro Mário Silva passa revista à guarda de honra que lhe foi prestada pelo Corpo de Voluntários por ocasião da visita à sua sede. Comandava a guarda de honra o Furriel Arruda, que tanto se distinguiu na segunda incursão a Zalala, onde foi ferido

 

 

Um posto médico, a que não falta o essencial para qualquer intervenção cirúrgica e instalado na zona de Negage, foi visitado pelo Sr. Ministro

 

 

Acompanhado do Comandante operacional daquele Sector, Coronel Santos Paiva, o Sr. Ministro visitou o Batalhão de Caçadores n.º 3, em Carmona, que é comandado pelo Major Costa Freitas

 

 

 

 

O Ministro e o Governador-Geral observam veículos, com protecção blindada, utilizados pelo Corpo de Voluntários no transporte e escolta de trabalhadores bailundos que asseguram as colheitas do café e do algodão

 

 

No aquartelamento de Viana, uma das Companhias do batalhão comandado pelo Tenente-Coronel Câmara Lomelino presta continência militar ao titular da pasta do Exército. «Estamos prontos a entrar em acção e a honrar as tradições do nosso Exército» - afirmou o Comandante do Batalhão.

 

 

Ao Comandante do Corpo de Voluntários, Coronel Luís Filipe Rodrigues, o Sr. Ministro fez a oferta simbólica de uma pistola-metralhadora que lhe fora oferecida pelo Leo Clube de Lisboa

 

 

Um cabo indígena, em Maquela do Zombo, exibiu os seus dotes fotográficos ao solicitar do Brigadeiro Mário Silva que posasse para ele.

 

 

Em Cabinda, o Sr. Ministro, acompanhado do General Comandante da 3.ª R. M. e de Oficiais da sua comitiva, ouviu do Governador do Distrito - Coronel Araújo Ferreira - e do Comandante do Batalhão de Caçadores Especiais - Major Oliveira - palavras de muita confiança sobre o excelente moral das tropas e da população de Cabinda

 

 

À sua chegada no aeroporto da Damba, o Sr. Ministro recebe honras militares de uma das Companhias do Batalhão comandado pelo Tenente-Coronel Salvador Pinheiro

 

 

«Os bravos da Damba não abandonarão nunca este pedaço da terra portuguesa!» - assim se exprimiu perante o Sr. Ministro o administrador Clemente Teixeira que tão heroicamente resistiu aos ataques dos terroristas, antes das forças militares ali chegarem.

 

 

Num coro impressionante e empunhando altivamente a Bandeira Nacional, os Sobas da Damba à frente dos seus povos cantavam para o Sr. Ministro uma «Portuguesa» vibrante.

 

 

Cinco bravos condutores, pertencentes ao Regimento de Infantaria de Nova Lisboa, foram condecorados com a medalha de Mérito Militar por actos de bravura em combate, perto de Cambatela

1.º Cabo Manuel Pereira de Sousa, 1.º Cabo António Ramos Pires, 1.º Cabo António Antunes da Fonseca, Soldado Manuel André Vicente e Soldado António Lopes Torres

 

O Tenente-Coronel Marafusta Marreiros, Comandante do Batalhão aquartelado em Lucala, faz ao Sr. Ministro uma exposição da situação das suas forças.

 

 

Ergue-se já, numa das praças da capital da Huíla, um monumento aos Heróis do Norte de Angola, que o Sr. Ministro inaugurou. «Este obelisco faz murmurar uma oração de agradecimento, uma prece de saudade...» - disse o Governador do Distrito, Intendente Américo Castanheira

 

 

Uma Companhia do Regimento de Infantaria de Nova Lisboa

presta honras militares ao Sr. Ministro

 

 

Em Benguela, o Sr. Ministro passa revista a uma guarda de honra, composta por Soldados indígenas. Em 35 horas, o Brigadeiro Mário Silva havia visitado 4 cidades e uma dezena de quartéis.

 

 

Teve imponência a cerimónia da Condecoração do Batalhão de Caçadores n.º 3 de Angola e de diversos graduados e praças que se distinguiram em combate, realizada no Quartel general em Luanda

 

 

«Levo de Angola as melhores impressões. E levo a certeza de que Angola continuará a ser uma das mais progressivas terras de Portugal!» - disse à sua partida de Luanda o Sr. Ministro do Exército.

 

 

 

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