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MOÇAMBIQUE
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Em memória dos Militares que tombaram
em combate no dia 23Jul1973
Em memória dos
Militares Portugueses que tombaram em
combate no dia 23 de
Julho de 1973 ao serviço de Portugal

Batalhão de
Artilharia 3887 «HONRA E GLÓRIA»


Região Militar de Moçambique
Companhia de Comando
e Serviços
Compania de
Artilharia 3558
Mobilizadas pelo
Regimento de Artilharia Ligeira (RAL3 - Évora)
Elementos cedidos por
um colaborador do portal UTW:
2.ªfeira, dia 23 de
Julho de 1973:
No nordeste distrital do Niassa,
perto do rio Incala na Serra da Mecula, no cruzamento da picada do
Candulo para Marrupa, uma Berliet de um MVL deflagra quatro fornilhos
interligados por cordão detonante, implantados pelos 'frelos', que
causam às Nossas Tropas dois feridos graves (o condutor Pina e o
atirador de morteiro José Joaquim Gancinho Albino), e onze baixas
mortais:
- ADOLFO AQUINO
DUARTE, furriel miliciano atirador n/m 18424271 da
CArt3558/BArt3887-RAL3.
- ALBINO SILVA
AZEVEDO, soldado atirador n/m 15222471 da CArt3558/BArt3887-RAL3.
- ANTÓNIO GOMES
RODRIGUES, soldado atirador n/m 16590471 da
CArt3558/BArt3887-RAL3.
- AUGUSTO
BERNARDES OLIVEIRA FÉLIX, soldado atirador n/m 16733671 da
CArt3558/BArt3887-RAL3.
- FERNANDO CUFA,
soldado atirador n/m 73134071 da CArt3558/BArt3887-RAL3.
- JOSÉ SANTOS
RODRIGUES, furriel miliciano mecânico auto-rodas n/m 00227571 da
CCS/BArt3887-RAL3.
- JORGE SÁ
COSTA, 1ºcabo atirador n/m 16579371 da CArt3558/BArt3887-RAL3.
- JUSTINO LIFA, soldado atirador n/m
73317271 da CArt3558/BArt3887-RAL3.
- MANUEL TERESO LOPES, soldado atirador n/m
16817671 da CArt3558/BArt3887-RAL3.
- PAULO CHITINDE, soldado apontador de
morteiro n/m 70635270 da CArt3558/BArt3887-RAL3.
- VASCO JOÃO, soldado atirador n/m 73282471
da CArt3558/BArt3887-RAL3.
Paz às suas Almas
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Texto e fotos do veterano
António Abel
F. Rosa, Furriel Mil.º de Armas Pesadas
(23 de Julho de l2014)
Mecula, Niassa, 23 de Julho de 1973.
A coluna, composta por vários camiões civis e
escoltada por várias berliet’s militares partiu muito cedo de regresso a
Marrupa.
Uma berliet com os componentes da secção de
detecção de minas e alguns voluntários, decidiram adiantar-se para
começar a picar (detectar minas).
Uma explosão enorme ouviu-se no quartel,
despertando a todos que dormíamos, pois como disse, era muito cedo.
Todos sabíamos o que tinha acontecido, mas
tínhamos a esperança de que fosse somente um susto e creríamos nos
milagres.
Imediatamente, via rádio, começaram a chegar
más notícias: Dois mortos e bastantes feridos, muito graves.
Informaram que na Berliet que se tinha
adiantado viajavam 13 soldados.
Se mobilizou em seguida um grupo de
voluntários para dar assistência e evacuação aos feridos, mas o tenente
médico não teve "cataplines" para sair e não estava entre os
voluntários. O grupo de enfermeiros estava chefiado pelo furriel Ferrão.
As notícias eram cada vez mais dramáticas: O
número de mortos ia aumentando.
Se pediram urgentemente meios aéreos para
evacuar os feridos.
Eu, nesse dia, entrava de sargento de piquete
e me dirigi com 8 soldados para a pista para montar a correspondente
segurança.
Na pista eu não tinha rádio e desconhecia o
número de feridos a evacuar.
Passado algum tempo chegaram dois aviões.
Pouco depois apareceu uma viatura com o furriel Ferrão e três feridos.
Eu perguntei-lhe quantas viaturas vinham e ele respondeu-me: Só esta. Eu
exclamei: Meu Deus!
O Ferrão e um soldado transportaram para o
avião o 1º ferido. Um sodado e eu agarrámos no 2º ferido, que era um
Moçambicano de cor preta. No trajecto da viatura ao avião vi que a
cabeça dele caía para um lado e disse ao Ferrão: Morreu.
O piloto, que não tinha descido do avião,
parece que ouviu o que eu disse e gritou: Se está morto não o levo. Eu
repliquei: Não está morto. De certeza? Insistiu ele. Eu respondi: Sim,
não vê que se mexe! Mas era mentira.
Metemos o 3º ferido, e o avião partiu rumo a
Vila Cabral.
No quartel tinham ficado dez mortos, mais um
no avião, dava um total de onze. E dois feridos graves: O Albino, que
hoje se move numa cadeira de rodas, e o Pina, condutor da berliet, que
psiquicamente ficou destroçado e morreu passados alguns anos.
Talvez tenha sido este o maior acidente com
minas na história do exército Português, mas apenas foi difundido e
poucos tiveram conhecimento! A mega-mina de Mecula, compunha-se duma
mina no rodado ligada a 3 mais no centro da picada. Pelo aspecto da
fotografia podemos ver a magnitude da explosão e como foi reduzido a
escombros um camião militar.
Hoje, passados 41 anos, quero homenagear aos
companheiros mortos e feridos, componentes da CCS e da CART 3558 do
Batalhão de Artilharia 3887.
QUE DESCANSEM EM PAZ.



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