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Antigos Combatentes Naturais da Província
Ultramarina de Moçambique Esquecidos por Portugal
Notícia de 22 de Junho de 2015
Fonte:
http://brazil.shafaqna.com/PT/BR/456275
 «Antigos
combatentes moçambicanos nas forças coloniais sentem-se
esquecidos por Portugal»
Em declarações
à Lusa na cidade da Beira, província de Sofala, centro
de Moçambique, um grupo de antigos combatentes alega que
o Estado português os deixou desamparados, argumentando
que deram a juventude ao serviço do exército português
durante a guerra colonial.
Acho que o
povo português devia ter vergonha, principalmente os
dirigentes portugueses, sabendo de antemão que nós
estávamos aqui numa única luta. Todos éramos portugueses, afirmou Raimundo Rafael, que serviu o exército em
Moçambique durante quatro anos, até um mês antes do 25
de Abril de 1974.
Os
ex-combatentes moçambicanos que lutaram do lado de
Portugal continuam a reivindicar o pagamento das pensões
desde 2004, mas é improvável que sejam elegíveis perante
os critérios estabelecidos na legislação em vigor.
A lei 09/2202,
de 11 de fevereiro, a que se seguiram regulamentações
posteriores, não prevê pensões mas suplementos de
reforma para os militares que serviram as forças armadas
portuguesas entre 1961 e 1975 nos três teatros da guerra
colonial em África, bem como para os que estiveram na
Índia entre 1961 e 1962 e ainda em Timor-Leste entre
1974 e 1975.
 Este é um
critério que todos cumprem, observa José Pacheco, adido
de defesa da Embaixada de Portugal em Maputo, alertando
porém para o segundo critério que quase ninguém cumpre,
em que se exige que os candidatos tenham descontado para
um sistema de segurança social em Portugal e possam
beneficiar do respetivo suplemento.
Podem
sentir-se magoados e marginalizados por a lei não os
abranger, mas é a lei e temos que a cumprir, prossegue
o adido de defesa.
Mais de uma
década sobre a criação da lei e que provocou à época
enchentes de antigos combatentes na embaixada portuguesa
em Maputo e no consulado da Beira, Raimundo Rafael
afirma que o desespero aumenta entre cerca de 200
ex-militares na segunda maior cidade moçambicana e acusa
os dois governos de falta de patriotismo para resolver o
processo das pensões.
Disse ainda
que o Governo português, além da reintegração dos
ex-combatentes na vida civil após a independência de
Moçambique, em 1975, fez várias promessas para cumprir
com o pagamento de pensões de sangue e invalidez, mas
mais uma vez as suas reivindicações estão condicionadas
pela lei, que exige a prova de um nexo causal entre o
serviço militar e a deficiência adquirida.
Até este
momento não sabemos qual é a nossa vida, pois de
Portugal não se fala mais, aqui a mesma coisa. Não se
fala das nossas pensões, não sabemos para onde vamos,
disse João Chôa, outro moçambicano e ex-combatente
colonial, que serviu o no exército português três anos
até à independência de Moçambique, a 25 de junho de
1975.
Chôa
classificou lastimável a posição do Governo português
sobre a sua situação, adiantando que ex-combatentes de
Tete, Manica, Zambézia e de alguns distritos de Sofala
endividaram-se para se deslocar ao consulado português
na Beira, para tratar dos requerimentos para aceder às
pensões, confiantes nos pagamentos.
O
recenseamento dos ex-combatentes decorreu em 2002. Os
processos e os respetivos títulos foram enviados para a
Caixa Geral de Aposentações (CGA) que, em coordenação
com o Arquivo Geral do Exército em Lisboa, onde está
centralizada a gestão dos ex-combatentes, iniciariam o
pagamento das pensões em janeiro de 2004.
No nosso caso
fomos atirados para o lixo, para servir de tapete,
porque isso não faz sentido, disse João Chôa,
adiantando que o Governo português se esquivou das suas
responsabilidades ao solicitar apenas ex-combatentes que
descontavam para a segurança social no exército, o que
nunca lhe foi pedido naquele tempo, sustentando que em
nenhuma parte do mundo um militar desconta para efeitos
de reconciliação .
O antigo
combatente disse já terem pedido intervenção de
entidades internacionais de direitos humanos, para
exigir a Lisboa o pagamento da pensão.
Eu gostava de
ver resolvido essa questão da pensão, porque é um
direito que nos assiste. Porque eles [o Governo] estão a
pagar lá aos portugueses. Se estão a pagar os
portugueses, nós também fomos portugueses até 24 de
junho de 1975 e também temos direitos , concluiu
Raimundo Rafael.
AYAC/HB // PJA
Lusa/Fim
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