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Idas e Regressos de NTT´s, entre
a Metrópole e o Ultramar
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08Abr1957: «Regresso
de Militares da Índia»

02' 42"
Lisboa, desembarque na estação
marítima de Alcântara, de militares
e elementos da Polícia de Segurança
Pública que cumpriram missão na
Índia.
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Fonte:
Diário de Lisboa, n.º 12334,
de 08Abr1957,
pág. 1 e 3
Alegre e emocionante recepção às
forças do Exército e da Polícia que
hoje regressaram da Índia
Cerca
das 7 horas de hoje, acorreram ao
cais da estação marítima de
Alcântara muitas pessoas de família
dos oficiais, sargentos e praças e
de guardas voluntários da Polícia de
Segurança, que acabam de prestar
serviço na India Portuguesa, O
«Quanza», da Companhia Nacional de
Navegação, que partiu no dia 1 de
Março de Mormugão, atracou pouco
depois das sete horas á estação
marítima de Alcântara, com o
Batalhão Vasco da Cama e uma
companhia de Caçadores 5,
pertencente ao Batalhão da Índia, e
setenta e oito guardas da Polícia de
Segurança Publica, que para ali
foram voluntariamente, com o
sub-chefe João Silva. Antes do navio
atracar, as tropas, que vieram sob o
comando do sr. coronel Moura Santos,
cantaram o hino nacional, num
impressionante conjunto. A seguir, e
ao mesmo tempo que viam acenar-se
lenços das pessoas de família dos
soldados, a banda de Caçadores 5
executava a «Portuguesa». Foi, na
verdade, um momento de emoção.
Choravam de alegria quantos
aguardavam os oficiais, sargentos e
praças, ausentes da família e dos
amigos há mais de dois anos.
Quando o navio atracou, esperavam a
chegada do contingente e dos guardas
da Polícia de Segurança Publica, os
srs. brigadeiro Costa Lopes,
director dos Serviços do Ultramar do
Ministério do Exército; coronéis
Mário Silva, comandante da Escala
Prática de Infantaria, de Mafra;
Mário Cunha e Carlos Maria do Carmo,
respectivamente comandante e segundo
comandante da Polícia de Segurança
Publica; Pereira de Castro e França
Borges, que comandaram as unidades
chegadas; tenente-coronel Moura
Santos, irmão do comandante do
contingente, que hoje regressou da
sua patriótica missão de soberania,
e major Pinto Soares, segundo
comandante do Batalhão de Caçadores
5.
Começou pouco depois o desembarque
das tropas, que formaram na. parte
exterior da estação marítima, onde o
subsecretário do Exército,
acompanhado dos coronéis Moura
Santos e Mário Cunha lhes passou
revista, vendo-se também os guardas
da P. S. P. Seguidamente, e ao som
de uma marcha militar, o contingente
desfilou perante aquele membro do
Governo e das demais
individualidades.
Terminada a cerimónia, as tropas
começaram a embarcar em comboios que
as levaram ás terras a que
pertencem, quase todas do Norte do
País.
Mafra recebeu festivamente o
contingente que voltou da Índia
Festiva recepção em Mafra
Como tudo fazia prever, a chegada do
«Batalhão Vasco da Gama» constituiu
uma grande manifestação de simpatia
e contentamento pelo seu regresso,
apôs dois anos de serviço no Estado
da India.
O entusiasmo era bem patente. Desde
manhã muito cedo se notava um
movimento desusado na vila com a
presença das famílias e pessoas
amigas dos expedicionários.
Os edifícios públicos apareceram com
a bandeira nacional hasteada e em
muitas janelas viam-se colchas e
colgaduras.
As populações deste concelho, tendo
á frente as autoridades civis,
militares e eclesiásticas, acorreram
por sua vez, a aclamar as forças
expedicionárias, que, convictas de
terem cumprido os seus deveres de
Portugueses, não escondiam a sua
alegria por regressarem aos seus
lares.
No estádio da Escola Prática de
Infantaria, onde o batalhão deu
entrada pelas 12 e 30, efectuou-se
uma simples mas significativa festa
militar durante a qual o comandante
dos expedicionários, sr. coronel
Adelino Mendes Moura dos Santos, fez
a entrega do guião ao comandante
daquele estabelecimento militar, sr.
tenente-coronel Mário Silva, que,
por sua vez, o entregou á Escola.
O acto foi assinalado por uma
largada de pombos, ao mesmo tempo
que a charanga militar tocava o Hino
Nacional.
O sr. tenente-coronel Mário Silva
proferiu, em seguida, uma breve
alocução, em que se referiu ao
significado da entrega do guião.
Terminada a cerimónia, que foi
realizada com a presença de todas as
forças disponíveis da Escola Prática
de Infantaria, autoridades e muito
publico, que enchia o estádio quase
por completo, as forças
expedicionárias desfilaram em
direcção à basílica, vendo-se ao
longo das ruas em formatura as
forças da E. P. I.
Durante o desfile do «Batalhão Vasco
da Gama», foram atirados «confettis»
de cores verde e vermelho sobre os
expedicionários.
Na basílica de cujas janelas sobre a
porta principal do templo pendiam
valiosos panejamentos, foi rezada
missa de acção de graças pelo
regresso do Batalhão. Foi celebrante
o rev.° Agostinho Duarte, pároco de
Mafra, que, no momento próprio,
proferiu uma patriótica alocução e
disse da sua grande satisfação por
ver regressar ás suas terras os
expedicionários, depois de bem
cumprirem o seu dever.