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Tributo da equipa editorial do portal UTW, às tripulações de navios mercantes portugueses

 

«... destacar a Marinha Mercante, neste esforço logístico, sem a qual não poderíamos ter reagido rapidamente nem sustentado tão longo período de operações.
Hoje, dos 70.000 navios mercantes existentes no mundo, apenas uma dezena são de armadores portugueses e ostentam o pavilhão nacional. Nem meio batalhão conseguem transportar…
»
Lisboa (Forte do Bom Sucesso), 10 de Junho de 2016
Ten-Cor Pilav Brandão Ferreira

 

A Marinha Mercante Portuguesa ao serviço das Forças Armadas de Portugal

1957 > 1975

 

 

«Medalha Comemorativa do Esforço dos Tripulantes dos Navios Mercantes Nacionais, na Defesa dos Territórios Ultramarinos»

 

Ministério da Marinha - Direcção-Geral da Marinha

Decreto n.º 44646, de 25 de Outubro de 1962

Diário do Governo n.º 246/1962, Série I

 

Vídeos RTP:

 

Idas e Regressos de NTT´s, entre a Metrópole e o Ultramar

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado ou na imagem que se seguem:

 

17Mar1959: «Destacamento militar parte para a Índia»

 

 

08' 13"


Lisboa, na estação marítima de Alcântara, Júlio Botelho Moniz, Ministro da Defesa Nacional, entrega a bandeira nacional ao tenente coronel António Catalão Dionísio, comandante do destacamento militar que se encontra de partida para a Índia.


Botelho Moniz entrega a bandeira Nacional; discurso de Catalão Dionísio; desfile de tropas; desfile da banda do Governo Militar de Lisboa e da fanfarra das forças expedicionárias; Bandeira Nacional e Insígnias das unidades de Setúbal, Lisboa, Caldas da Rainha, ilha de São Miguel, Coimbra e Évora; embarque de tropas no navio de passageiros Niassa com a presença de Botelho Moniz, Almeida Fernandes, ministro do Exército, Francisco Costa Gomes, subsecretário de Estado do Exército, e de Valente de Carvalho, Governador Militar de Lisboa; partida do navio Niassa.

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Fonte:

Diário de Lisboa, n.º 13028,

de 17Mar1959, pág. 1 e 6

 

Um contingente de 1500 homens partiu para o Estado da Índia onde vai render as tropas que ali se encontram

 

Para render as forças que se encontram há dois anos, em serviço no Estado da Índia, partiu esta manhã, no paquete «Niassa», transformado em transporte militar, um contingente de 1.500 homens, formando o Batalhão de Caçadores da Estremadura, com tropas dos regimentos de Metralhadoras 1 (Lisboa), Infantaria 5 (Caldas da Rainha), Infantaria 11 (Setúbal); a Companhia de Caçadores de S. Miguel (Açores), constituído pelo regimento de Infantaria 18; e duas baterias de Artilharia 2 (Coimbra) e Artilharia 3 {Évora).


Milhares de pessoas, condensaram-se na galeria da gare de Alcântara, onde se registaram, naturalmente, cenas comovedoras, no momento da despedida.


Cerca das 11 horas, chegaram os ministros da Defesa e do Exército, respectivamente, srs. general Botelho Moniz e coronel Almeida Fernandes; o subsecretário do Exército, tenente-coronel Costa Gomes; os generais Luís de Pina, chefe do Estado Maior do Exército; José Esquível, administrador-geral do Exército; Matos Maia, director dos Serviços do ultramar; Valente de Carvalho, governador militar de Lisboa; Cotta de Morais, comandante-geral da Legião Portuguesa; Buceta Martins, director da Academia Militar; Monteiro Libório, antigo governador militar do Estado da Índia; coronéis Coelho da Mota e Carlos Maria do Carmo, em representação dos directores das Armas de Infantaria e Cavalaria; etc.

 

Com as tropas postadas no largo fronteiro ao edifício da gare, sob o comando do tenente-coronel Catalão comandante do Batalhão de Caçadores da Estremadura e, por ser o oficial mais graduado, de todo o contingente expedicionário o ministro da Defesa recebeu a bandeira nacional que seguiu com as forças das mãos do director dos Serviços do Ultramar do Ministério do Exército, entregando-a ao comandante do contingente, que, por sua vez, a depositou nas mãos do alferes porta-bandeira, que formava entre a respectiva escolta. A fanfarra expedicionária, constituída por 30 homens de infantaria 1, da Amadora, tocou, então, o Hino Nacional. Em seguida, o tenente-coronel Catalão Dionísio proferiu uma breve alocução patriótica, terminada com a frase:


- Pátria são também as terras da Índia para onde vamos!


Precedidas pela banda de música do Governo Militar de Lisboa, desfilaram perante as citadas individualidades com aprumo e correcção as tropas expedicionárias, envergando fardas de caqui e o novo tipo de boné «cobre-nuca». A seu lado, desfilou, também, um majestoso cão Serra da Estrela, mascote das forças, que seguiu com elas para o Estado da India.


O «Niassa, em que partiu, ainda, o major-capelão do G. M. L. rev.º Arnaldo Duarte, em missão de serviço especial que durará cerca de mês e meio, chegará ao seu destino dentro de 18 dias, desembarcando tropas em Goa, Damão e Diu e embarcando, nos mesmos locais, as forças substituídas, que deverão regressar á Metrópole no princípio de Maio. Para suavizar viagem, foi elaborado um programa Incluindo sessões de cinema e bibliotecas. Seguiu, também, um destacamento sanitário que, sob a direcção do sr. capitão médico Lino de Matos, se encontra dotado de todos os meios de assistência necessários.


Findo o desfile, o contingente embarcou, ao som de marchas militares, e perante a comoção do povo que ali se manteve. Uma mãe, já velhinha, exibia a fotografia do seu filho, que partiu no «Niassa», dizendo: «É a minha criança». Um grupo de rapazes destacava-se com um cartaz onde se lia «Pedro, estamos contigo felicidades»... Mães e esposas, algumas erguendo nos braços os seus filhos, despediram-se dos entes queridos que lhes acenavam do paquete...


«A tropa não vai para oprimir as populações, mas para as defender dos seus inimigos» - declarou o ministro da Defesa.

 
O general Botelho Moniz, acompanhado das restantes individualidades, subiu a bordo do «Niassa», onde recebeu os cumprimentos dos srs. comandante Celestino Ramos, administrador da Companhia Nacional de Navegação, e Lima Barreiro, comandante do navio, e da restante oficialidade. No salão da 1.ª classe, aquele membro do Governo, proferiu um breve discurso em que disse ser de grande responsabilidade e grande honra a missão do contingente, no nosso Ultramar. Acrescentou que a partida destas tropas tinha como objectivo comungar com os sentimentos patrióticos das populações na defesa do território português, a fim de que nele não se verificassem as crises que actualmente noutros se registam.


A tropa não é para oprimir a população do Estado da Índia, mas para a acompanhar contra os seus inimigos. Este contingente demonstrará, por certo, que todos nós estamos com o povo daquela nossa província.


O general Botelho Moniz cumprimentou em seguida os oficiais, aos quais disse:


- Atenção: neste momento temos muito que defender!


No final, o comandante do contingente agradeceu as palavras do ministro e manifestou a confiança na feliz actuação das tropas.
 

 

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