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Idas e Regressos de NTT´s, entre
a Metrópole e o Ultramar
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17Mar1959: «Destacamento
militar parte para a Índia»

08' 13"
Lisboa, na estação marítima de
Alcântara, Júlio Botelho Moniz,
Ministro da Defesa Nacional, entrega
a bandeira nacional ao tenente
coronel António Catalão Dionísio,
comandante do destacamento militar
que se encontra de partida para a
Índia.
Botelho Moniz entrega a bandeira
Nacional; discurso de Catalão
Dionísio; desfile de tropas; desfile
da banda do Governo Militar de
Lisboa e da fanfarra das forças
expedicionárias; Bandeira Nacional e
Insígnias das unidades de Setúbal,
Lisboa, Caldas da Rainha, ilha de
São Miguel, Coimbra e Évora;
embarque de tropas no navio de
passageiros Niassa com a presença de
Botelho Moniz, Almeida Fernandes,
ministro do Exército, Francisco
Costa Gomes, subsecretário de Estado
do Exército, e de Valente de
Carvalho, Governador Militar de
Lisboa; partida do navio Niassa.
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Fonte:
Diário de Lisboa, n.º 13028,
de 17Mar1959,
pág. 1 e 6
Um contingente
de 1500 homens partiu para o Estado
da Índia onde vai render as tropas
que ali se encontram
Para
render as forças que se encontram há
dois anos, em serviço no Estado da
Índia, partiu esta manhã, no paquete
«Niassa», transformado em transporte
militar, um contingente de 1.500
homens, formando o Batalhão de
Caçadores da Estremadura, com tropas
dos regimentos de Metralhadoras 1
(Lisboa), Infantaria 5 (Caldas da
Rainha), Infantaria 11 (Setúbal); a
Companhia de Caçadores de S. Miguel
(Açores), constituído pelo regimento
de Infantaria 18; e duas baterias de
Artilharia 2 (Coimbra) e Artilharia
3 {Évora).
Milhares de pessoas, condensaram-se
na galeria da gare de Alcântara,
onde se registaram, naturalmente,
cenas comovedoras, no momento da
despedida.
Cerca das 11 horas, chegaram os
ministros da Defesa e do Exército,
respectivamente, srs. general
Botelho Moniz e coronel Almeida
Fernandes; o subsecretário do
Exército, tenente-coronel Costa
Gomes; os generais Luís de Pina,
chefe do Estado Maior do Exército;
José Esquível, administrador-geral
do Exército; Matos Maia, director
dos Serviços do ultramar; Valente de
Carvalho, governador militar de
Lisboa; Cotta de Morais,
comandante-geral da Legião
Portuguesa; Buceta Martins, director
da Academia Militar; Monteiro
Libório, antigo governador militar
do Estado da Índia; coronéis Coelho
da Mota e Carlos Maria do Carmo, em
representação dos directores das
Armas de Infantaria e Cavalaria;
etc.
Com as tropas postadas no largo
fronteiro ao edifício da gare, sob o
comando do tenente-coronel Catalão
comandante do Batalhão de Caçadores
da Estremadura e, por ser o oficial
mais graduado, de todo o contingente
expedicionário o ministro da Defesa
recebeu a bandeira nacional que
seguiu com as forças das mãos do
director dos Serviços do Ultramar do
Ministério do Exército, entregando-a
ao comandante do contingente, que,
por sua vez, a depositou nas mãos do
alferes porta-bandeira, que formava
entre a respectiva escolta. A
fanfarra expedicionária, constituída
por 30 homens de infantaria 1, da
Amadora, tocou, então, o Hino
Nacional. Em seguida, o
tenente-coronel Catalão Dionísio
proferiu uma breve alocução
patriótica, terminada com a frase:
- Pátria são também as terras da
Índia para onde vamos!
Precedidas pela banda de música do
Governo Militar de Lisboa,
desfilaram perante as citadas
individualidades com aprumo e
correcção as tropas expedicionárias,
envergando fardas de caqui e o novo
tipo de boné «cobre-nuca». A seu
lado, desfilou, também, um majestoso
cão Serra da Estrela, mascote das
forças, que seguiu com elas para o
Estado da India.
O «Niassa, em que partiu, ainda, o
major-capelão do G. M. L. rev.º
Arnaldo Duarte, em missão de serviço
especial que durará cerca de mês e
meio, chegará ao seu destino dentro
de 18 dias, desembarcando tropas em
Goa, Damão e Diu e embarcando, nos
mesmos locais, as forças
substituídas, que deverão regressar
á Metrópole no princípio de Maio.
Para suavizar viagem, foi elaborado
um programa Incluindo sessões de
cinema e bibliotecas. Seguiu,
também, um destacamento sanitário
que, sob a direcção do sr. capitão
médico Lino de Matos, se encontra
dotado de todos os meios de
assistência necessários.
Findo o desfile, o contingente
embarcou, ao som de marchas
militares, e perante a comoção do
povo que ali se manteve. Uma mãe, já
velhinha, exibia a fotografia do seu
filho, que partiu no «Niassa»,
dizendo: «É a minha criança». Um
grupo de rapazes destacava-se com um
cartaz onde se lia «Pedro, estamos
contigo felicidades»... Mães e
esposas, algumas erguendo nos braços
os seus filhos, despediram-se dos
entes queridos que lhes acenavam do
paquete...
«A tropa
não vai para oprimir as populações,
mas para as defender dos seus
inimigos» - declarou o ministro da
Defesa.
O general Botelho Moniz, acompanhado
das restantes individualidades,
subiu a bordo do «Niassa», onde
recebeu os cumprimentos dos srs.
comandante Celestino Ramos,
administrador da Companhia Nacional
de Navegação, e Lima Barreiro,
comandante do navio, e da restante
oficialidade. No salão da 1.ª
classe, aquele membro do Governo,
proferiu um breve discurso em que
disse ser de grande responsabilidade
e grande honra a missão do
contingente, no nosso Ultramar.
Acrescentou que a partida destas
tropas tinha como objectivo comungar
com os sentimentos patrióticos das
populações na defesa do território
português, a fim de que nele não se
verificassem as crises que
actualmente noutros se registam.
A tropa não é para oprimir a
população do Estado da Índia, mas
para a acompanhar contra os seus
inimigos. Este contingente
demonstrará, por certo, que todos
nós estamos com o povo daquela nossa
província.
O general Botelho Moniz cumprimentou
em seguida os oficiais, aos quais
disse:
- Atenção: neste momento temos muito
que defender!
No final, o comandante do
contingente agradeceu as palavras do
ministro e manifestou a confiança na
feliz actuação das tropas.