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Idas e Regressos de NTT´s, entre
a Metrópole e o Ultramar
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12Jan1962: «Partida
de tropas para o Ultramar»

04' 24"
Lisboa, Cais da Rocha Conde de
Óbidos, partida de contingente
militar para território ultramarino
em missão de soberania.
Tropas a marchar; familiares acenam
com lenços em forma de despedida;
soldados a embarcar e acenarem em
direcção aos familiares; Brigadeiro
Mário Silva, ministro do Exército,
sobe até ao barco, dirige-se aos
soldados e recebe os agradecimentos
do Tenente Coronel José Costa Gomes,
comandante do contingente; Mário
Silva faz revista às tropas;
soldados desfilam em continência.
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Fonte:
Diário de Lisboa, n.º 14038,
de 12Jan1962,
pág. 9
Mais tropas para o Ultramar seguiram
esta tarde via marítima
A
bordo de um paquete da Companhia
Nacional de Navegação seguiu, hoje,
para o Ultramar, em missão de
soberania, mais um contingente de
tropas.
Cerca das 10 horas, as tropas
começaram a formar ao longo da
avenida entre a estação marítima de
Alcântara e a da Rocha. Entretanto,
na varanda da gare e defronte do
edifício, concentravam-se centenas
de populares, na sua maioria
familiares dos soldados embarcados.
Ao mesmo tempo, chegavam, ali,
algumas altas patentes do Exército,
entre as quais o chefe do
Estado-Maior do Exéreito, o 2.º
comandante do Governo Militar de
Lisboa, o comandante da Academia
Militar, os directores dos Serviços
de Pessoal e de Saúde do Exército e
os directores das armas de
Engenharia, Cavalaria e Artilharia.
Estavam presentes, também, outras
individualidades militares e civis,
entre as quais o sr. tenente-coronel
Francisco da Costa Comes, antigo
subsecretário do Exército, irmão do
comandante da força embarcada, sr.
tenente-coronel de Cavalaria José
Costa Gomes.
Ao meio-dia, chegou ali, acompanhado
dos oficiais do seu gabinete, o sr.
brigadeiro Mário Silva, ministro do
Exército, que, depois de receber os
cumprimentos dos oficiais-generais,
passou revista às tropas, no que foi
acompanhado pelos srs. general
Câmara Pina, chefe do Estado-Maior
do Exército; brigadeiro Álvaro Neto,
2.° comandante do Governo Militar de
Lisboa; e tenente-coronel José Costa
Gomes.
A seguir, o ministro subiu a um
estrado, onde, rodeado pelas altas
patentes, assistiu, durante cerca de
vinte minutos, ao desfile das
tropas.
Pouco depois, o sr. brigadeiro Mário
Silva. na companhia das entidades
militares, foi a bordo do paquete,
tendo, no salão de fumo da classe
turística, dirigido algumas palavras
aos oficiais e sargentos.
No uso da palavra, o ministro
referiu-se á «total devoção ao dever
militar» das praças e ás obrigações
que as mesmas têm para com a Nação,
e endereçou aos oficiais e graduados
«uma mensagem especial de exaltação
patriótica, de fé e de certeza
inabalável na actuação do Exército,
em qualquer das parcelas do
território português».
Falou da função que cabe aos
quadros, em «guiar a massa generosa
dos nossos homens em toda e qualquer
acção»; ocupou-se da salvaguarda dos
valores morais que hão-de animar os
soldados através de todas as
contingências da luta; e disse que
os responsáveis devem incidir a sua
atenção no «combate á propaganda
dissolvente», citando a propósito o
boato. E, prosseguiu:
- Se nós soubermos conservar
intangíveis e unidos; se estivermos
atentos ás manobras insidiosas dos
inimigos que procuram desagregar a
muralha milenária da civilização
ocidental; se tivermos fé na Verdade
e na Justiça, acabaremos por sair
vencedores desta batalha, que pode
ser o preludio de uma luta
generalizada entre o Bem e o Mal.
Confio nas vossas virtudes cívicas e
militares; estou certo da vossa
coragem física e moral; espero que o
vosso comportamento, em todas as
circunstâncias, seja digno das
tradições do Exército. A imagem
tenebrosa de alguns traidores, que
ainda há bem pouco conspurcaram a
farda que usavam, deve incitar os
vossos espíritos a não ter
contemplação com aqueles que se
desviam do caminho do dever e da
honra.
Em resposta, o sr. tenente-coronel
José Costa Comes agradeceu, em nome
de todos, as palavras do ministro e
o seu incentivo. E acrescentou:
- Partimos numa hora em que a Pátria
amputada sofre dolorosamente.
Ninguém melhor do que os militares
sentem essa angustia. A Nação pode
contar com os que neste momento
partem, pois todos saberão cumprir,
em quaisquer circunstancias, o seu
juramento de soldados.
Cerca de uma hora depois, o navio
começou a deslizar no estuário do
Tejo, no meio de efusivas saudações.