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Tributo da equipa editorial do portal UTW, às tripulações de navios mercantes portugueses

 

«... destacar a Marinha Mercante, neste esforço logístico, sem a qual não poderíamos ter reagido rapidamente nem sustentado tão longo período de operações.
Hoje, dos 70.000 navios mercantes existentes no mundo, apenas uma dezena são de armadores portugueses e ostentam o pavilhão nacional. Nem meio batalhão conseguem transportar…
»
Lisboa (Forte do Bom Sucesso), 10 de Junho de 2016
Ten-Cor Pilav Brandão Ferreira

 

A Marinha Mercante Portuguesa ao serviço das Forças Armadas de Portugal

1957 > 1975

 

 

«Medalha Comemorativa do Esforço dos Tripulantes dos Navios Mercantes Nacionais, na Defesa dos Territórios Ultramarinos»

 

Ministério da Marinha - Direcção-Geral da Marinha

Decreto n.º 44646, de 25 de Outubro de 1962

Diário do Governo n.º 246/1962, Série I

 

Vídeos RTP:

 

Idas e Regressos de NTT´s, entre a Metrópole e o Ultramar

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado ou na imagem que se seguem:

 

12Jan1962: «Partida de tropas para o Ultramar»

 

 

04' 24"


Lisboa, Cais da Rocha Conde de Óbidos, partida de contingente militar para território ultramarino em missão de soberania.


Tropas a marchar; familiares acenam com lenços em forma de despedida; soldados a embarcar e acenarem em direcção aos familiares; Brigadeiro Mário Silva, ministro do Exército, sobe até ao barco, dirige-se aos soldados e recebe os agradecimentos do Tenente Coronel José Costa Gomes, comandante do contingente; Mário Silva faz revista às tropas; soldados desfilam em continência.

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Fonte:

Diário de Lisboa, n.º 14038,

de 12Jan1962, pág. 9

 

Mais tropas para o Ultramar seguiram esta tarde via marítima

 

A bordo de um paquete da Companhia Nacional de Navegação seguiu, hoje, para o Ultramar, em missão de soberania, mais um contingente de tropas.


Cerca das 10 horas, as tropas começaram a formar ao longo da avenida entre a estação marítima de Alcântara e a da Rocha. Entretanto, na varanda da gare e defronte do edifício, concentravam-se centenas de populares, na sua maioria familiares dos soldados embarcados. Ao mesmo tempo, chegavam, ali, algumas altas patentes do Exército, entre as quais o chefe do Estado-Maior do Exéreito, o 2.º comandante do Governo Militar de Lisboa, o comandante da Academia Militar, os directores dos Serviços de Pessoal e de Saúde do Exército e os directores das armas de Engenharia, Cavalaria e Artilharia. Estavam presentes, também, outras individualidades militares e civis, entre as quais o sr. tenente-coronel Francisco da Costa Comes, antigo subsecretário do Exército, irmão do comandante da força embarcada, sr. tenente-coronel de Cavalaria José Costa Gomes.


Ao meio-dia, chegou ali, acompanhado dos oficiais do seu gabinete, o sr. brigadeiro Mário Silva, ministro do Exército, que, depois de receber os cumprimentos dos oficiais-generais, passou revista às tropas, no que foi acompanhado pelos srs. general Câmara Pina, chefe do Estado-Maior do Exército; brigadeiro Álvaro Neto, 2.° comandante do Governo Militar de Lisboa; e tenente-coronel José Costa Gomes.


A seguir, o ministro subiu a um estrado, onde, rodeado pelas altas patentes, assistiu, durante cerca de vinte minutos, ao desfile das tropas.


Pouco depois, o sr. brigadeiro Mário Silva. na companhia das entidades militares, foi a bordo do paquete, tendo, no salão de fumo da classe turística, dirigido algumas palavras aos oficiais e sargentos.


No uso da palavra, o ministro referiu-se á «total devoção ao dever militar» das praças e ás obrigações que as mesmas têm para com a Nação, e endereçou aos oficiais e graduados «uma mensagem especial de exaltação patriótica, de fé e de certeza inabalável na actuação do Exército, em qualquer das parcelas do território português».


Falou da função que cabe aos quadros, em «guiar a massa generosa dos nossos homens em toda e qualquer acção»; ocupou-se da salvaguarda dos valores morais que hão-de animar os soldados através de todas as contingências da luta; e disse que os responsáveis devem incidir a sua atenção no «combate á propaganda dissolvente», citando a propósito o boato. E, prosseguiu:


- Se nós soubermos conservar intangíveis e unidos; se estivermos atentos ás manobras insidiosas dos inimigos que procuram desagregar a muralha milenária da civilização ocidental; se tivermos fé na Verdade e na Justiça, acabaremos por sair vencedores desta batalha, que pode ser o preludio de uma luta generalizada entre o Bem e o Mal. Confio nas vossas virtudes cívicas e militares; estou certo da vossa coragem física e moral; espero que o vosso comportamento, em todas as circunstâncias, seja digno das tradições do Exército. A imagem tenebrosa de alguns traidores, que ainda há bem pouco conspurcaram a farda que usavam, deve incitar os vossos espíritos a não ter contemplação com aqueles que se desviam do caminho do dever e da honra.


Em resposta, o sr. tenente-coronel José Costa Comes agradeceu, em nome de todos, as palavras do ministro e o seu incentivo. E acrescentou:


- Partimos numa hora em que a Pátria amputada sofre dolorosamente. Ninguém melhor do que os militares sentem essa angustia. A Nação pode contar com os que neste momento partem, pois todos saberão cumprir, em quaisquer circunstancias, o seu juramento de soldados.


Cerca de uma hora depois, o navio começou a deslizar no estuário do Tejo, no meio de efusivas saudações.

 

 

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