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Idas e Regressos de NTT´s, entre
a Metrópole e o Ultramar
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05Fev1964: «Regresso
de contingente militar de Angola»

04' 34"
Desembarque do contingente militar
que regressa de Angola, no Cais da
Rocha do Conde de Óbidos, em Lisboa.
Recepção calorosa dos familiares e
dos amigos; militares em formatura;
discurso do General Lopes Franco; o
contingente desfila em continência.
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Fonte:
Diário de Lisboa, n.º 14778,
de 05Fev1964,
pág. 6
Mil e trezentos soldados que
combateram nos Dembos tiveram hoje
em Lisboa uma calorosa recepção
Apesar do Intenso nevoeiro que
envolvia a zona do Tejo, o paquete
«Vera Cruz» pôde, com o seu radar,
entrar a barra, atracando, ás 9 e
30, ao cais da Rocha do Conde de
Óbidos.
Trazia a bordo um contingente de
1300 homens, que terminaram a sua
missão de soberania no Ultramar.
Pouco depois, começou o desembarque.
Os militares, carregando as
respectivas bagagens, foram
encaminhados para as carruagens que
os conduziam às suas respectivas
unidades, em Abrantes, Leiria e
Lisboa. Estas forças eram comandadas
pelo sr. tenente-coronel Ernesto
Dionísio.
Cartazes de
saudação
Num recanto do cais, viam-se alguns
milhares de pessoas, pais, mulheres,
filhos, namoradas e amigos, alguns
vindos das localidades distantes.
Havia quem ostentasse dísticos e
cartazes, alguns ingénuos e
tocantes. Um lenço branco empunhado
numa cana, uma gabardina castanha
suspensa de um pau; uma legenda num
pedaço de latão. Também vimos um
guarda-chuva com um lenço, um boné
de cor vermelha, na ponta de um pau,
balões, bandeiras nacionais de
vários tamanhos, e, até, um garoto
de pé aos ombros dos familiares.
A Polícia formava um cordão tentando
evitar que o público saísse do lugar
que lhe estava destinado.
Cenas de
carinhosa emoção
À medida que avistavam um parente
corriam para ele e chamavam pelo seu
nome.
Houve cenas de emoção e regozijo,
entre familiares e amigos. Uma mãe
magra e alta, ao avistar o filho,
rompeu o cordão policial e de braços
bem abertos correu para ele.
Desembaraçou-se do guarda, que
procurava impedir-lhe o gesto. Dando
a impressão que não assentava os pés
no solo, aquela mãe «voou»,
autenticamente, para os braços do
seu ente querido.
A cerimónia
oficial
Às 12 horas, o contingente formou no
cais, para receber os cumprimentos
oficiais. O sr. general Lopes
Franco, ajudante general do
Exército, subiu ao estrado, tendo
antes passado revista à formatura,
acompanhado do comandante sr.
tenente-coronel Dionísio.
O sr. general Lopes Franco, como
representante do ministro do
Exército, disse ter a maior honra e
alegria em apresentar as boas-vindas
aos que cumpriram o seu dever
durante dois anos, em defesa da
nossa soberania, sofrendo a
insegurança de todas as horas
correndo todos os perigos,
suportando o clima africano, em que
lutaram com um inimigo que se não
apresenta às claras. Felicitou-as
por fim por terem regressado para
junto das suas famílias.
O sr. tenente-coronel Ernesto
Dionísio, começou por declarar que o
batalhão do seu comando, que esteve
ausente da Pátria mais de 28 meses,
regressava com jubilo ao leio das
famílias.
- Não é com menos alegria -
acrescentou - que podemos afiançar
termos cumprido o nosso dever,
grande parte nos Dembos, onde
deixámos alguns dos nossos
camaradas.
Depois, referiu-se aos que caíram no
campo de batalha, aos que ficaram
feridos, mutilados e estropiados,
aos sacrifícios dos dias de sede e
de calor que suportaram.
Por fim agradeceu as palavras do
general Lopes Franco e pediu-lhe que
apresentasse também ao ministro do
Exército os seus agradecimentos.
Desembarque
de quatro urnas
No «Vera Cruz» vieram também as
urnas com os restos mortais do
capitão miliciano António de
Guadalupe Taveira Pinto Maia Mendes,
filho do sr. António Joaquim Maia
Mendes e da sr.ª D. Maria de
Guadalupe Maia Mendes, que era
casado com a Sr.ª D. Maria Helena de
Maia Mendes; do alferes sr. Carlos
Alberto Santos Pereira, natural de
Alhandra, para onde seguiu o
préstito fúnebre; do alferes Jorge
M. Santos Lopes da Silva, que ficou
depositado na capela do Hospital da
Estrela; e do 2.º sargento Francisco
Céu Pires, filho de João de Almeida
Pires e D. Palmira da Conceição
Pires, que era casado com a sr.ª D.
Maria José Costa Pires, e que seguiu
hoje em auto-fúnebre para o
cemitério de Vendas Novas.
A chegada
de um destacamento a Leiria
LEIRIA 5 - Tiveram carinhosa
recepção as forças do Regimento de
Infantaria 7, chegadas esta tarde a
esta cidade num total de 590 homens
entre oficiais, sargentos e praças,
após dois anos no Ultramar em missão
de soberania. Aqueles valorosos
militares que desfilaram pelas ruas
da cidade, foram aguardados, junto
ao monumento aos Mortos da Grande
Guerra, pelo comandante do
respectivo regimento, coronel Luís
Estorninho Neves, estando também
presentes o governador civil do
distrito, o presidente da Câmara
Municipal, outras individualidades e
muito povo. Seguidamente foi
celebrada missa de acção de graças
no Convento da Portela, pelo rev.º
Vieira da Rosa, capelão da guarnição
militar.
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Os mortos - NTT «Vera Cruz»
Fonte:
8.º Volume, Tomo I, Livro1, da RHMCA / CECA / EME
António
de Guadalupe Taveira Pinto Maia
Mendes
António de Guadalupe Taveira Pinto
Maia Mendes, Capitão Mil.º de
Artilharia, natural da freguesia e
concelho de Mafra, filho de António
Joaquim de Castro Maria Mendes e de
Maria Guadalupe Taveira Pinto Maia
Mendes, casado com Maria Helena de
Almeida Dias Maia Mendes.
Mobilizado pelo Grupo de Artilharia
Contra Aeronaves 3 (GACA3 - Évora)
para servir Portugal na Província
Ultramarina de Angola como
comandante da Companhia de Caçadores
501 do Batalhão de Caçadores 503.
Faleceu no dia 25 de Dezembro de
1963 no Hospital Militar 124, em
Luanda, vítima de doença.
Está sepultado no cemitério dos
Prazeres, em Lisboa.
Carlos
Alberto Santos Pereira
Carlos Alberto Santos Pereira,
Alferes Mil.º Atirador, natural da
freguesia de São Sebastião da
Pedreira, concelho de Lisboa,
solteiro, filho de Carlos Pereira
Neto e de Ilda dos Santos Moita e
Neto.

Mobilizado pelo Regimento de
Artilharia Pesada 2 (RAP2 - Vila
Nova de Gaia) para servir Portugal
na Província Ultramarina de Angola
integrado na Companhia de Artilharia
491.
Faleceu no dia 29 de Novembro de
1963, em Massabi (Cacongo) vítima de
acidente de viação.
Está sepultado no cemitério de
Alhandra, concelho de Vila Franca de
Xira.
Jorge
Manuel dos Santos Lopes da Silva
Jorge Manuel dos Santos Lopes da
Silva, Alferes Mil.º de Infantaria
Atirador, natural da freguesia de
São Domingos de Benfica, concelho de
Lisboa, solteiro, filho de Arlindo
Lopes da Silva e de Lucinda Maria
Santos Silva.
Mobilizado pelo Regimento de
Infantaria 15 (RI15 - Tomar) para
servir Portugal na província
Ultramarina de Angola integrado na
Companhia de Caçadores 468 do
Batalhão de Caçadores 471 «FIRMES E
CONSTANTES».
Faleceu no dia 13 de Novembro de
1963, na picada Cacamba - Pange (Úcua),
a 8 km da Fazenda Ângela, vítima de
ferimentos em combate.
Está sepultado no cemitério de
Benfica, concelho de Lisboa.
Francisco
Céu Pires
Francisco Céu Pires, 2.º Sargento
Mecânico de Armas Pesadas, natural
da freguesia de São Salvador,
concelho de Elvas, filho de João
Almeida Pires e de Palmira da
Conceição Pires, casado com Maria
José Rosa da Costa Pires.
Mobilizado pela Companhia
Divisionária de Manutenção Material
(CDMM - Entroncamento) para servir
Portugal na Província Ultramarina de
Angola integrado no Agrupamento do
Serviço de Material de Angola.
Faleceu no dia 29 de Julho de 1963
no Agrupamento do Serviço de
Material de Angola, vítima de
acidente.
Está sepultado no cemitério de
Vendas Novas.