Fui nomeado por escolha ainda
tenente, entre muitos voluntários, Comandante da 14.ª
Companhia de Comandos, o que muito me honrou e de que
muito me orgulho.
Comandar a 14.ª Cmds, não foi
difícil pois vigoravam os princípios do exemplo, a
começar pelo Comandante de Companhia e restantes
graduados, da coesão, da perfeita noção do dever
militar, e do total cumprimento da missão.
A carta que nos enviou na hora da
despedida, o Comandante e Comando n.º 1 Coronel Santos e
Castro, resume o que foi a Companhia. “o que queria que
ficassem sabendo e o sentissem, é quanto vos estimo e
admiro, e o quanto fico devendo na sinceridade com que
serviram e a isenção com que se devotaram. ”Procurámos
sempre dentro das possibilidades fazer o melhor, mas é
exagerado quando diz “ pois pelo que aqui fizeram que
considero extraordinário”
Foi uma Companhia que nunca
procurou o protagonismo, nem se pôs em bicos dos pés
para que a vissem, ou lhe atribuíssem objectivos
rentáveis. Estava sempre disponível, cumpria sempre para
além da missão atribuída, vivendo a maior parte do tempo
em condições precárias.
É verdade que muitos Comandos
Operacionais, particularmente no Leste, não compreendiam
as missões que deviam ser cometidas aos comandos, e dos
objectivos que nos foram atribuídos, alguns ou não
existiam ou estavam abandonados, mas apesar disso a
Companhia continuava á procura do IN, e os seus
resultados foram na generalidade obtidos á custa dessa
persistência, dessa procura permanente.
A disciplina consentida, o
espírito de corpo, e a rusticidade dos nossos soldados,
permitiram que apesar da intensa actividade operacional
a que foi sujeita, em sucessivos deslocamentos para o
Leste, Norte, e Cuito Cuanavale, a Companhia mantivesse
os 5 Grupos operacionais até ao fim, e realizasse
operações depois de terminar a Comissão. Além disso
nunca descurou a parte administrativa e logística
particularmente as viaturas, que foram entregues a outra
Companhia com 70000 km, totalmente operacionais o que
mereceu o elogio dos escalões superiores.
Os erros cometidos por acção ou
omissão, foram na generalidade consequência das
vicissitudes da guerra e dos seus efeitos.
A camaradagem existente persistiu
ao longo dos anos, como o demonstram os convívios
anuais, onde relembramos os nossos mortos.
Tendo sempre em conta as nossas
referências, que são a Bandeira nacional que era içada
diariamente, o Código comando que era lido nas
formaturas, podemos afirmar 40 anos depois que a 14ª
Companhia de Comandos Honrou os seus Mortos SERVIU
PORTUGAL, e a PÁTRIA pode sempre contar connosco.