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Efemérides - 9 de Abril de 1918
Imagens e elementos cedidos por
um Veterano
Batalha de La Lys - 9 de Abril de 1918
Corpo Expedicionário Português (CEP),
na Flandres
Como em data próxima –
9 de Abril de 2008 –
decorrem 90 anos sobre a conhecida «Batalha de La Lys»,
creio adequado relembrar –
aos que sabem – e fazer
conhecer – aos "órfãos
da história" –, algumas
prévias circunstâncias justificadoras da presença, e
participação muito activa e decisiva, no
teatro-de-operações europeu, aquando da Grande Guerra,
de militares portugueses, devidamente uniformizados e
enquadrados, cujo espírito de missão ficou
indelevelmente sustentado na defesa dos interesses de
Portugal, muito justamente em regiões diversas daquela
onde se travou a citada Batalha.
Não apenas o regime da 1ª República fez questão em
manter sob «interesses europeus» a nossa participação na
Grande Guerra, como os sucedâneos, até hoje, por
intermédio de instituições por si tuteladas, ensombram
na efeméride do «9 de Abril» os demais, e por demais
relevantes, acontecimentos ocorridos no nordeste de
Moçambique (a partir de 24 de Agosto de 1914) e no
sudoeste de Angola (a partir de 17 de Outubro de 1914),
momentos ambos em que inexistia qualquer «declaração de
guerra» por parte do beligerante germânico. Agravos
esses, sim, os que "ditaram" a mobilização, do citado
CEP, para intervir militarmente
– em nome da defesa dos
interesses de Portugal –,
fora de território nacional.

1916 – Março.27 (2afeira, quarto-minguante)
Na costa nordeste de Moçambique, largam da baía de Porto
Amélia o aviso Adamastor e a canhoneira
Chaimite com cerca de 400 militares sob comando do
major Guedes Quinhones Portugal da Silveira, para
proceder à reocupação do Quionga.
– «Em fins de Março organizou-se em Porto Amélia um
pequeno destacamento, sob comando do major Portugal da
Silveira, com uma companhia
[do Batalhão] de
Infantaria 21, uma bateria de artilharia de montanha e
um pelotão de cavalaria. Tinha como fim ocupar Quionga e
fazer um reconhecimento ofensivo na direcção de
Mikindani [60km norte do
estuário do Rovuma] e Lindi, procurando-se fixar
nestas cidades inimigas. O major Silveira marchou de
Palma para Quionga, cerca de 12km, com as forças
referidas e a 20a Companhia Indígena.»¹
Entretanto em Paris, o chefe do governo francês Aristide
Briand² dá início à
Conferência dos Aliados.
Por essa ocasião em Lisboa, o novo governo determina que
seja rapidamente constituído o 3o Corpo
Expedicionário ao norte de Moçambique.
– «Era composta por 3 batalhões dos Regimentos de
Infantaria nos 23, 24 e 28, recrutados em
Coimbra, Aveiro e Figueira da Foz.
[...] Contava
ainda com 3 baterias de metralhadoras, 3 baterias de
artilharia, 1 companhia de engenharia, telegrafistas,
elementos do serviço de saúde, administrativos e de
transporte, etc. Apresentava um total de 159 oficiais,
4483 praças, 945 solípedes e 159 viaturas. Comandava a
expedição o general Ferreira Gil, que não tinha qualquer
experiência colonial.
[...] Foram sujeitos
[...] a uma
intensiva instrução, na Escola de Infantaria de Mafra.
[...] Esta expedição deveria incorporar ainda as
forças da expedição anterior, que se encontravam
fisicamente esgotadas. [...] O objectivo principal desta expedição era a passagem do
[médio] Rovuma
para assim invadir o território alemão, e ocupar
[a nordeste do posto
fronteiriço de Negomano o posto de Maúta, os poços de
água do planalto e o fortim de] Newala e
[mais para norte as
povoações de Quivambo e de] Massassi.» ³
Na manhã seguinte, o governo emite um decreto que
determina sejam enviados à censura prévia, enquanto
durar o estado-de-guerra, todos os periódicos e
quaisquer outras publicações: de imediato, surgem os
protestos da Associação de Jornalistas e Homens de
Letras do Porto; e logo a seguir o XII Ministério
da República declara dissolvidas as estruturas
sindicais que se manifestem contra a participação de
tropas portuguesas no teatro-de-operações europeu.
– «Com o fim de evitar que seja utilizada a Imprensa
como uma arma política contra a realização do seu
programa de reconstrução nacional, contra as
instituições republicanas e contra o bem-estar da Nação,
[...] não deve
porém deixar de considerar-se a influência deletéria que
exercem sobre a opinião pública determinados jornais do
País, quer aplaudindo ainda que indirecta ou veladamente
a violência e a desordem, a coberto de uma ideologia
falseada, quer mantendo um mutismo culposo e absurdo em
face de actos que a Nação repudia e cujas consequências
só em lágrimas de sangue podem ser avaliadas.» 4
¹ (Ana Luísa Araújo
Pinto, in “Memórias de Um Dever Cumprido”, pp.66; ed.
Liga dos Combatentes, Lisboa 19Out96, 440pgs);
² (nascido em 1862,
filho de um agricultor bretão; em 1903 deputado
socialista e em 1905 liderou o movimento para a
separação entre o Estado e a Igreja);
³ (Araújo Pinto,
op.cit pp.68,70);
4
(director-geral dos Serviços de Censura, ofício de
“Instruções às Delegações”; Lisboa, 28Ago31)
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Livros
(indicados por Ilídio Costa):
"Epopeia - Maldita"
(O drama da Guerra de África), de António de Cértima
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