Elementos cedidos por um colaborador
do portal UTW
Foto cedida pelo veterano J. C. Abreu
dos Santos
John
P. Cann

John P. Cann, oficial-aviador da Marinha
norte-Americana na reserva, fez parte do gabinete do
Secretário Auxiliar da Defesa para Operações Especiais e
Conflitos de Baixa Intensidade e, depois, do gabinete do
Subsecretário de Estado da Defesa.
Doutorado em Estudos de Guerra pelo King's College, da
Universidade de Londres, tem publicado artigos sobre o
tema da contra-insurreição. Prestou também serviço no
Pentágono e no comando Ibérico da Nato, em Oeiras.
O livro:
"OS FLECHAS"
(Os Caçadores Guerreiros do Leste de
Angola, 1965-1974")

título: "OS FLECHAS - Os Caçadores
Guerreiros do Leste de Angola, 1965-1974"
autor: John P. Cann
versão portuguesa
editor: Tribuna da História
1ªed. Parede, 02Abr2018
128 págs
27x20cm
pvp: 18,90 €
ISBN: 989-8219-5-10
- Apresentação:
Este livro versa sobre uma força especial indígena,
conhecida como "Flechas", que foi criada em 1966 em
resposta a uma necessidade de recolha de informações de
interesse político-militar no Leste de Angola.
Os "Flechas" foram inicialmente recrutados na população
da milenária raça bosquímane de caçadores-recolectores,
habitantes das planícies e savanas do Leste de Angola,
Namíbia e deserto do Karoo, muito antes da chegada dos
africanos de raça bantu. De pequena estatura, cor da
pele acastanhada e com rostos de aparência asiática, o
seu modo de actuação em operações de reconhecimento
independentes
era pautado pelo espartanismo e a discrição. Essas
missões consistiam em patrulhas de longo raio de acção,
com penetração profunda em áreas inimigas conhecidas ou
suspeitas. Revelaram igualmente grande competência em
operações conjuntas com forças terrestres regulares.
Nessas missões, respondiam não apenas à PIDE/DGS, que os
criou e com quem estavam integrados como organização
paramilitar, mas também ao comandante local do Exército
que os empregava pelos seus superiores dotes de
pisteiros e batedores silenciosos, para guiar forças
regulares.
Organizavam-se em grupos de combate em moldes idênticos
aos das unidades do Exército, nunca excedendo os 30
homens. Uniformizados, recebiam um intenso treino
específico de utilidade militar e mais tarde de tiro com
armas-de-fogo, mas revelavam sempre uma forma africana
única de resolver problemas. Os seus grupos operavam
invariavelmente em zonas onde a língua e o terreno lhes
eram familiares. No seu início em 1966, existiam apenas
8 "Flechas", mas em 1974 eram mais de 2000. No Norte de
Angola existiram "Flechas" organizados com
ex-prisioneiros de grupos "nacionalistas" reconvertidos.
Esta é a história da ascensão para a fama dos "Flechas",
com as suas inigualáveis qualidades de competência e
eficácia como caçadores-guerreiros, mestres na
utilização do terreno, características que lhes eram
próprias pela sua ancestral vivência como
caçadores-recolectores, e que as souberam aplicar nas
contingências próprias da guerra moderna nas matas
africanas. O sucesso militar do conceito de utilização
dos "Flechas" será copiado pelas forças armadas da
África do Sul, pelo que será dramático mais tarde o
quase-desaparecimento deste povo com a cessação geral do
conflito em Angola e no Sudeste Africano nos finais de
1980. É uma narrativa histórica, e culturalmente
importante, acerca do aproveitamento militar de um povo
talentoso, dedicado e leal, que, utilizado pelas suas
qualidades únicas, foi igualmente dramaticamente traído
por Portugal e pelos seus novos governos nacionais de
Angola, Namíbia
e África do Sul.
- Prefácio:
«A origem do meu interesse pelas campanhas portuguesas
em África começou no período de 1987 a 1992, durante o
qual estive colocado, como oficial de Marinha dos
Estados Unidos, em reforço do estado-maior do comando
OTAN da Área Iberoatlântica em Oeiras, Portugal, durante
os vários exercícios navais que aí tiveram lugar.
Todos os oficiais portugueses com quem servi tinham
combatido em África entre 1961 e 1974, durante as
campanhas portuguesas de manutenção do seu império. O
relato das experiências por que passaram durante essa
longa guerra de mais de 13 anos fascinou-me. Esse é um
conflito que ainda hoje continua a ser mal conhecido ou
percebido fora de Portugal e acerca do qual pouco tem
sido escrito em inglês. As minhas colocações
subsequentes desenvolveram o meu interesse pelo tema da
insurreição e, por consequência, regressei naturalmente
às campanhas africanas portuguesas assim que tive
oportunidade para isso.
Este livro versa sobre uma força especial indígena,
conhecida como "Flechas", que foi criada em 1966 em
resposta a uma necessidade de recolha de informações de
segurança no Leste de Angola.
O sistema de informações de segurança português
necessitava de um incremento especializado em Angola e a
polícia de segurança nacional em Angola, conhecida pelo
acrónimo PIDE (Polícia Internacional de Defesa do
Estado, depois chamada DGS), foi incumbida dessas
tarefas de contrainsurreição.
A PIDE debateu-se, inicialmente, com problemas de
adaptação a esse novo ambiente quando quis proceder à
recolha de informações acerca dos movimentos
insurrecionais.
A população continuava a ser pressionada e aterrorizada,
a situação local mantinha-se confusa e havia a
necessidade premente de uma solução de longo prazo. Mas
a PIDE continuava a debater-se com a incerteza na busca
de uma solução fiável. Um dos obstáculos aos esforços
que então empreendeu foi a diversidade das línguas
faladas localmente, pois existem cerca de 15 dialectos
diferentes em Angola.
Por volta de 1967, numa tentativa para tornar mais
eficazes os seus esforços de reconhecimento, começou a
empregar autóctones como auxiliares, tirando partido do
conhecimento que eles tinham do terreno, da sua
familiaridade com as populações e dos seus dotes
linguísticos ímpares. Esta iniciativa revelou-se
parcialmente bem-sucedida.
O emprego de auxiliares iniciou-se nos arredores da
cidade do Luso, no Leste de Angola, lançando mão de
indivíduos aí nascidos e criados, e enviando-os para o
mato que lhes era familiar, para que soubessem o que por
lá se passava. Esses nativos deslocavam-se com
facilidade no terreno por períodos prolongados,
diluindo-se na população de modo discreto. Inicialmente,
apenas 8 se esperava que observassem e recolhessem
notícias sobre os rebeldes; contudo, a PIDE constatou
que por vezes eles eram capturados e torturados, pelo
que passou a treiná-los adequadamente e a armá-los para
autodefesa.
Depressa se apercebeu também de que os bosquímane (bushmen)
eram mais adequados para esse propósito. Esse povo
habitava a vasta e remota área do Cuando-Cubango,
distrito do sudeste de Angola apropriadamente apelidado
por Henrique Galvão como "Terras do Fim do Mundo". E os
bosquímane foram então largamente utilizados, tendo sido
em consequência dessa utilização que nasceram os
"Flechas".
Os "Flechas" operavam quer independentemente, quer
integrando forças convencionais de maior dimensão. Eram
devastadores em operações independentes pautadas pelo
espartanismo e a discrição. Essas missões de
reconhecimento consistiam em patrulhas de longo raio de
ação, com penetração profunda em áreas consideradas
inimigas ou suspeitas. E revelaram igualmente grande
competência em operações conjuntas com forças terrestres
regulares. Nessas ocasiões, respondiam não apenas à
PIDE, mas também ao comando local do Exército. Eram
empregues, dado os seus superiores dotes de pisteiros,
para guiar forças regulares.
As forças terrestres confiavam nos "Flechas", com os
conhecimentos e perícia própria, para decidirem a forma
mais apropriada para actuar numa determinada área,
compensando assim a natural degradação do conhecimento
adquirido pelos militares em exercício na área, fruto da
rotação das unidades.
Os "Flechas" organizavam-se em grupos de combate em
moldes idênticos aos das unidades do Exército, recebiam
um intenso treino específico, mas sempre revelavam uma
forma africana única de resolver os problemas.
Os seus grupos nunca excederam os 30 homens e operavam,
invariavelmente, em zonas onde a língua e o terreno lhes
eram familiares. No início de 1966, existiam apenas 8
"Flechas", mas em 1974 eram mais de 2000.
Esta é a história da sua ascensão para a fama e respeito
que alcançaram, pelas inigualáveis competência e
eficácia que revelaram durante a guerra colonial
portuguesa, bem como do seu desaparecimento com a
cessação geral do conflito no Sudeste Africano nos
finais de 1980. É uma narrativa inspiradora acerca de um
povo talentoso, dedicado e leal que foi traído por
Portugal e pelos seus novos governos nacionalistas
angolanos, tendo os seus irmãos sul-africanos conhecido
fama e sorte semelhante.»
(John P. Cann)
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Para visualização do
conteúdo clique no sublinhado que se segue:
Os
Flechas uma das melhores forças antiguerrilha ao serviço
de Portugal
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Armas capturadas:



Governador-Geral
Rebocho Vaz

Flechas na Zona
Militar do Leste (ZML)
Convite:
Cerimónia de lançamento do livro «Os
Flechas - Os Caçadores Guerreiros do Leste de Angola,
1965 - 1974» que terá lugar na terça-feira, dia 10 de
Abril [2018], pelas 18H00, no Palácio da Independência,
ao Rossio, em Lisboa.
Com a presença do autor, Comandante Jonh
P. Cann.
A apresentação da obra será feita
pelo Coronel José Aparício.
