Texto que se segue saiu num
Jornal de Moçambique, quando do
regresso á Metrópole da 4.ªCCP,
extraído do livro “Os Últimos
Guerreiros do Império“ da editora
“Erasmos”:
(das páginas 152 e 153 do livro)
«NA HORA DO REGRESSO DESFILE
DE PÁRA-QUEDISTAS NA BAIXA.
Á ACÇÃO NO NORTE DOS BOINAS VERDES
«Lourenço Marques verá amanhã,
nas suas ruas, os valorosos
militares que, terminada a sua
comissão de serviço, regressam à
Metrópole com a consciência plena de
bem terem cumprido o seu dever. Na
nossa edição de amanhã nos
referiremos largamente ao
acontecimento e ao desfile geral
após a tradicional cerimónia de
despedida que se deverá efectuar,
como habitualmente, junto à Praça de
Mouzinho. Entretanto, podemos
referir que, entre os contingentes
de regresso, se conta a 4.ª
Companhia de Caçadores
Pára-quedistas do Batalhão de
Caçadores Pára-quedistas n.º 31 que,
nesta província, permaneceu cerca de
dois anos.
«Brilhante foi a acção
desenvolvida pelos rápidos rapazes
da boina verde, que amanhã se
despedirão da cidade com imponente
desfile com início às 15 horas,
partindo do largo fronteiriço ao
edifício da Fazenda e avançando pela
Av. da República e General Machado
até à Praça Mac-Mahon. E decerto que
o público acorrerá a formar alas ao
longo de toda a Baixa, não só porque
esse punhado de bravos bem merece
toda a simpatia e calor humano que
lhes dispensemos, mas igualmente
porque se tornaram de há muito
famosos, com o seu garbo impecável,
os desfiles dos Boinas Verdes.
«Nestes dois anos, de intensa
e extraordinária actividade, a 4.ª
Companhia de Caçadores
Pára-quedistas efectuou trinta e
cinco operações no Norte da
província, desde o lago Niassa ao
Oceano Indico entre os rios Rovuma e
Messalo.
«Efectuando a grande maioria
das operações nas regiões do
planalto de Mueda e áreas
limítrofes, onde o inimigo é mais
aguerrido e mais bem armado, onde a
sede e o calor mais atormentam os
homens e onde a falta de água tornam
mais difíceis as árduas tarefas de
que as tropas são incumbidas,
desenvolveu a 4.ª Companhia de
Pára-quedistas um trabalho intenso,
esforçado e de resultados
remuneradores.
«Do balanço geral das suas
actividades ressaltam os vultuosos
números de 448 baixas causadas ao
inimigo, captura diversa, armamento
entre espingardas de repetição,
semi-automáticas,
pistolas-metralhadoras e
metralhadoras ligeiras, munições,
fardamento e equipamento e artigos
vários e a destruição de
acampamentos de bandoleiros e
populações fugidas, que atingiram a
ordem das centenas de palhotas e
outras edificações diversas.
«Acção abnegada, esforçada e
devotado desejo de vencer da 4.ª
Companhia de Caçadores
Pára-quedistas arrostando todos os
perigos e ardis do inimigo causando
sucessivas baixas e destruições nos
seus meios, e vencendo todas as
dificuldades que se lhes depararam
muito contribuiu para o
desequilíbrio e desarticulação
ultimamente verificados no seio dos
terroristas de Cabo Delgado.
«Denodada e estoicamente a 4.ª
Companhia de Caçadores
Pára-quedistas soube superar todas
as asperezas e agruras da luta
contra o terrorismo, afirmando
constantemente a firme determinação
do povo em querer que Moçambique
seja sempre Portugal.
«Entregando-se integralmente
ao querer vencer, actuando em zonas
inóspitas, sempre no esforço de ir
mais além e de provar ao inimigo que
ele só poderá estar onde as forças
portuguesas não estiveram, a 4.ª
Companhia de Caçadores
Pára-Quedistas desenvolveu
assinalado esforço, sobrepondo-se,
"mais do que permitia a força
humana" ao desgaste natural da luta
e dos milhares de quilómetros
percorridos.
«Impondo sempre uma acção
dinâmica, de marcado espírito
ofensivo e com determinadas
qualidades de agressividade e
determinação, percorrendo
quilómetros e quilómetros por montes
e vales do Norte da província,
sujeitando o inimigo a debandar
desordenadamente quando não se
furtava ao combate, a 4.ª Companhia
de Caçadores Pára-quedistas, soube
granjear uma elevada reputação
operacional para as tropas
pára-quedistas e para as Forças
Armadas portuguesas.
«Pela actividade operacional
desenvolvida, pela grandeza do
esforço despendido, pelo espírito
combativo demonstrado, pela actuação
da 4.ª Companhia de Caçadores
Pára-quedistas, do Batalhão de
Caçadores Pára-quedistas n.º 31,
soube dignificar o elevado conceito
em que são tidas as tropas
pára-quedistas e dela se poderá
dizer com orgulho e satisfação que
"honra-se a Pátria de tal gente".»