Elementos cedidos por um
colaborador
do portal UTW
e outros elementos
cedidos pelo próprio autor

Sergio O. Sá
1.º Cabo, com a especialidade de
enfermagem militar
Companhia de Caçadores
1463
Batalhão de Caçadores 1867
«ÁGUIAS NEGRAS»
«CONDUTA BRAVA EM TUDO DISTINTA»
Angola: 29Nov1965 a
14Jan1968
O livro:
"MOMENTOS"
Na vida de um soldado em tempos de
tropa e de guerra - 1964 a 1968
título:
"MOMENTOS na vida de um soldado em
tempos de tropa e de guerra"
autor: Sérgio O. Sá
editor: (o autor) *
design gráfico, impressão e acabamento:
Sersilito - Empresa Gráfica, Lda.
colecção: Memórias
dep.leg: 532852/24
ISBN: 978-989-33-6232-7
(*) contacto:
sergio.o.sa@sapo.pt
ou
914 268 141
Nota
Prévia:
Os episódios aqui
reunidos, recolhidos de cadernos e folhas
soltas, aconteceram, como o título da
publicação indica, ao longo do tempo em que
integrei as fileiras do Exército Português.
Organizada esta compilação, procedi à
correcção ortográfica e à substituição de
inúmeros vocábulos por alguns dos seus
sinónimos.
Todo o resto procurei conservar: modos,
tempos verbais e vírgulas em vez de
travessões, quando os textos ou parte deles
correspondem a conversas entre
interlocutores.
*****
Ao ler estas narrativas, tão longe já do
tempo em que as produzi, não posso deixar de
o fazer também com um olhar algo crítico
relativamente ao significado que algumas
delas parecem comportar. Sobretudo
significado político, digo-o agora, porque
não me parece que naquela altura tivesse
verdadeira consciência da responsabilidade
que assumia ao escrever assim. É que, para
mim, não era uma questão de política e muito
menos de ideologia, mas sim de moral e de
humanidade, de livre pensamento e de
honestidade intelectual, se é que faz
sentido usar estes termos, relativamente ao
que sentia e pensava naquele tempo no âmbito
do exíguo mundo em que me movia.
Liberdade de pensamento e seriedade no
pensar, duas maneiras de fintar a sorte que
me haviam destinado na infância - qual
tragédia sofrida nos bastidores do teatro da
vida, em cujo palco actuava a fazer de
conta.
Dois jeitos de que deitava mão, mas que me
instigam hoje a concluir que, ao fazê-lo,
terá sido quantiosa em mim uma certa
inocência - essa coisa que, mesmo rejeitada
e até combatida, reflecte sempre a verdade,
por na verdade se apoiar. Na verdade que
possa existir mesmo que apenas para quem
dela se valha para sustento da utopia, dessa
ilusão que nos mantém crentes, nos alimenta
a esperança e fermenta o ideal.
Terá sido a partir das verdades que
encontrei que o meu pensamento se deixou
conduzir, quase exigindo que o traduzisse
deste modo, nas páginas dos meus cadernos.
Momentos vividos e sofridos, transformados
em desabafos catárticos que me ajudaram a
sobreviver psiquicamente.
Hoje atrevo-me a achar que muito do que
então anotei, mais do que ter sentido
político, poderia ser interpretado como de
cariz subversivo, atendendo à realidade
então vigente.
Valeu-me mais uma vez o hábito de escrever
só para mim, como que eu fosse outro -
aquele que se habituara a guardar tudo o que
pensava ser só seu. Foi assim que esses e
outros papéis se mantiveram em secreta
clausura até 1974.
Janeiro de 1999.
O autor
