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Condecorações

20Abr1970: Barbamente assassinados 3 Majores, 1 Alferes e 3 Guias, do Exército Português

 

[...] Os sete corpos estavam espalhados. Dava a ideia de que tentaram fugir. Partiram desarmados para o encontro. Não tinham maneira de se defenderem. Foram apanhados à traição. Todos eles eram homens valentes. [...]

 

Testemnho de Francisco Rodrigues, Furriel Mil.º

 

HONRA E GLÓRIA

Elementos cedidos por um

colaborador do portal UTW

 

Alberto Fernão de Magalhães Osório

 

Major de Infantaria

 

Angola: Jun1961 a Out1963

 

Comandante da

Companhia de Caçadores 168

Batalhão de Caçadores159

«BRAÇO ÀS ARMAS FEITO»

 

 

Guiné: Out1965 a Ago1967

Comandante da

Companhia de Caçadores 1487

 

Guiné: Jan1969 a Abr1970

Chefe da

3.ª Repartição do Comando de Agrupamento Operacional/CTIG

«ONDE NECESSÁRIO»

Ordem Militar de Torre e Espada do Valor Lealdade e Mérito, grau oficial

Medalha de Ouro de Valor Militar com palma

(Título póstumo)

Medalha de Prata de Valor Militar com palma

Cruz de Guerra de 3.ª classe

Medalha de Mérito Militar de 3.ª classe

Ordem Militar de Avis, grau cavaleiro

(Título póstumo)

Medalha de Promoção por Distinção

(Título póstumo)

 

 

 

Alberto Fernão de Magalhães Osório, Major de Infantaria, nascido no dia 20 de Janeiro de 1930 na freguesia do Baraçal, concelho de Celorico da Beira, filho de Maria Luísa Magalhães Alves de Sousa Osório e de Francisco da Conceição Osório.


Em 22 de Outubro de 1949 ingressa na Escola do Exército, para frequentar o curso de infantaria;


Em Setembro de 1953, Alferes do quadro de infantaria (n/m 50972511), embarca em Lisboa rumo a Goa, a fim de servir Portugal no Estado da Índia Portuguesa;


Em Fevereiro de 1956, entretanto promovido a tenente, regressa à Metrópole;


De 16 a 21 de Novembro de 1960, entretanto promovido a capitão, frequenta na Escola Prática de Infantaria (EPI -Mafra) «AD UNUM» o 4º curso de métodos de instrução;


Em 20 de Março de 1961, encontrando-se colocado no Batalhão Independente de Infantaria 17 (BII17 - Angra do Heroísmo) «ANTES MORRER LIVRES QUE EM PAZ SUJEITOS», transferido para o Regimento de Infantaria 7 (RI7 – Leiria) «SINE SANGUINE VICTORIA NON EST»;


Em 28 de Junho de 1961, tendo sido mobilizado para servir Portugal na Província Ultramarina de Angola, embarca em Lisboa no NTT 'Vera Cruz' rumo ao porto de Luanda, como comandante da Companhia de Caçadores 169 (CCac169) do Batalhão de Caçadores 159 (BCac159) «BRAÇO ÀS ARMAS FEITO»;


Em 2 de Novembro de 1962 agraciado com a Medalha de Mérito Militar de 3ª classe;
 

Em 26 de Outubro de 1963 regressa à Metrópole;


Em 3 de Março de 1964 agraciado com a Cruz de Guerra de 3ª classe:

 


Capitão de Infantaria
ALBERTO FERNÃO DE MAGALHÃES OSÓRIO
 

CCac169/BCac159 - RI7
ANGOLA


3.ª CLASSE


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército n.º 8 – 2.ª série, de 1964.


Por Portaria de 3 de Março de 1964:


Condecorado com a Cruz de Guerra de 3.ª classe, ao abrigo dos artigos 9.º e 10.º do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, por serviços prestados em acções de combate na Província de Angola:


O Capitão de Infantaria, Alberto Fernão de Magalhães Osório, da Companhia de Caçadores n.º 169 do Batalhão de Caçadores n.º 159 - Regimento de Infantaria n.º 7.


Transcrição do louvor que originou a condecoração.


(Publicado na Ordem de Serviço n.º 89, de 25 de Outubro de 1963, do Quartel General da Região Militar de Angola - QG/RMA):


Louvo o Capitão de Infantaria, Alberto Fernão de Magalhães Osório, Comandante da Companhia de Caçadores n.º 169 do Batalhão de Caçadores n.º 159 - Regimento de Infantaria n.º 7, porque, durante a sua permanência de 27 meses na Zona de Intervenção Norte de Angola, desempenhou as funções de combatente e de comandante de uma maneira, em muitos aspectos, excepcional.


Dentre as numerosas e importantes operações em que a sua Companhia tomou parte, nomeadamente:


No Vale do Loge, em 9 de Setembro de 1961, na Serra da Cananga, em Janeiro de 1962, na Inga e Pete, em Março de 1962 e na região da Casa da Telha, em Agosto de 1962, merece destaque a sua actuação na primeira daquelas em que, de pé, sobre uma viatura e completamente a descoberto, apesar do fogo inimigo, cobriu com o fogo da sua pistola-metralhadora a retirada e embarque dos componentes do reconhecimento, evitando que houvesse baixas, e na da região da Casa da Telha, em que foi empolgante a actuação da Companhia sob o seu comando, na perseguição movida a elementos inimigos que tinham causado, numa emboscada, um morto e dois feridos às Nossas Tropas.

 

Oficial brioso, dinâmico, integrado perfeitamente nos objectivos desta campanha, transmitiu ao pessoal da sua Companhia um espírito de corpo e uma determinação notáveis, sob o aspecto disciplinar e operacional, este nitidamente agressivo.


Em toda a sua actuação, revelou o Capitão Magalhães Osório extraordinária decisão, abnegação, sangue frio, valentia, desprezo pelo perigo e calma apreciação das situações de combate, ainda mesmo quando directa e deliberadamente alvejado pelo fogo inimigo.


De 17 de Maio a 12 de Junho de 1965 frequenta no Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOE - Lamego) «QUE MUITOS POR SEREM POUCOS NÃO TEMAMOS» o estágio E2 de contra-insurreição;


Em 12 de Outubro de 1965 mobilizado pelo Regimento de Infantaria 15 (RI15 – Tomar) «NON NOBIS» - «FIRMES E CONSTANTES» para servir Portugal na Província Ultramarina da Guiné;


Em 20 de Outubro de 1965 embarca em Lisboa no NTT 'Niassa' rumo ao estuário do Geba (Bissau), como comandante da Companhia de Caçadores 1487 (CCac1487);


Em 25Abr1967 agraciado com a Medalha de Prata de Valor Militar com palma:

 

Capitão de Infantaria
ALBERTO FERNÃO DE MAGALHÃES OSÓRIO
 

CCac1487 - RI15
GUINÉ
 

Grau: Prata, com palma


Transcrição da Portaria publicada na Ordem do Exército n.º 11 – 2.ª série, de 1967:


Por Portaria de 25 de Abril de 1967:


Condecorado com a Medalha de Prata de Valor Militar, com palma, nos termos do artigo 7.º, com referência ao § 1.º do artigo 51.º, do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946, o Capitão de Infantaria, Alberto Fernão de Magalhães Osório, pela maneira dinâmica e altamente eficiente como tem comandado a Companhia.


Oficial de real mérito, conhecedor profundo do tipo de guerra que se trava na Província Ultramarina da Guiné, tomou parte em mais de duas dezenas de operações no Sector S1, evidenciando uma determinação e decisão inquebrantáveis que o levaram em todos os casos ao integral cumprimento da missão.


Sempre predisposto a tomar parte voluntariamente em todas as acções em que a sua Companhia teve de intervir, mesmo com prejuízo do repouso necessário à manutenção do vigor indispensável a tais actividades, é de salientar a sua actuação nas operações "Nani", "Narceja", "Osso", "Nervo", "Quizília", "Nebri", "Nalu", "Naja" e "Negaça", muito especialmente nas duas últimas, em que conseguiu praticar actos de extraordinário heroísmo, rara abnegação, arrojo, audácia, valentia e coragem, com grave risco da vida em frente do inimigo.


Oficial muito esforçado, dotado de elevado espírito de iniciativa, tendo sido destacado para o Sector Sul numa época particularmente difícil, incrementou rapidamente o ritmo da actividade operacional, sempre caracterizada por uma agressividade que soube transmitir à sua Companhia, conseguindo, em poucos meses, aliviar a forte pressão que o inimigo vinha exercendo há certo tempo naquela área.


Pelas qualidades excepcionais já evidenciadas, pelo valor como tem conduzido as operações, o Capitão Osório é um oficial de escol, muito competente, dedicado, com muita compreensão das responsabilidades de verdadeiro chefe, de boa formação, inteligente, muito desembaraçado, voluntarioso e enérgico, vivendo intensamente todos os problemas dos seus homens, a quem soube incutir elevado espírito de corpo e, no mais alto grau, a noção do dever a cumprir, conseguindo, desse modo, obter o melhor rendimento em todas as situações de combate em que a sua Companhia tem sido empenhada e prestou no exercício das funções de comando, valorosos e distintos feitos de armas de que resultaram brilho e honra para as Forças Armadas e para a Nação.


Em 1 de Agosto de 1967 regressa à Metrópole;


Em 5 de Agosto de 1967 promovido por distinção a major pelos serviços prestados em campanha, ficando colocado no Depósito Geral de Adidos (DGA – Ajuda) «FERVET OPUS»;


Em 8 de Janeiro de 1969, tendo sido nomeado por designação para servir Portugal novamente na Província Ultramarina da Guiné, embarca no Aeródromo Base n.º 1 (AB1 - Figo Maduro) rumo à Base Aérea n.º 12 (BA12 – Bissalanca), a fim de assumir funções como chefe da 3.ª Repartição (3ªRep) do Comando de Agrupamento Operacional (CAOP) «ONDE NECESSÁRIO» do Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG) «CORAGEM E LEALDADE»;


Em 2 de Julho de 1969 agraciado com o Oficialato da Ordem Militar de Torre e Espada do Valor Lealdade e Mérito, por serviços prestados no Ultramar ao longo de oito anos;
 

Major de Infantaria
ALBERTO FERNÃO DE MAGALHÃES OSÓRIO

 

GUINÉ
 

Grau: Oficial
Transcrição do Alvará publicado na Ordem do Exército n.º 15 – 2.ª série de 1 de Agosto de 1969:


Presidência da República Chancelaria das Ordens Portuguesas
 

Alvará de concessão de 6 de Julho último:


Considerando que o Major de Infantaria, Alberto Fernão de Magalhães Osório, após oito anos de campanha contra a subversão no Ultramar, pela coragem constante em presença do inimigo, por suas virtudes militares, alto espírito de sacrifício, decisão, alheamento consciente do perigo, prestígio pessoal sobre as tropas comandadas ou entre os seus camaradas e superiores, se impôs como um alto valor moral da Nação;


Considerando que em acções militares heroicas em Angola e feitos valorosos praticados em combate na Guiné - que lhe deram jus à Cruz de Guerra de 3.ª classe e à medalha de Prata de Valor Militar - revelou personalidade, em cujo carácter estão bem vincados o valor, a lealdade e o mérito;


Américo Deus Rodrigues Thomaz, Presidente da República e Grão-Mestre das Ordens Honoríficas Portuguesas, faz saber que, nos termos do Decreto-Lei n.º 44 721, de 24 de Novembro de 1962, confere ao Major de Infantaria, Alberto Fernão de Magalhães Osório, sob proposta do Presidente do Conselho, o grau de Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.


(Publicado no Diário do Governo, n.º do 153, II série, de 2 de Julho de 1969).


Em 20 de Abril de 1970 morre em combate no noroeste da Guiné:

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado que se segue:

"Bolanha de Cachabate", por J. C. Abreu dos Santos

 

Desde 13 de Maio de 1970 inumado no cemitério paroquial do Baraçal, concelho de Celorico da Beira.


Em 27 de Maio de 1970 agraciado a título póstumo com a Medalha de Ouro de Valor Militar com palma;
 

Major de Infantaria
ALBERTO FERNÃO DE MAGALHÃES OSÓRIO
 

GUINÉ


Grau: Ouro, com palma (Título póstumo)


Transcrição do louvor publicado na Ordem do Exército n.º 12 -2.ª série, de 1970:


Louvado, a título póstumo, por proposta do Comandante-Chefe das Forças Armadas da Guiné, o Major de Infantaria, Alberto Fernão de Magalhães Osório, morto em combate no "chão manjaco", da Província da Guiné, pela forma valorosa como desempenhou as funções de Oficial de Operações do Comando do Agrupamento Operacional.


Oficial inteligente, dinâmico, dotado de elevado espírito militar, excepcional combatente de invulgar competência profissional, exuberantemente revelada através da sua brilhante carreira militar em campanha e comprovada pelas honrosas condecorações de Torre e Espada, Valor Militar e Cruz de Guerra, que ostentava no seu peito, entregou-se total e devotadamente à sua missão, que cumpriu de forma notável.


Integrado numa equipa de elevada capacidade, impôs-se como uma peça de real valor, que contribuiu de forma inequívoca para os êxitos não só no campo militar, como no campo psicológico.


Para além das suas funções de estado-maior, o Major Osório tomou parte em inúmeras operações, deixando bem vincado nos homens que com ele serviram, a imorredoira lembrança de um Chefe prestimoso, que aliava às suas excepcionais qualidades de combatente um carácter de eleição, um espírito aberto, transbordante de vivacidade e de optimismo, que lhe granjearam o respeito, a estima e a admiração de todos os seus subordinados, camaradas e população civil.


Perfeitamente integrado no plano superior de contra-subversão, conseguiu, para além dos invulgares êxitos alcançados em várias missões do mais alto interesse para o teatro de operações da Guiné, constituir-se num objectivo primordial do inimigo, que o imolou, no cumprimento de uma missão da mais alta dignidade e de transcendente projecção militar, a que se entregou totalmente, na convicção firme de servir uma causa justa em prol da paz.


O Major Osório, figura de combatente por excelência, travou a sua última batalha ao serviço da paz, com inultrapassável coragem moral e física, audácia, rara decisão e desprezo pelo perigo, que foram sempre timbre da sua conduta militar, depondo a vida, em sublime holocausto, no sagrado altar da Pátria, que serviu heroicamente, num raro exemplo de grandeza de valor militar, que permanecerá perene na história da luta travada em terras da Guiné Portuguesa.


(Diário do Governo, II série, n.º 131, de 5 do corrente).


Transcrição da Portaria que concede a condecoração, publicada na mesma Ordem do Exército:


Por Portaria de 27 de Maio de 1970:


Manda o Governo da República Portuguesa, pelo Ministro da Defesa Nacional, condecorar, a título póstumo, por proposta do Comandante-Chefe das Forças Armadas na Guiné, o Major de Infantaria, Alberto Fernão de Magalhães Osório, com a Medalha de Ouro de Valor Militar, com palma, nos termos do artigo 6.º, com referência ao § 1.º do artigo 51.º, do Regulamento da Medalha Militar, de 28 de Maio de 1946.


(Diário do Governo, II série, n.º 131, de 5 do corrente).


Em 7 de Julho de 1970 promovido a título póstumo, por distinção, a tenente-coronel;


Em 27 de Julho de 1970 agraciado a título póstumo com o grau de Cavaleiro da Ordem Militar de Avis.


A sua Alma repousa em Paz.
 

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20 de Abril de 1970:

 

Para visualização do conteúdo clique no sublinhado que se segue:

Foi no noroeste da Guiné que aconteceu o "Massacre do Chão Manjaco"

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