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Manuel Rodrigues Mota, Tenente-Coronel SG PQ

 

"Pouco se fala hoje em dia nestas coisas mas é bom que para preservação

do nosso orgulho como Portugueses, elas não se esqueçam"


Barata da Silva
, Vice-Comodoro

 

 

HONRA E GLÓRIA

Elementos cedidos pelo PQ Pedro Castanheira

 

Agradecimento à colaboração do

1.º Sargento PQ Francisco Marchante

 

Manuel Rodrigues Mota

 

Tenente-Coronel do Serviço Geral Paraquedista

 

 

Angola: 16Jul1963 a 13Out1966:

 

2.ª Companhia de Caçadores Paraquedistas

 

Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21

«GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS»

 

2.ª Região Aérea «FIDELIDADE E GRANDEZA»

 

Guiné: 27Mai1968 a 03Dez1969:

 

Companhia de Caçadores Paraquedistas 122

 

Batalhão de Caçadores Paraquedistas 12

«UNIDADE E LUTA»

 

Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné

«ESFORÇO E VALOR»

 

Timor: 22Jul a 14Dez1975:

 

Destacamento de Caçadores Paraquedistas 1

 

Zona Aérea de Timor

 

3.ª Região Aérea «LEALDADE E CONFIANÇA»

 

Medalha de Ouro de Valor Militar Colectiva

Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª Classe

Medalha de Ouro de Serviços Distintos Colectiva

3 Medalhas de Mérito Militar de 2.ª, 3.ª e 4.ª classes

Medalha de Cobre de Comportamento Exemplar

2 Medalhas Comemorativas das Campanhas das Forças Armadas Portuguesas com as legendas «Norte de Angola 1963-66» e «Guiné 1968-69»

 

 

HONRA E GLÓRIA AO

TENENTE-CORONEL DO SERVIÇO GERAL PARAQUEDISTA MANUEL RODRIGUES MOTA

BREVET Nº 1571

Honra e Glória ao Tenente-Coronel do Serviço Geral Paraquedista Manuel Rodrigues Mota, Paraquedista de raça, Combatente de excepção e Comandante de Homens, cujo percurso constitui património de honra das Tropas Paraquedistas Portuguesas.

Tudo começa na Escola Mãe. É incorporado no Regimento de Caçadores Paraquedistas em 21 de Agosto de 1961, onde escolhe a mais dura e nobre das especialidades: ser Paraquedista.

Conclui com sucesso e com distinção o Curso de Paraquedismo n.º 16, que decorreu de 05 de Fevereiro de 1962 a 11 de Abril de 1962, tornando-se titular do Brevet de Paraquedista Militar n.º 1571. A partir desse dia, a Boina Verde seria a sua segunda pele e o lema "Que nunca por vencidos se conheçam" a sua norma de vida.

É promovido a 2.º Cabo em 15 de Março de 1963 e a 1.º Cabo em 09 de Julho de 1963.

O seu baptismo de fogo acontece em Angola, de 16 de Julho de 1963 a 13 de Outubro de 1966, integrado no Batalhão de Caçadores Paraquedistas 21 – 2.ª Companhia de Caçadores Paraquedistas, no Norte de Angola. Servindo cerca de 20 meses numa Companhia Operacional, impõe-se como graduado possuidor de excepcionais qualidades e excelente condutor de homens.

Pelo meio da sua comissão em Angola, é promovido a Furriel em 09 de Julho de 1964.

O seu historial de condecorações atesta uma vida de serviços distintos, começando pela Medalha de Cobre de Comportamento Exemplar, publicada na Ordem de Serviço n.º 284 do BCP21 de 02 de Dezembro de 1964.

É ainda no período de Angola que recebe o primeiro reconhecimento formal por louvor — Ordem de Serviço N.º 06 da 2.ª Região Aérea de 14 de Janeiro de 1966, por proposta do Comandante do BCP21:

"Por Proposta do Comandante do BCP 21, louva o FUR/PARAQ MANUEL RODRIGUES MOTA, do BCP 21. Porque servindo no BCP 21 há cerca de 20 meses integrado numa Companhia operacional demonstrou ser um graduado possuidor de excepcionais qualidades e um excelente condutor de homens, impondo-se pelo exemplo e pelos seus conhecimentos tácticos.

De uma decisão, sangue-frio e voluntariedade a toda a prova, cumpriu sempre de forma inexcedível e com total desprezo pelo perigo, as missões que lhe foram confiadas, tirando o maior rendimento da sua secção que sempre desejou servir sob as suas ordens.

Ao ser transferido para outra Companhia merece que sejam realçadas as suas qualidades militares, de carácter e educação que levaram a escolhê-lo para uma nova missão não menos delicada.

O Furriel Paraquedista MOTA é apontado como paraquedista digno da farda que veste e como graduado exemplar."

A 09 de Novembro de 1966, por Despacho do Secretário de Estado da Aeronáutica, é-lhe concedida a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas Portuguesas no Norte de Angola.

A 31 de Dezembro de 1966, é promovido a 2.º Sargento.

A consagração como combatente excepcional dá-se na sua segunda comissão, na Guiné, de 27 de Maio de 1968 a 03 de Dezembro de 1969, no Batalhão de Caçadores Paraquedistas 12 - Companhia de Caçadores Paraquedistas 122. Sempre integrado numa Companhia Operacional, toma parte como Adjunto do Comandante de Pelotão em mais de duas dezenas de operações, sendo citado individualmente nos relatórios das Operações "ZEUS", "TITÃO", "ORFEU" e "NESTOR". O seu Pelotão e Companhia mereceram ainda várias citações colectivas e louvores pelas suas actuações nas Operações "TITÃO" e "AQUILES I". Pela valia demonstrada, é-lhe atribuído o comando de um Pelotão.

Durante esta comissão, é promovido a 1.º Sargento em 08 de Agosto de 1969.

Em 30 de Outubro de 1969, por Despacho do Secretário de Estado da Aeronáutica, recebe a Medalha Comemorativa das Campanhas das Forças Armadas da Guiné.

É na Guiné que o seu valor se transforma em Lenda, valendo-lhe a mais alta condecoração de bravura: a Medalha da Cruz de Guerra de 1.ª Classe, atribuída por Portaria de 06 de Maio de 1971:

MEDALHA DA CRUZ DE GUERRA DE 1.ª CLASSE

Portaria de 06 de Maio de 1971

Primeiro Sargento Paraquedista MANUEL RODRIGUES MOTA:

"Considerado como dado pelo Secretário de Estado da Aeronáutica, por proposta do Comandante da Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné, o louvor concedido ao 1.º Sargento Paraquedista MANUEL RODRIGUES MOTA, porque durante a comissão de serviço que prestou na Província da Guiné demonstrou possuir excepcionais qualidades militares de combatente e condutor de homens, contribuindo de forma relevante para os êxitos alcançados pelas Tropas Paraquedistas, onde é justamente considerado um dos mais valiosos graduados do qual muito há a esperar para o prestígio e honra das Forças Armadas.

Sempre integrado numa Companhia Operacional, tomou parte como Adjunto do Comandante de Pelotão em mais de duas dezenas de operações.

Pelas qualidades demonstrada, foi-lhe posteriormente atribuído o comando de um pelotão e nesta função, actuando enquadrado na Companhia ou em acções isoladas, confirmou a sua elevada capacidade de comando, critério de sacrifício, determinação, coragem ou ousadia, qualidades estas bem patentes nos resultados obtidos pelo seu Grupo de Combate.

Foi citado individualmente nos Relatórios das Operações "ZEUS", "TITÃO", "ORFEU" e "NESTOR" e o seu Pelotão e Companhia mereceram ainda várias citações colectivas, e louvores pelas suas actuações nas Operações "TITÃO" e "AQUILES I".

No decorrer da Operação "ZEUS", quando se procedia à remodelação do dispositivo num acampamento assaltado pelas Nossas Tropas o inimigo lançou um contra-ataque de grande potência de fogo de Morteiro, Lança Granadas Foguete, Metralhadoras e Armas Ligeiras, colhendo de surpresa o Grupo de Combate comandado pelo Sargento Paraquedista Mota. Na reacção imediata, tomou as decisões mais ajustadas, e com grande calma e sangue-frio extraordinário, conduziu debaixo de intenso fogo a manobra dos seus homens, evitando-lhe baixas e pondo o inimigo em debandada.

No decorrer da Op. "ARGUS", um grupo inimigo armado de Lança Granadas Foguete e Metralhadoras Ligeiras emboscou as Nossas Tropas quando estas perseguiram um elemento ferido. Apesar de intenso e ajustado fogo do referido grupo, o 1.º Sargento Paraquedista Mota, à frente da sua Secção, lançou-se abertamente contra a posição ocupada e pondo o grupo inimigo em fuga evitou que se verificassem baixas num outro núcleo das Nossas Tropas que se encontrava batido pelo fogo inimigo numa posição da qual não podia reagir ofensivamente.

Na operação "NESTOR" o Pelotão comandado pelo Sargento Paraquedista Mota mantinha-se em reserva, quando foi decidido o seu empenhamento na exploração de local muito suspeito, cujo acesso era difícil, pela água e vegetação que o rodeava. Demonstrando grande decisão espírito de sacrifício, ousadia e elevado nível de conhecimentos tácticos, montou a segurança próxima com equipas de dois homens e ele próprio, correndo grande risco, atravessou o rio que o separava do local suspeito e localizou importante arrecadação de material de guerra inimigo. Apesar da flagelação sofrida quando se encontrava com todos os homens dispersos, controlou a situação por forma a cumprir totalmente a missão que lhe fora atribuída.

Pelos factos apontados e qualidades demonstradas o Sargento Paraquedista Mota é considerado elemento excepcionalmente valoroso e os serviços que prestou honram as Tropas Paraquedistas e a Força Aérea em geral, merecendo público louvor e o reconhecimento dos seus feitos."

Em Fevereiro de 1973, é considerado abrangido com direito ao uso da insígnia da condecoração colectiva da Medalha de Ouro de Valor Militar, com palma, concedida ao Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas 21 (BCP21) «GENTE OUSADA MAIS QUE QUANTAS».

Em 1974, é-lhe atribuída a Medalha de Mérito Militar de 4.ª Classe, publicada na Ordem à Aeronáutica n.º 23 - 3ª Série.

Já no Serviço Geral Paraquedista, ascende a Alferes em 25 de Junho de 1974.

A 25 de Junho de 1975, é promovido a Tenente.

A sua terceira comissão cumpre-a em Timor, de 22 de Julho a 14 de Dezembro de 1975, no Destacamento de Caçadores Paraquedistas n.º 1, em Díli, Timor, em período de extrema exigência, instabilidade e perigo, onde mais uma vez honrou o Brevet que ostentava.

É promovido a Capitão em 25 de Junho de 1978.

Em 16 de Março de 1984, é-lhe concedida a Medalha de Mérito Militar de 3.ª Classe, por Portaria.

Ascende a Major em 01 de Fevereiro de 1986.

Em Dezembro de 1987, é considerado abrangido com direito ao uso da insígnia da condecoração colectiva da Medalha de Ouro de Serviços Distintos Colectiva, concedida à Base Escola de Tropas Paraquedistas (BETP - Tancos) «QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM», pela Portaria de 07 de Dezembro de 1987.

É promovido a Tenente-Coronel em 01 de Abril de 1989.

Passa à Reserva em 01 de Novembro de 1992, após 31 anos de serviço ininterrupto a Portugal.

A 12 de Outubro de 1995, é galardoado com a Medalha de Mérito Militar de 2.ª Classe, pela Portaria do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas.

Paraquedista do Curso 16, Brevet 1571, da Escola Mãe de 21 de Agosto de 1961 até à Reserva em 1992, o Tenente-Coronel Manuel Rodrigues Mota deixa-nos o exemplo do Chefe que se lança abertamente contra a posição inimiga para salvar os seus homens, que atravessa um rio sob flagelação para cumprir a missão, que comanda com calma e sangue-frio extraordinário debaixo de fogo intenso. É o exemplo do graduado que os homens desejavam servir sob as suas ordens.

Com uma criança timorense

Por tudo isto, a Pátria e os Paraquedistas prestam-lhe a mais sentida homenagem.

HONRA E GLÓRIA!

TENENTE-CORONEL PARAQUEDISTA MANUEL RODRIGUES MOTA - BREVET 1571!

QUE NUNCA POR VENCIDOS SE CONHEÇAM!

 

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